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Jornalista, Escritora, Joana Stichini Vilela
©Arlindo Camacho Joana Stichini Vilela

Carta de Amor a Lisboa: Joana Stichini Vilela

Desafiámos alfacinhas com jeito para as palavras a escrever a Lisboa, a cidade do nosso coração.

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Querida Lisboa,

Por mais voltas que dê, não sei o que dizer.
Pensei acabar tudo entre nós. Uma coisa civilizada. Asséptica. Segura.
“Assim como assim, nada será como dantes”, persuadi-me.

Teria apenas de traçar uma nova geografia emocional. Encontrar uma nova Baixa para calcorrear durante a infância, outro Bairro Alto para os primeiros anos de folia, um Campo de Ourique alternativo para ver os meus filhos nascer.

Abri o mapa mental e parti. Senti-me com sorte. Passarinho verde à vista! Encetaria em breve uma relação com uma pequena cidade ondulante e um rio com tiques de mar. Apostei todas as minhas fichas num largo pontuado por exclamações em forma de árvore e uma revolução em forma de flor. Imaginei-me a aplicar a este lugar mágico a Teoria Cartográfica Universal dos Pontos Negros, segundo a qual – consta – uma coordenada se revela e ilumina quando passa a fazer parte da nossa vida. Qual seria a minha próxima Alameda? Lembras-te, Lisboa, daquela tarde de Verão à pinha em que, com uma futebolada de um lado e um jogo de críquete do outro, liguei insuportável a amigos a anunciar que estava encontrado o enclave mais cosmopolita da cidade? Quase que o vejo daqui.

Como sabes, nunca me orientei com mapas, pelo que desisti de partir.
Em vez disso, aguardo. Da cobertura do prédio, em voltas de 360º, contemplo uma cidade às escuras. Procuro as palavras certas e os primeiros pontos de luz.

- Joana Stichini Vilela, Jornalista e Escritora

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