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Babel Bloom
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Do Japão para Lisboa, estas flores trazem arte e sentimentos

A arte japonesa dos arranjos florais, conhecida como ikebana, inspirou Sara a seguir uma nova vocação. Assim nasceu a Babel Bloom.

Escrito por
Mauro Gonçalves
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Aos 34 anos, Sara Oliveira diz-se "apaixonada por várias coisas". Desenhadora projectista de formação, a escrita e os argumentos cinematográficos acabaram por falar mais alto. A pandemia, no entanto, apanhou-a longe de casa. O refúgio foram as flores. "Estava em Toronto há quatro anos, bem lançada no mercado como screenwriter. Foi muito difícil, especialmente porque estava longe de casa, num país frio e sem os meus amigos. No fundo, estava a tentar lidar com o meu dia-a-dia, à procura de alguma coisa que não sabia bem o que era", recorda em conversa com a Time Out. 

Babel Bloom
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Comprar flores e tê-las em casa nunca foi um hábito, mas a necessidade de ter uma ocupação que a realizasse levou-a a deitar as mãos aos primeiros arranjos. "Quando comecei foi como meditação", continua. Mais do que meras composições florais (só por si exercícios de criação e liberdade, segundo explica), Sara interessou-se por algo mais profundo, o ikebana. "Resumindo, ensina-nos que as flores são uma demonstração de sentimentos e criatividade".

A harmonia de cores e formas esconde simbolismos — referências a elementos da natureza e emoções expressas através das flores. O estudo, cada vez mais aprofundado, levou-a a conhecer designers florais de todo o mundo. Com eles, e ainda no Canadá, começou a perspectivar uma carreira. "Nunca tinha pensado nisso como uma forma de expressão e se calhar não estou assim tão longe do que realmente gosto, até porque gosto essencialmente de criar. E as flores ajudam-me a estar focada e a controlar a minha ansiedade". 

Babel Bloom
DRSara Oliveira, a mentora da Babel Bloom

Natural do Porto, acabou por regressar e fixar-se em Lisboa. Depois de umas quantas leituras e de um curso na Madrid Flower School (e identificado um espaço por preencher no mercado nacional) criou o Babel Bloom, um atelier de arte floral onde os primeiros arranjos começaram a espreitar no início do último Verão. "São um reflexo da minha criatividade, embora tente sempre pôr um bocadinho da pessoa em cada arranjo". Na bibliografia traz a britânica Constance Spry, uma das pioneiras na abordagem à arte floral da Europa.

Da mestra e da sua vasta obra absorveu inspiração, mas também técnicas. A começar pelo uso de chicken wire (ou rede de galinheiro), que começou a ser usada por Spry ainda na primeira metade do século XX, em substituição da poluente esponja na base dos arranjos. Todos os detalhes contam, incluindo o vaso. Para Sara, texturas e linhas minimais são favoritos e é preciso manter debaixo de olho o trabalho de jovens criativos na área da cerâmica.

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Por enquanto, a Babel Bloom funciona com encomendas e entregas (os ramos começam nos 40€, os arranjos em vasos são a partir de 58€), mas Sara já planeia a abertura de um espaço onde possa receber clientes. Dentro de três semanas está de partida para Toronto, a mesma cidade onde deu os primeiros passos graças ao empurrão de Casey Marques Pereira, amiga e co-fundadora do Mitsu, um atelier de floral styling. Mas Sara não vai para ficar — o objectivo é participar numa masterclass de flores para casamentos. O bilhete de regresso está garantido e a continuidade do novo negócio também.

"Esta é a minha derradeira paixão, juntamente com a escrita. Estou a escrever um filme há quatro anos, precisava de mais do que estar à frente de um computador. A escrita é muito solitária e quando comecei a trabalhar com as flores foi para meter ali um bocadinho da minha alma, mas sempre para alguém. Por isso sim, é um projecto para continuar".

Encomendas através de info@babelbloom.com e do Instagram.

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