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Bruno Nogueira volta aos palcos com peça encenada por Beatriz Batarda

‘Outra Bizarra Salada’ é um dos destaques da nova temporada do São Luiz, que também inclui criações de artistas como Sara Carinhas, Marco Martins, Olga Roriz e Miguel Loureiro.

Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Bruno Nogueira, Humorista, Stand Up Comedy
©Duarte DragoBruno Nogueira
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Estávamos em 2011 quando o São Luiz Teatro Municipal estreou Uma Bizarra Salada, a partir de textos de Karl Valentin. O espectáculo, que voltou a subir a palco no ano seguinte, contava com Bruno Nogueira, Luísa Cruz e a Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a direcção do maestro Cesário Costa. Agora, Beatriz Batarda, que já na altura fazia parte da direcção artística, traz-nos Outra Bizarra Salada, com o elenco original, a que se junta a actriz Rita Cabaço. Com estreia marcada para Fevereiro de 2023, é um dos destaques da temporada 2022-23 do São Luiz Teatro Municipal, cuja programação arranca em Setembro e termina em Julho do próximo ano.

“Muitos dos projectos que contamos finalmente apresentar estavam já em agenda há algum tempo, mas foram sendo adiados por culpa da pandemia”, disse a directora artística do São Luiz, Aida Tavares, esta quinta-feira, 14 de Julho, em conferência de imprensa. Exemplos disso são os espectáculos internacionais co-produzidos pelo Teatro Municipal com outros teatros e parceiros europeus, como O Agora Que Demora, da encenadora e realizadora brasileira Christiane Jatahy. Esta criação é, aliás, a peça que abre a nova temporada, a 14 de Setembro (Sala Luis Miguel Cintra, 20.00). Parte do díptico “Nossa Odisseia”, em torno do épico de Homero, convida-nos a embarcar numa jornada guiada por uma ficção de três mil anos, que poderá ter coisas para nos dizer sobre o mundo em que vivemos agora.

A nível nacional, destacam-se desde logo os dois projectos integrados na Bienal Cultura e Educação de 2023: I Was Looking at the Ceiling and then I Saw the Sky/ Estava a Olhar para o Teto e de Repente Vi o Céu (15-26 Mar), uma ópera de John Adams, que se estreia em Portugal naquela que é a primeira colaboração entre Miguel Loureiro, Miguel Pereira e Martim Sousa Tavares; e C. Celeste e a Primeira Virtude (11-22 Abr), de Beatriz Batarda, que traz também uma instalação-vídeo, Corpos Celestes (datas a anunciar). Mas não só. Sara Carinhas estreia Última Memória (22 Mar-2 Abr), a última etapa de uma trilogia dedicada a Virginia Woolf; e Olga Roriz oferece-nos A Hora em que Não Sabíamos Nada Uns dos Outros (12-21 Mai), do alemão Peter Handke.

Integrado na rede europeia PROSPERO, a que o São Luiz pertence, apresenta-se Pêndulo, com texto de Djaimilia Pereira de Almeida e Marco Martins, que também assina a encenação. Em cena de 16 a 18 de Junho, o espectáculo – que pressupõe seis meses de trabalho com dez mulheres emigrantes de primeira ou segunda geração com trabalho doméstico como actividade principal – subirá também aos palcos em Varsóvia, Bolonha e Berlim, com um grupo de actores não profissionais. Segundo o encenador, a ambição é abrir espaço para as histórias dos que são directamente confrontados com a precariedade implícita no devir económico e social do mundo.

Está ainda previsto o acolhimento dos festivais Alkantara (18-27 Nov) e FIMFA (18 Mai-4 Jun), e duas reposições: A Reconquista de Olivenza (1-16 Out), estreada em 2020 por Ricardo Neves-Neves e Filipe Raposo, equipa que fechará também a temporada com a estreia de O Livro de Pantagruel (6-16 Jul), uma nova dramaturgia a partir de várias obras sobre canibalismo, antropofagia e manipulação do corpo humano; e Lindos Dias! (27 Abr-7 Maio), de Samuel Beckett, com encenação de Sandra Faleiro, que se estreou em 2018 com Cucha Carvalheiro no papel de Winnie, ao qual regressa.

Além de teatro, há música. No próximo mês de Outubro, celebram-se os 55 anos de carreira do fadista João Braga, que actua no dia 18 acompanhado por Ana Beatriz, Miguel Sanches e Rão Kyao. Seguem-se, por exemplo, concertos de Filipe Raposo (20-21 Out); de Agir (25 Out); e da Orquestra Sinfónica Juvenil (14 Nov), sob a direcção do compositor luso-britânico Christopher Bochmann. Destacam-se ainda um concerto dedicado ao centenário de José Saramago (3 Nov), a Gala Abraço (1 Dez), que regressa ao São Luiz para a sua 30.ª edição no Dia Mundial da Luta Contra a Sida, e o novíssimo Festival de Violoncelo – Prémio Paulo Gaio Lima (28-30 Abr).

No campo do pensamento, a directora artística do São Luiz aponta o “Curso Livre de Cultura”, um ciclo de entrada livre sobre políticas públicas para a cultura. Com coordenação e moderação de Tiago Bartolomeu Costa, tem sessões marcadas para 26 de Setembro, 24 de Outubro e 28 de Novembro, sempre às 19.00. Acompanhando a temporada, a iniciativa propõe-se abordar a diversidade de modos de pensar, falar e actuar a partir da cultura e a relação desta com “o que mais se diz e menos se aproveita: a sua dimensão transversal na sociedade”. Os convidados ainda estão por anunciar, mas espera-se debater o desafio da próxima Capital Europeia da Cultura, o Orçamento do Estado para a cultura e as políticas públicas e suas consequências.

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