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Destruído por um incêndio, Matuta pede ajuda para voltar à vida na Penha de França

Eduarda Meireles lançou uma campanha de angariação de fundos para recuperar o seu boteco mineiro. O espaço foi consumido pelo fogo e são precisos 16 mil euros.

Hugo Torres
Escrito por
Hugo Torres
Director-adjunto, Time Out Portugal
Eduarda Meireles, Matuta
Rita Chantre | Eduarda Meireles
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O pequeno Matuta, ponto de encontro na Penha de França para café, pão de queijo e muita conversa, foi consumido pelo fogo na passada sexta-feira, 22 de Maio. “O incêndio destruiu mais de 80%” do espaço, segundo a proprietária, a brasileira Eduarda Meireles, que lançou uma campanha de angariação de fundos para reerguer o projecto: precisa de 16 mil euros.

“Hoje a gente teve um susto daqueles que a gente nunca esquece. Um incêndio tomou a Matuta, e por falha no atendimento dos bombeiros, o que poderia ter sido controlado virou uma perda enorme: estoque, equipamentos, estrutura. O que foi construído com tanto cuidado e tanto amor, destruído em horas”, lê-se na página criada no GoFundMe.

O título da campanha é, no entanto, de quem não está disposto a baixar os braços: “A Matuta pegou fogo. Mas a Matuta não vai acabar”. A comunidade que se criou à volta deste projecto também não está pronta para o deixar desaparecer. Logo no sábado, houve um evento de angariação de fundos na Penhasco Arte Cooperativa. E no GoFundMe registaram-se mais de 300 doações em quatro dias, num total de quase 12 mil euros.

Falta um quarto do objectivo para atingir o valor necessário. Antecipando a pergunta óbvia numa situação destas, Eduarda escreve na campanha de angariação de fundos: “A Matuta tem seguro. Mas seguro tem tempo, e tempo é o que a Matuta não pode perder agora. Ela é uma empreendedora imigrante que vive do movimento de cada dia, de cada cliente, de cada abraço servido em forma de prato. Sem esse fôlego agora, o risco real é não conseguir segurar até o seguro resolver. É por isso que a gente vem, com cuidado, pedir uma ajuda. Com humildade e com fé de que a comunidade que a Matuta criou com tanto carinho vai aparecer. Qualquer valor conta. Não existe pouco quando vem com afecto.”

O Matuta – o espaço, o café, o boteco, embora Eduarda, brasileira de Minas Gerais, se refira sempre a ele no feminino, como se fosse ela própria – abriu portas em Julho de 2025, depois de cinco anos a desenvolver o negócio exclusivamente através das redes sociais. Nessa primeira fase, era conhecida pelos bolos, que no novo espaço físico passou a vender à fatia. Mas a estrela da casa é desde então o pão de queijo, para comer simples ou recheado com pernil, linguiça, frango, cogumelos, com doce de leite ou goiabada.

Rua Actor Vale, 15B (Penha de França). Encerrado temporariamente

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