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D. Maria II fecha portas em 2023 para percorrer o país de lés a lés

A programação da nova temporada já tem dedo do novo director artístico, Pedro Penim. Com o teatro fechado para obras, arrisca-se “uma operação inédita” por todo o país.

Raquel Dias da Silva
Escrito por
Raquel Dias da Silva
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A recta final de 2022 servirá para “antecipar o futuro”, o que está por vir e o que será o Teatro Nacional no próximo ano. Entre as escolhas do novo director artístico, Pedro Penim, e o que corresponde ainda à visão do seu antecessor, Tiago Rodrigues, o último quadrimestre de programação revela-se já “em busca de uma pluralidade de horizontes, díspares e audazes”, que ganhará outro fôlego a partir de 2023. Quando o edifício no Rossio fechar para obras, o D. Maria II irá arriscar “uma operação inédita” por mais de 90 municípios, de norte a sul do país, incluindo Açores e Madeira.

“No início, fiquei assustado, confesso. Quando digo que é inédito e histórico, é de facto verdade, porque em tantos anos de história nunca tal aconteceu. E coincide precisamente com o meu primeiro ano de programação, o que acarreta um peso extra em relação ao que é programar um Teatro Nacional, coisa que nunca fiz, que faço agora pela primeira vez. Mas, de tal forma é um projecto aliciante, que também muito rapidamente fiquei convicto de que não o trocaria por nada”, diz Pedro Penim à Time Out sobre a Odisseia Nacional, o périplo pensado para 2023, que só será revelado em detalhe no próximo mês de Novembro.

A programação arranca em Janeiro na região Norte, onde ficará até Abril. Já de Maio a Junho manter-se-á no centro do país, antes de seguir para os Açores, em Julho; Madeira, em Setembro; Algarve e Alentejo, nos últimos três meses do ano. Entre espectáculos, co-produções com agentes locais, projectos de e para a comunidade, acções pedagógicas para todos os ciclos de ensino, eventos de pensamento e ciclos de formação, a iniciativa de larga escala servirá para, mais do que descentralizar, “procurar novos centros”. “A expectativa é que, quando voltarmos a Lisboa, o Teatro nunca mais volte a ser o mesmo, porque é impossível passar incólume a uma experiência destas. E, ao mesmo tempo, que o próprio território também já não seja o mesmo”, acrescenta Pedro Penim, seguro de que “esta extensão terá necessariamente de continuar” por 2024 e 2025.

Antecipar o Futuro

A nova temporada arranca a 22 de Setembro com quatros espectáculos produzidos ou co-produzidos pelo D. Maria II e quatro internacionais. Destaca-se desde logo a primeira criação de Pedro Penim enquanto director artístico do TNDM II. Em cena até 16 de Outubro, na Sala Garrett, A Casa Portuguesa conta a história ficcional de um antigo soldado da Guerra Colonial que, dialogando com os seus fantasmas, se vê confrontado com a decadência e a transformação do ideal de casa, família, país e cânone da figura paterna.

Já a Sala Estúdio reabre com o ciclo Antecipar o Futuro, um programa de cultura contemporânea, dedicado ao pensamento, à política, à tecnologia e à arte. Composto por instalações, concertos, workshops e palestras, o alinhamento deverá ser anunciado em breve. Confirmados estão apenas os espectáculos Cosmic Phase/Stage, da autoria de Ana Libório, Bruno José Silva, Carlos Cardoso e João Estevens; e Atlântida (título provisório), de Odete.

Em Outubro, começam as Leituras Encenadas de Teatro Brasileiro, uma iniciativa em parceria com a Embaixada do Brasil em Lisboa, a propósito do ano das Comemorações do Bicentenário da Independência do Brasil, declarada a 7 de Setembro de 1822. Do programa de entrada livre, que acontecerá nos dois lados do Atlântico, constam alguns dos maiores autores da língua portuguesa do século XX, onde se incluem nomes como Nelson Rodrigues, Ariano Suassuna, Newton Moreno e Leilah Assumpção. No mesmo mês, a Sala Estúdio recebe Zoo Story, de Edward Albee, com direcção de Marco Paiva (6-23 Out); e a Sala Garrett Ça ira (1) Fin de Louis, de Joel Pommerat, uma ficção política contemporânea inspirada no processo revolucionário de 1789 (28-30 Out).

Novembro traz novos espectáculos à Sala Estúdio (incluindo Cadernos De, de Raquel S.), o Festival Alkantara e uma homenagem a Ruy de Carvalho e aos seus 80 anos de carreira. Segue-se a 6.ª edição do Festival Esta Noite Grita-se, com um ciclo de leituras de textos teatrais, entre 3 e 4 de Dezembro, pelas ruas de Lisboa e não só. A iniciativa, aberta a todos, inclui ainda o concurso literário “Prémio Nova Dramaturgia de Autoria Feminina”, dirigido a pessoas que se identificam com o género feminino, sejam cisgénero ou transgénero, com ou sem trabalhos publicados, ou apresentados publicamente.

Este ano, também há mudanças ao nível da administração do Conselho de Administração (CA) do Teatro Nacional D. Maria II (TNDM II). A presidente Claudia Belchior pediu renúncia do seu mandato, que só terminaria em 2023, para regressar à Fundação CCB. Por nomeação do Ministério da Cultura, Rui Gonçalves, que já era vogal deste CA, assume as suas funções a 1 de Julho. Para o seu lugar, entra Sofia Campos, que também já estava na casa.

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