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Entre duas fatias de pão cabe tudo o que a imaginação quiser – e o Mori quer sabores e texturas orientais

Intitula-se como um sando~wich bar porque as sanduíches são feitas com o típico pão japonês. Em Alvalade, o novo espaço do grupo Capricciosa é rápido e descontraído.

Andreia Costa
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Andreia Costa
Mori
DR | Mori
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O toldo em azul cobalto chama logo a atenção. Depois, o olhar fica preso nas mesas da esplanada, feitas com caixas de plástico no mesmo tom (geralmente usadas para transportar legumes, alimentos ou utensílios) empilhadas. E no interior, somos engolidos por um mural assinado por Henriette Arcelin, autora das obras que preenchem as paredes de outros espaços do grupo Capricciosa, como o Selllva ou o Jângal. Sobre um fundo azul, hipnotizante, estão plantas japonesas, carpas e lanternas.

Na árvore genealógica do grupo Capricciosa, que inclui restaurantes como a Doca de Santo, o Lat.a, o Sophia ou a Capricciosa, o membro mais novo é este descendente do Selllva (que existe perto do Marquês de Pombal e na Lx Factory), que se posiciona como cozinha saudável e do mundo. “Aqui temos uma adição clara a essa marca. Mori significa floresta em japonês”, explica Mafalda Zurarte Reis, responsável de marketing e comunicação do grupo Capricciosa. 

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DRA esplanada do Mori tem lugar para oito pessoas em mesas feitas de caixas azuis empilhadas

Estamos a falar do Mori, um sando~wich bar (o ~ é propositado e pretende tornar-se tão reconhecível quanto os três “L” do Selllva, que simulam as garras de um animal) onde se servem, ora adivinhe, sanduíches. Sando é uma típica sanduíche japonesa e é a ponte para o Oriente, seguindo a linha de cozinhas do mundo. 

A moda das sandes

O grupo Capricciosa está em expansão e este é mais um passo nesse sentido, seguindo as tendências globais. “Não somos reféns disso, mas estamos atentos”, continua Mafalda. Uma vez por ano, a equipa de operações e a direcção viajam para fazer pesquisa. Visitam diferentes cidades, estudam conceitos, provam ingredientes e combinações diferentes. No início de 2026, o destino foi Londres, onde perceberam que se comprovava uma tendência que já tinham identificado: as sanduíches. “Cada vez mais pessoas fazem refeições walk & go, encomendam para casa e a própria hora de almoço já não é tão óbvia. Além disso, toda a gente gosta de sandes, basta começar pela mais típica portuguesa, que é o prego.” 

Mori
DRMori

A base, uma sandes, é ocidental, embora o pão seja shokupan, típico do Japão. “É geralmente a base de uma katsu sando. É feito com fécula de batata, tem uma fermentação mais leve, mas ao mesmo tempo tem estrutura”, explica o chef Rodrigo Delgado, responsável pelo menu do Mori. O recheio também vai buscar referências orientais, como miso e sriracha. 

Mas enquanto os ingredientes ganham o seu lugar entre as duas fatias, fazemos uma paragem técnica nas entradas (ou first bites). Há três opções: os nori nuggets (5,90€), nuggets de frango com molho mori e nori em pó; brie bites back (6,50€), cubos de brie panados com geleia de abacaxi e malagueta; e o furi shrimp (5,90€), camarão panado com maionese de sriracha fumada. É difícil escolher apenas um, todos são crocantes e muito diferentes. Para quem gosta do sabor vincado de especiarias, a primeira escolha não falha; os amantes de agridoce podem ficar com a segunda; e quem gosta de um toquezinho picante, tem sempre o camarão.

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DRNo Mori, antes das sandes há first bites crocantes

Os sandos são quatro. O tokyo chicken parm (11,50€) tem peito de frango crocante com maionese de miso, alface romana, e pickles de pepino. A cada camada, uma surpresa: ora crocante, ora cremoso. O smash-i-moto (11,50€) é um smash burger duplo, com compota de cebola, queijo cheddar derretido, bacon e molho especial. O nasu crush (9,90€) é veggie e tem beringela panada e frita, compota de cebola, maionese de sriracha fumada, alface romana e pickles. Se não gosta de beringela, pense de novo – talvez aqui mude de ideias. O pão de todos é ligeiramente tostado e crocante. 

Mori
DRA tokyo chicken parm do Mori

Por último, o hot tuna (10,90€) tem atum numa marinada picante, alface romana, nira cortada em fatias, maionese de miso, salada de ovo e nori em pó. O pão apresenta-se longo, como se estivesse à espera de receber um cachorro-quente. Porém, o inquilino que lá pára é bem mais fresco e surpreendente. 

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DRO hot tuna do Mori

Todos os sandos podem ser pedidos em formato menu, que acrescenta batatas fritas e uma bebida por um valor extra. Se a bebida for alcoólica, como saké, acresce mais 1€.

Para celíacos ou para quem, por qualquer outro motivo, não quer comer pão, o espaço garante que “no sando/no drama [sem sando/sem drama]”. Ou seja, o pão pode saltar fora de todas as equações pelo mesmo valor. É sempre possível juntar extras, como batatas fritas (3€) ou salada de coleslaw (3,50€). 

Alvalade, o bairro certo 

A carta é propositadamente pequena, mas consegue juntar opções completamente diferentes – e haverá sempre novidades, graças às edições especiais ou a um sando do mês. Numa carta condensada, houve muitas coisas a ter em conta. “Não queríamos algo extremamente nipónico”, explica o chef Rodrigo Delgado. 

O conceito do Mori é urbano e descontraído e isso nota-se no espaço com toques industriais e mesas altas. Alvalade revelou-se a localização ideal por ter vida de bairro. “Há muita gente que trabalha aqui, há muita gente que vive aqui, há escolas, há empresas, há pessoas a passear. Portanto, há vida a toda a hora”, enumera Mafalda.

Por outro lado, o espaço que encontraram tinha exactamente a dimensão que procuravam. Com apenas oito lugares no interior e mais oito lá fora, a ideia é privilegiar a rapidez e o take out. Esta é assumidamente a primeira localização de um conceito que o grupo quer repetir pela cidade fora. 

Mori
DRA sobremesa do Mori: snickersan

Sobremesa há só uma, a snickersan (11,50€) e mais nenhuma. Se o nome faz lembrar um Snickers, o sabor também. Mousse de doce de leite, nougat de amendoim e caramelo salgado sucedem-se em camadas cremosas que nos remetem para os sabores da infância. “Foi fruto de muitos testes, tinha de ser algo consensual”, revela o chef. Há igualmente a possibilidade de haver uma sobremesa do mês, para que existam sempre novidades.

Um opening pouco soft

As ideias começaram a fervilhar em Janeiro e levaram o seu tempo para se apresentarem aos clientes no ponto ideal. Rodrigo Delgado mudou-se do Brasil para Portugal há sete anos, aliciado pelo convite de um professor. Há cerca de cinco juntou-se ao grupo Capricciosa, tendo passado pelo Doca de Santo e pelo Jângal antes de assumir a gestão operacional de alguns restaurantes. Cada espaço pede uma criatividade diferente, mas sempre a mesma disciplina.

Mori
DRO chef do Mori, Rodrigo Delgado

No novo membro da família essa regra é ainda mais essencial. “O nosso foco é o produto, não há desculpa para apresentarmos algo ao cliente que não esteja perfeito. Eu quero servir aqui a melhor sanduíche de frango, o melhor smash burger, temos feito muitos ajustes para que isso aconteça”, garante o chef.

A abertura do Mori devia ter sido discreta. Não houve grandes alaridos nem anúncios, mas num bairro onde há sempre alguém a passar, as notícias propagam-se rapidamente de boca em boca. “Abrimos as portas a 16 de Setembro e as pessoas começaram por parar e ficar a olhar. Depois foram entrando e, depois, voltando. Tem sido tudo muito orgânico”, conta Rodrigo Delgado. Em caso de dúvida, o ponto de encontro é no toldo azul.

Rua Marquesa de Alorna 27C (Alvalade). Seg-Dom 12.00-23.00

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