Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Carta de Amor a Lisboa: Tomás Wallenstein
Capitão Fausto
Matilde Travassos Capitão Fausto

Carta de Amor a Lisboa: Tomás Wallenstein

Desafiámos alfacinhas com jeito para as palavras a escrever a Lisboa, a cidade do nosso coração.

Publicidade

Carta à Cidade de Lisboa.

Tive o privilégio de testemunhar com os meus próprios olhos um cenário que nunca imaginei ver: a bonita cidade onde nasci e cresci totalmente esvaziada, limpa, nua e aparentemente pura, numa visão distópica que me trouxe sensações que só o cinema tinha simulado. Foi como assistir à cena do Vanilla Sky em que Tom Cruise se depara com Times Square totalmente vazia, revelando o esqueleto de um fantasma da cidade que outrora ali existira, aparentemente desaparecida, ou pelo menos em hibernação, na promessa de um dia regressar sem aviso prévio à sua habitual condição.

A imagem que vi era apenas uma representação teórica de Lisboa. Uma cidade é feita das ruas que a descrevem, e dos espaços que oferece, mas sobretudo das pessoas que a habitam, do movimento de que nos queixamos, dos cantos limpos e sujos espalhados, e de uma condição de movimento perpétuo que a faz evoluir, pela primeira vez travado.
A engrenagem encalhada ficou a acumular forças, e mal se encontrou o estilhaço metálico metido entre duas rodas dentadas retomou a sua marcha, em aceleração progressiva, e em direcção à velocidade de cruzeiro habitual.

Ainda com a situação macroscópica por resolver, tenho uma lista de desejos a fazer à cidade, para que na sua convalescença possa refletir sobre a sua condição geral.

Em primeiro lugar, que conserve a sua beleza, e que continue a caminhar para conservar aquilo que tem de melhor. A cidade é o seu momento presente, mas só pode vincar o seu crescimento se puder ser severa na conservação da sua História.

Em segundo lugar, que recorde a sua principal função: ser habitada. Desejo que a vida de Lisboa se direcione para trazer cada vez melhores condições a quem a habita: para as crianças que nela crescem, para os jovens que nela estudam, trabalham e constroem o seu futuro, para as famílias que nela se estabelecem e criam raízes, e sobretudo para os mais velhos que a ela se dedicaram e nela esperam poder descansar.

Em último lugar, e mais importante, desejo profundamente que Lisboa se encaminhe cada vez mais para um sítio onde a Igualdade e o Equilíbrio sejam o lema: uma casa para todas as idades, todas as culturas e todos os géneros; um centro que facilita as liberdades de escolha de cada um, enquanto estimula a noção coletiva; um destino que saiba respeitar os seus moradores enquanto consegue acolher de braços abertos os seus visitantes, vindos de todos os cantos do mundo; e um interlocutor capaz de dialogar com os seus vizinhos, com o seu País, com o Mundo, mas sobretudo com as pessoas.

Tomás Wallenstein, Músico

+ Carta de Amor a Lisboa: Filipa Martins

+ Carta de Amor a Lisboa: Joana Stichini Vilela

Share the story
Últimas notícias
    Publicidade