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Chakall e Roberto Mezzepelle têm um novo italiano no Parque das Nações

Por Tiago Neto
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É o segundo espaço que o chef argentino e o pizzaiolo italiano abrem em conjunto depois do Refeitório do Senhor Abel, em Marvila. No L'Origine, o novo restaurante no Parque das Nações, Roberto e Chakall reencontram-se nas origens da gastronomia e trazem-na ao prato, sempre com Itália ao peito.

Pouco mais de um ano volvido desde a abertura do Refeitório do Senhor Abel, o conceito migrou para o Parque das Nações. A vista sobre o rio foi um argumento, tal como o afastamento da urbe. Faltava decidir o nome. "Queríamos um conceito diferente do Refeitório, estar noutro ponto da cidade. Aqui temos o rio, um pouco de natureza, é um toque industrial moderno, pratos um pouco mais elaborados. O nome Origine foi criado porque não queríamos fazer o Refeitório 2. Pensámos num nome e percebemos que vínhamos ambos de uma família de restauração, então origem, como as nossas origens, de onde chega tudo isto", explica Roberto Mezzepelle, o siciliano que há pouco mais de ano e meio fez casa por terras lusas.

"Conheci o Chakall em Berlim, eu trabalhava num grande restaurante italiano, ele também trabalhava na cidade", conta Roberto, que aceitou a proposta do argentino para criar um conceito italiano em Lisboa. "Em conversa perguntou-me se eu gostava de Portugal. E eu disse-lhe que se o clima fosse quente, gostava."

O primeiro piso do L'Origine
Fotografia: Inês Félix

O espaço é amplo, fluido, de fachada em vidro e pormenores industriais. O segundo piso é como um miradouro, intervalado pelos teleféricos que cortam o horizonte. "O Chakall gosta de trabalhar com clientes locais, dá-lhe uma satisfação tremenda vê-los a voltar ao restaurante, é emocionante. Assim sabes que fazes um produto muito bom." Mas há outra razão para o apego: a noção portuguesa da qualidade da comida. "Os portugueses sabem se a comida é ou não é boa. Em Itália é igual, há muita coisa parecida, mesmo em algumas palavras."

De Itália chega-lhe o mais difícil de encontrar. "A burrata, produtos gourmet como o tomate semi-seco, balsâmico de framboesa. Aqui não consigo encontrar." Mas utilizam também muitos produtos portugueses, muito elogiados pelo pizzaiolo.

Burrata com pesto de manjericão e pinhões
Fotografia: Inês Félix

Na mesa, a abrir jogo a preceito, há bellinis (5€), aperol spritz (6€) ou limoncello tónico (7€). Seguem-se as entradas como a obrigatória bruschetta (5€) ou focaccias clássica (4€) e trinacria (6€) com alcaparras, cebola, azeitonas, óregãos e azeite. Pode ainda optar pela taglieri di Roberto (19,50€), uma tábua para duas pessoas com queijo, salame Milão, presunto de Parma, mortadela, azeitonas de Campo Maior e pão de pizza. 

Os carpaccios entram logo de seguida. Di manzo (13€), com carne de boi, parmesão, azeite de limão e balsâmico de vinagre, carpaccio di salmone (14€) com salmão laminado, pimenta rosa e azeite de limão ou o bacalà (12€) com bacalhau laminado, creme balsâmico de morango e azeite de laranja e limão. E vale a pena olhar para o capítulo das burratas: há de pesto (13€), porcini (15€) com cogumelos porcini ou a campagnola (13,50€), com cogumelos, cebola, pimentos e courgette são algumas das opções.

Pizza o Padrinho com massa de beterraba e gengibre
Fotografia: Inês Félix

Chegados às pizzas, a maturação é um processo obrigatório. "Isto acontece porque estamos num sistema em que a farinha deve ser a mais indicada para o produto", explica Roberto. "Nos anos 80, 90 usava-se muita farinha para panificação, a massa não tinha muita força para pizzas. Fazia-se uma mistura com farinha de manitoba, americana, para a tornar mais forte, fazer um produto mais crocante, que cozinhava mais rápido, com mais proteína. Com a evolução, começou a fazer-se farinha mais específica, mais forte, para pizza, panificação, pastelaria." O trabalho com uma farinha mais forte implica uma percentagem maior de glúten, o que torna o produto mais complexo na digestão. "Para contornar isto, trabalha-se a farinha, com uma maturação de temperatura controlada. Assim há a possibilidade de ter menos fermento. Isto significa que a farinha, independentemente da força que tem, tem mais ou menos necessidade de maturação. As minhas massas ficam a maturar entre 24 a 62 horas."

Há massa tradicional, de sete cereais, com beterraba e gengibre ou massa preta de carvão vegetal. Além das pizzas brancas, sem molho de tomate. As escolhas vão desde a pizza margherita in napoli (12,50€) com molho de tomate, mozzarella e manjericão, a primavera in sicilia (16€), com mozzarella, rúcula, presunto, tomate cherry e parmesão. Há também a capricciosa como a mãe (14€), com mozzarella, fiambre, cogumelos, wrustel e ovo ou a due poli (19€), com salmão, abacate, manga, rúcula, tomate semi-seco, mascarpone e nozes.

Pizza due poli com massa preta de carvão vegetal
Fotografia: Inês Félix

Pode ainda optar pelas calzones: ortolana (12€), com mozzarella, ricotta, espinafres, nozes, gorgonzola e salsicha ou vesuvio (14€) com mozzarella, salame picante, ricotta e 'nduja. Na sobremesa, o tiramisù (5€) abre as opções. Segue-se a panna cotta (4,50€), a pizza com doce de leite argentino (8€), cheesecake d'Palermo com limão e laranja (5€), ou bolo de chocolate com frutos do bosque (6€). Peça um digestivo para terminar, como o amaro averena (4€) ou o grappa (7€). 

O tiramisù
Fotografia: Inês Félix

Rua da Pimenta, 103 (Parque das Nações). Ter-Dom 12.00-16.00/19.30-24.00.

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