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Há sempre lugar para mais um. Depois de ter fechado na Graça e feito uma pausa de dois anos, o Pop The Wine reabriu num novo bairro – por sinal, onde bares de vinhos é coisa que não falta.

Luís Catela não é novo nestas andanças. Começou a trabalhar com vinhos naturais em 2019, quando praticamente ainda não se ouvia falar em baixas intervenções. Não tinha bar, só caixas onde colocava dois ou três vinhos, na tentativa de ir ao encontro das preferências dos fregueses. O serviço de subscrição de vinhos correu bem, cresceu com os confinamentos e, no final de 2021, Luís abriu um bar chamado Pop The Wine, na zona da Graça. O espaço fechou em 2024, o dono mudou-se para a Alemanha, mas voltou para reavivar o projecto.
"Decidimos voltar. Aluguei este espaço quando ainda estava lá, nem sabia que havia tanta coisa aqui. Foi meio uma surpresa", assinala. O bar é bem maior do que o antecessor. Depois de várias mesas, bancos, cadeiras e candeeiros, chegamos ao balcão, onde Luís é, invariavelmente, a cara que recebe cada cliente. À esquerda, a grande montra de rótulos. Fala-nos em cerca de 65 referências, mas já a caminho das 80 com os vinhos que estão por vir. São vinhos naturais e maioritariamente portugueses, embora haja também rótulos franceses, alemães e italianos. São todos servidos a copo e o preço é fixo – 7€.
Num bairro onde abundam os bares de vinhos – provavelmente a maior concentração destes bares por metro quadrado em toda a cidade de Lisboa –, Luís não sente a pressão da concorrência. "Vai ser sempre mais um conceito de pertença, ou seja, aquele bar que é o teu sítio de conforto, onde eu já sei o que é que as pessoas querem e o que vão achar interessante. Há pessoas que já começo a conhecer, para quem já consigo escolher um vinho específico. As pessoas vêm porque já é um sítio familiar, mas é um conceito que demora algum tempo a criar, porque depois de as pessoas virem têm de voltar. Neste momento, estou nesse processo", explica o proprietário.
Com mais espaço, Luís recuperou uma tradição do antigo bar. Depois de uma open call a artistas plásticos emergentes, cinco deles expõem o seu trabalho nestas paredes. O Pop The Wine é, por isso, uma pequena galeria. As peças estão à venda e o objectivo é renovar a montra de novos talentos de seis em seis meses.
A lista de snacks não se alonga. O pão é feito em casa e acompanhado com queijo, anchovas ou com um simples azeite, um produto que Luís quer trazer para as prateleiras do bar, à semelhança do primeiro vinho do Porto orgânico da carta, que também já inclui dois vermutes.
Nem tudo gira em torno de garrafas. Os jogos de tabuleiro também já começam a formar o seu público, sobretudo o xadrez que está a ter um ressurgimento em contexto boémio um pouco por toda a cidade. Também há livros e a promessa de que a biblioteca vínica vai aumentar no futuro.
Sem caixas com vinhos surpresa, Luís retomou as provas. Acontecem por marcação, para grupos até 20 pessoas – 30€ por pessoa. A proposta é, durante duas horas, provar seis vinhos diferentes. No final, talvez encarar uma partida de xadrez seja demasiado ambicioso.
Rua Maria Andrade, 34 (Anjos). Seg-Sáb 15.00-23.00
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