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Cinco coisas que não sabe sobre a Pastelaria Suíça

Por Renata Lima Lobo
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"A Suíça já fez mais falta do que faz agora. Milhares de pessoas trabalhavam na Baixa. Neste momento está esvaziada a cidade." O lamento é de Luís Fausto Roxo, o homem do leme da Pastelaria Suíça que encerra portas a 31 de Agosto por falta de rendimentos. “Ainda tentámos as Lojas com História, mas esquecemo-nos de fazer primeiro as contas", diz-nos, sentado na casa onde sempre trabalhou. "As esplanadas estão vazias, de maneira que o rendimento da empresa tem diminuído de há dois anos para cá e temos 50 pessoas para pagar o ordenado. Se isto continua com este declínio, acabamos por falir e não indemnizar o pessoal. De maneira que resolvemos desistir.”

O que fica são as histórias de uma casa fundada em 1922.

1 - Segunda Guerra-Mundial. Enquanto o mundo estava virado de pernas para o ar, Portugal lá ia vivendo (é, aliás, uma das nossas características), mantendo-se aparentemente neutro. Refugiados da Europa de Leste, muitos judeus e não só encontraram em Portugal o seu oásis e uma segunda casa na Pastelaria Suíça. Reza a história que o n.º 100 era uma célebre tabacaria chamada, pasme-se, O Cem, e que nas suas vendas incluía alguns jornais internacionais. Ao lado estava a esplanada da Suíça, que se ia enchendo de estrangeiros e estrangeiras que traçavam a perna, acto muito pouco vulgar nos idos anos 40… conta Fausto Roxo. Que também conta que, por isso, ali havia, claro, muitos mirones portugueses para completar o quadro.

2 - E por falar em quadros, quem gosta de Almada Negreiros levante o braço. Pim! A sua história cruza-se com a pastelaria Suíça durante os anos 40, altura em que pintou frescos nas paredes (precisamente quando alargaram o espaço ao número 100), nos quais estavam representadas pessoas envergando trajes suíços. Infelizmente, uma pensão que funcionava por cima do estabelecimento começou a derramar água para o piso de baixo, inutilizando o trabalho. Mas nem tudo ficou perdido. O conhecido logótipo azul da Pastelaria Suíça foi feito num guardanapo por Almada Negreiros, que teve ainda aqui três quadros expostos até 1948, numa altura em que fizeram remodelações.

3 - Sabia que o primeiro self-service low cost da Baixa nasceu aqui? Foi assim que Fausto Roxo nos contou como em 1968 abriu o Expresso Bar (do lado do Rossio), em sociedade com a pastelaria. Com serviço em pé, serviam batidos, iogurtes, frutas, saladas mistas, com atum, alface… era então conhecido como o Bar do Roxo. Mas alguém lhe deu um nome, como dizer, mais fofinho: a Manjedoura. Quem? Vera Lagoa, então cronista no Diário Popular (e, sublinhe-se, o primeiro rosto da RTP).

4 - Quem acha que o espaço já é grande não imagina o que se passa debaixo dos seus pés. Não são catacumbas, mas uma cave e sub-cave que juntamente com o rés-do-chão perfazem um total de 1180 metros quadrados, distribuídos ao longo de várias parcelas de arrendamento. Desde a zona de confecção, de refrigeração e de limpeza de loiça
(cinco mil unidades de lavagem por dia…), até um monta-cargas, oficina de reparação, armazém, nove elevadores, máquinas e mais máquinas e uma estação de tratamento de águas, é um admirável mundo novo. Os trabalhadores dispõem também de balneários com duche e vestiários. E tudo muito arrumadinho, seja feita justiça.

Pastelaria Suíça
Luís Fausto Roxo na cave da Pastelaria Suíça
Fotografia: Manuel Manso

5 - Convenhamos que os melhores pastéis de nata do mundo são mesmo portugueses. Mas se quer mesmo aquele com uma medalhinha pendurada, é comprar uma babete e ir à Pastelaria Suíça provar um (ou os que o estômago/bolso aguentar). Em 1956, os pastéis de nata desta casa obtiveram o Diploma de Honra e Medalha de Ouro na Primeira Exposição Nacional de Confeitaria e Pastelaria, e em 1961 uma Menção Honrosa no Concurso Bolo Henriquino. Mas não se vive só de história e em 2010 venceram o concurso “O Melhor Pastel de Nata”, durante o festival Peixe em Lisboa. Nos últimos anos, a concorrência disparou.

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