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Livros, Escritora, Cristina Norton
©Manuel Manso Cristina Norton

Carta de Amor a Lisboa: Cristina Norton

Desafiámos alfacinhas com jeito para as palavras a escrever a Lisboa, a cidade do nosso coração.

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Quando me apaixonei por ti? – perguntaste-me com aquele tom das mulheres idosas que ainda conservam um brilho no olhar e uma beleza desconcertante. Ao chegar no barco italiano que atravessou o Atlântico para eu conhecer a família de uma irmã do meu pai. Desde o convés, naquela manhã de fim de Primavera, fiquei presa da tua luz e das cores dos edifícios. Mais tarde, quando percorremos as tuas ruas num táxi, descobri nas tuas 7 colinas, folhas de árvores de diferentes verdes que brilhavam e se alteravam com o vento.

– Eram assim tão mudadiços os verdes? – disseste tentando mascarar a vaidade.

Só as ramagens. Mas também a quantidade de Igrejas que alçavam as suas cúpulas para serem vistas no meio do casario, o Castelo São Jorge, os palácios virados para o Tejo, eram uma sinfonia de cores que variava sob a batuta do sol.

Essa foi a primeira impressão aos meus 12 anos, porque fomos logo viver a Paris, que amei.

– Mais que a mim? A quem poetas de todos os séculos dedicaram os seus melhores versos?

Nesse tempo, sim. Mas acabei de apaixonar-me por ti, Lisboa, quando voltei aos 17 anos.

Calcorreei as tuas ruas estreitas, subi e desci todas as colinas, admirei as calçadas de pedras brancas e pretas com desenhos lindos, conheci o teu passado.

Hoje, continuo a amar-te como se fosses minha, porque o tempo não te envelheceu, renovaram-te e voltaste a ser uma cidade virada para o rio. Em muitas avenidas florescem jacarandás, árvores da minha terra natal, para que o meu amor por ti seja mais intenso.

Cristina Norton, Escritora

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