A Time Out na sua caixa de entrada

Procurar
E Se...?
© Marvel Studios 2021

‘E Se…’ o Universo Cinematográfico da Marvel fosse uma animação?

E agora algo completamente diferente. A nova série do Disney+ mostra o que teria sido do Universo Cinematográfico da Marvel se os filmes tivessem tido outros desfechos.

Escrito por
Luís Filipe Rodrigues
Publicidade

Roy Thomas já tinha sido o director editorial da Marvel, sucedendo a Stan Lee, mas abandonara o cargo para voltar a fazer o que gostava: escrever e editar histórias aos quadradinhos. Ainda assim, continuava a sentir falta de algo. De uma certa sensação de que qualquer coisa podia acontecer, característica dos livros que cresceu a ler e a escrever. Sentia que a continuidade e a coesão narrativa do Universo Marvel eram uma prisão. A antologia ilustrada What If? foi uma maneira de se libertar, de contar as histórias que queria sem se preocupar com o que estava a acontecer ou tinha acontecido nos outros comics. E Se…?, a primeira série animada dos Marvel Studios, em estreia no Disney+, quer trazer essa mesma liberdade para o Universo Cinematográfico da Marvel.

Na primeira edição de What If?, publicada em 1977, Roy Thomas perguntava: “E se o Homem-Aranha se tivesse juntado ao Quarteto Fantástico?” A história remetia para The Amazing Spider-Man #1, de 1963, o primeiro comic protagonizado pelo herói aracnídeo, que se tinha estreado nas páginas da antologia Amazing Fantasy e naquele número se cruzava com o Quarteto Fantástico, então a mais popular equipa de super-heróis da Marvel. No primeiro episódio de E Se…?, que se estreia agora no Disney+, a pergunta é outra: “E se Peggy Carter tivesse tomado o soro do Capitão América?” O ponto de divergência, aqui, é Capitão América: O Primeiro Vingador, realizado por Joe Johnston em 2011.

Apesar deste episódio ter pouco a ver com a BD, o espírito e a estrutura são os mesmos. Por um lado, é revisitado um momento fulcral da história do actual Universo Cinematográfico da Marvel, tal como no primeiro número da banda desenhada se retrocedia até um dos momentos mais marcantes do Universo Marvel da década de 1960. Por outro, a narrativa é mais comprimida. Ou seja, tal como os comics de What If? revisitavam histórias que tinham sido contadas ao longo de vários números em apenas uma fracção das páginas, também os 30 minutos do primeiro episódio são apenas uma fracção da duração de um filme da Marvel ou de uma das outras séries de super-heróis do Disney+, como WandaVision ou Loki, que se espraiam por largas horas e pelo menos meia dúzia de episódios.

Outra semelhança é a presença de Uatu, o Vigia (Jeffrey Wright), que nos livros era um narrador omnisciente, e é a cola que liga os três primeiros episódios mostrados à imprensa. Os temas e os super-heróis retratados mudam de capítulo para capítulo, mas ele está sempre lá. E não é a única voz conhecida. Muitos dos protagonistas dos filmes voltam a dar voz aos seus personagens. Excepcionalmente, Tony Stark, Steve Rogers e outros heróis da série não têm as vozes de Robert Downey Jr. ou Chris Evans. Mas ouvimos Michael Douglas (Hank Pym), Samuel L. Jackson (Nick Fury), Tom Hiddleston (Loki), Josh Brolin (Thanos) e outros actores, incluindo o falecido Chadwick Boseman, o Pantera Negra dos filmes, que empresta a voz ao Star-Lord dos Guardiões da Galáxia. Parece estranho, mas é só um spoiler: o segundo episódio retrata um mundo em que T'Challa, o Pantera Negra, foi raptado por alienígenas e se tornou o Star-Lord em vez de Peter Quill (Chris Pratt).

Não obstante o talento dos actores envolvidos e o investimento feito, E Se…? fica aquém de outras séries do Disney+. É mais adulta e a qualidade dos argumentos encontra-se alguns furos acima das restantes séries animadas da Marvel disponíveis no serviço de streaming, mas a animação é rígida e pouco dinâmica, e a escrita não tem a ambição de WandaVision, de Loki, nem sequer de O Falcão e O Soldado do Inverno – também não chega aos calcanhares dos icónicos desenhos animados dos X-Men dos idos de 1990, que a Disney portuguesa teima em não juntar ao catálogo. Está bem que os episódios se vêem num instante, mas estão longe de ser essenciais. No entanto, quem quiser muito ver uma série da Marvel enquanto não se estreia Hawkeye tem aqui com o que se entreter.

Disney+. Qua (estreia).

+ As melhores séries no Disney+

+ Oito séries para ver em Agosto

Últimas notícias

    Publicidade