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Com pronúncia nordestina, o Oxe Coffee serve pães de queijo e café de especialidade em Alcântara

Em Fortaleza, no Brasil, nasceu a história de amor de Beatriz Holanda e Karen Campos e o sonho de abrirem um espaço em Lisboa onde pudessem partilhar as raízes, mas também cafés diferentes.

Andreia Costa
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Andreia Costa
Oxe Coffee
Rita Chantre | Oxe Coffee
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Durante três anos, os sonhos de Beatriz Holanda e Karen Campos estiveram bem guardados dentro de um pequeno quarto – os sonhos e as máquinas de café, as chávenas, os filtros, os candeeiros e tudo o que foram comprando antes mesmo de terem um espaço onde instalar o seu Oxe Coffee. Com a divisão lá de casa a rebentar pelas costuras – e depois de um processo que ficou várias vezes em pausa – a longa caminhada teve como destino Alcântara, onde agora o café dos seus sonhos abre a porta (e a janela) a quem passa na Calçada da Tapada.

Aqui serve-se café de especialidade, bem como sabores tradicionais do nordeste do Brasil, onde ambas nasceram. Karen foi a primeira a mudar-se para Portugal: chegou há oito anos à boleia do convite de uma tia. Beatriz veio por amor, três anos mais tarde. A primeira começou a trabalhar em restauração, enquanto a segunda, à distância de um oceano, em Fortaleza, ia a meio do curso de arquitectura (já com a noção de que não era aquilo que queria). “Apaixonámo-nos e decidi vir para Portugal”, conta Beatriz. “Já tinha feito um curso de barista em Fortaleza e aqui comecei a trabalhar em cafés de especialidade. Fui aperfeiçoando o trabalho e, sobretudo, o gosto por essa área.”

Oxe Coffee
RITACHANTREAs nordestinas Beatriz Holanda e Karen Campos do Oxe Coffee

Cerca de um ano e meio depois da chegada de Beatriz, decidiram ser “empreendedoras juntas”, mas com tempo e cabeça. Tinham a ideia de abrir um espaço, mas que oferecesse mais do que tostas de abacate ou de salmão. “Quando íamos a cafés de especialidade, sentíamos falta de uma carta com outro tipo de comida. Foi desse pensamento que partimos e fomos amadurecendo as ideias. Tudo o que temos é da nossa região, mas pode agradar a qualquer pessoa. Queríamos abrir um café que abraçasse muitas culturas.”

Os primeiros meses demonstraram que tinham razão. Desde que o Oxe Coffee abriu, no final de Outubro de 2025, passam por aqui portugueses, turistas e estrangeiros que vivem em Lisboa. Há clientes frequentes, sobretudo moradores e estudantes do ISA (Instituto Superior de Agronomia), cujo acesso fica na mesma avenida.

Oxe Coffee
Rita ChantreAs tapiocas estão entre as especialidades do Oxe Coffee

A carta é propositadamente curta para que o serviço seja rápido e mantenha qualidade. “Optámos por tostas, tapiocas, bolos à fatia e salgados”, explica Beatriz. Nas tapiocas, há uma opção com queijo (5,90€) e outra com queijo e fiambre (6,70€). No entanto, a mais pedida junta ovos mexidos, abacate e tomate cherry (8,90€). Também há tapioca vegana (8,90€), com tofu, pesto e tomate cherry. É sempre possível juntar extras, como pasta de abacate ou frango (2,20€).

Nas tostas pode escolher entre a cremosa de queijo & fiambre (6,50€), que se traduz numa mistura de queijo, fiambre e maionese vegana no pão tostado; a cremosa de frango (6,90€), com frango desfiado, cenoura e maionese vegana; a de abacate e atum (7€), com patê de atum com maionese vegana e pasta de abacate; ou a vegana (7€), com creme de tofu com maionese vegana, pesto e tomate cherry. Se o estômago pedir algo mais leve, há iogurte com frutos vermelhos, granola e mel (4,90€).

“Oxente!”, uma expressão que os portugueses conhecem bem

“Oxe” é uma abreviatura de “oxente”, que é uma contracção do português arcaico “ô gente!”. No nordeste do Brasil é uma das expressões mais utilizadas e os clientes portugueses sabem perfeitamente o que quer dizer, garante Karen. “É verdade que muitos estrangeiros dizem 'ocks’, mas os portugueses sabem que se pronuncia ‘ochi’. Sentimos que Oxe é uma expressão forte que fica no ouvido.”

O projecto demorou três anos a tornar-se realidade, mas agora o casal reconhece que o timing jogou a seu favor. “Costumamos dizer que ainda bem que não aconteceu antes, porque quando abrimos já estávamos com uma visão de gestão muito mais clara”, diz Beatriz. Durante esse tempo, além de terem construído um vasto stock, idealizaram o conceito e melhoraram receitas. Estiveram quase a arrendar outro espaço, na Estrela, mas acabaram por escolher Alcântara, onde Beatriz trabalhava. Sabia que no bairro havia poucos espaços como o que queriam abrir.

Oxe Coffee
Rita ChantreO Oxe Coffee tem uma pequena esplanada

Quando chegaram ao número 87 da Calçada da Tapada perceberam que tinha o tamanho ideal, mas também muitos contras. “Era pequeno, agradável, mas não dava para reaproveitar nada, nem sequer o chão. Estava fechado há algum tempo e muito descuidado”, recorda Karen. Das obras só restam memórias cada vez mais distantes, difíceis de imaginar quando se entra no espaço imaculado. O balcão em L está revestido de azulejos brancos. Atrás dele há lugar para tudo, das diferentes máquinas de café ao forno de onde saem os bolos caseiros. Em frente, a antiga janela de correr deu lugar a uma estrutura que abre e acomoda duas pessoas num pequeno balcão virado para a rua. A parede do lado esquerdo é acompanhada por um banco corrido, junto do qual estão mesas redondas com tampo de madeira e pés de ferro. Os tons terra são a base para deixar que sejam os acessórios a dar vida ao Oxe Coffee. Vieram quase todos do Brasil, de uma viagem feita no ano passado, e incluem baianas coloridas em barro e um molho de cajus em loiça pendurado na estrutura da porta da casa de banho. “É comum no nordeste colocar o caju na parede”, explica Karen.

No interior há lugar para dez pessoas e as três mesas da esplanada podem acomodar outras tantas. É possível que quem passe na rua se sinta obrigado a perseguir o aroma a pão de queijo que se faz aqui diariamente – e se recheia. É feito na chapa e pode levar fiambre e queijo cremosos, frango cremoso, doce de leite ou goiabada. Cada um custa 4€.

Oxe Coffee
Rita ChantreO aroma a pão de queijo enche a rua do Oxe Coffee
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Rita ChantreBolos caseiros e salgados nunca faltam no Oxe Coffee

Há ainda salgados, como coxinha de frango, e o bolo do dia (3,70€, a fatia) que sai sempre das mãos de Beatriz. Bolo de milho e bolo de mandioca são presenças fixas, enquanto os sabores chocolate ou laranja vão variando. O bolo mole é a imagem de marca da casa. Tem a textura de um pudim e derrete-se na boca. “É muito comum no Ceará.”

Para acompanhar, temos de espreitar as bebidas. "Se achegue, meu povo, que o café tá quentinho – aqui o sabor tem prosa, rima e raiz do sertão!", pode ler-se logo no início do menu que faz lembrar um pequeno livro de cordel repleto de ilustrações (uma ideia desenvolvida por um amigo de ambas). Vamos a isso então: há espresso (1,30€), para quem não gosta de fugir ao tradicional, mas este tem um twist. “Trabalhamos actualmente com um café brasileiro de perfil mais exótico, com notas de frutos vermelhos e chocolate”, descreve Beatriz. O grão é importado de Minas Gerais, mas torrado em Portugal.

Oxe Coffee
Rita ChantreNa Oxe Coffee trabalham com café brasileiro
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Rita ChantreFrio ou quente, no Oxe Coffee nunca falta café

Nos cafés de filtro – como batch brew (3,50€) e V60 (4,50€) – o perfil pode variar bastante, devido às diversas origens (Etiópia, Ruanda e Colômbia). “São cafés que costumam trazer características mais delicadas e frutadas, e é justamente essa diversidade de aromas e sabores que gostamos de explorar através dos diferentes métodos de preparação.”

No capítulo dos iced coffees, há muito por onde escolher: iced americano (3€), iced caramel latte (4,40€), iced matcha latte (4,70€) e iced mocha (4,40€), entre outros. Quem preferir, pode optar por leite de aveia (0,50€).

Os sumos naturais dividem-se entre laranja (3,30€), maçã (3,30€), o trio laranja, cenoura e maçã (3,50€) e a limonada caseira. Para ir mesmo às tradições brasileiras, nunca falta o guaraná (2,30€).

Oxe Coffee
Rita ChantreAs referências ao nordeste brasileiro são muitas no Oxe Coffee. Abrir um café em Fortaleza é um sonho das donas

Futuramente, Karen e Beatriz gostaria de ter a própria marca de café e, a longo prazo, há outro sonho para realizar: abrir mais um Oxe Coffee, mas do outro lado do mar, em Fortaleza. “Se fosse há cinco anos, tenho a certeza de que não funcionaria. Mas hoje já há mais conhecimento e interesse no café de especialidade.”

Calçada da Tapada, 87 (Alcântara). Terça a Sexta 09.00-17.00, Sábado e Domingo 09.00-16.30

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