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Depois do ramen, o chef Honda abriu um restaurante de okonomiyaki. Mas há mais iguarias – e a preços bem acessíveis. Agora, diz-nos, planeia ter um sítio de robatayaki, espécie de churrasco japonês.

Há alguns anos que conhecemos Rajesh Jwarchan ou, como é mais conhecido, o chef Honda. Natural do Nepal, cresceu a ver a mãe cozinhar no restaurante dos pais. “Cozinhar está na minha genética. Ninguém me explicou nada. Vi a minha mãe cozinhar e comecei a cozinhar sozinho. Um dia cozinhei para a minha mãe e ela perguntou-me ‘como é que sabes fazer isto?’ e eu disse ‘aprendi contigo’”, recorda o chef. Já depois da universidade, mudou-se, em 2005, para o Japão, onde viveu durante dez anos. Passou por vários restaurantes e cozinhou de tudo: do ramen ao sushi. Veio depois para Portugal, onde quer “dar a provar novos sabores” inspirados na gastronomia nipónica. No Martim Moniz tem o Hachiko Ramen by Honda; em Picoas abriu, no início do ano, o Okonomiyaki by Honda; e agora planeia aventurar-se no robatayaki (método, semelhante ao churrasco, em que os alimentos são cozinhados numa grelha tradicional japonesa a carvão).
“O robatayaki – com o marisco e o sal – é muito famoso no Japão. Quero dar a prová-lo às pessoas em Portugal que nunca estiveram no Japão. E quero fazê-lo num izakaya, um sítio pequeno. Não vai ser para bebés”, brinca o chef Honda. “Vai ser para estar a beber uma cerveja ou um cocktail, a comer marisco e aproveitar o serão com os amigos. Não há arroz ou assim. É só robatayaki: peixe grelhado e bebidas”, diz, adiantando que está à procura de um espaço e conta abri-lo ainda este ano ou no próximo.
Mas voltemos ao que nos traz ao chef Honda desta vez: o okonomiyaki. A “panqueca” salgada japonesa – sobre a qual escrevemos há relativamente pouco tempo, quando visitámos a Maruoko em Belém – é a principal iguaria do novo restaurante do nepalês, que abriu no final de Janeiro. “Ramen era o meu sonho, então comecei com ramen. Mas muitos clientes perguntavam-me porque é que não fazia okonomiyaki. A minha mulher também me perguntava a mesma coisa. E, na verdade, este restaurante acabou por ser um presente para o meu filho, que nasceu no dia 24 de Dezembro”, conta.
A televisão passa videoclipes de músicas japonesas, e as paredes estão revestidas de desenhos de manga, a banda desenhada de que o chef Honda confessa apreciar bastante. O espaço é reduzido, senta cerca de 12 pessoas. Mas chega. “Se for um restaurante grande, é preciso mais mão de obra. Perdemos muito tempo e não conseguimos servir boa comida em simultâneo. Se for um sítio pequeno, as pessoas vêm, comem e vão, e a seguir chegam outras que comem e vão. É mais fácil para mim, consigo servir comida de boa qualidade”, considera. E, afinal, o que importa realmente é a comida.
“Muitos japoneses vêm aqui e dizem que este é um dos melhores okonomiyakis que já comeram na Europa”, partilha Honda. A “panqueca japonesa”, que leva ingredientes como carne, ovo, rebentos de feijão e couve, é típica de Hiroshima e Osaka. A forma como é confeccionada e os ingredientes que leva diferem entre as duas cidades. Enquanto a de Hiroshima leva noodles, a de Osaka não – essa é uma das maiores diferenças.
Ambas estão disponíveis no restaurante do chef. A primeira existe numa versão vegetariana e é finalizada com maionese e molho doce à base de soja; a segunda pode levar frango ou carne de porco, e é finalizada com os mesmos molhos e lascas de atum seco. A primeira chega à mesa com sopa miso e um rolinho primavera (12,99€), a segunda vem também com um rolinho primavera e pickles de nabo (12,99€, por mais 1€ dá para acrescentar noodles).
O resto da ementa foi pensada na mesma lógica: combinados, que incluem um prato principal e dois ou três acompanhamentos, a preços acessíveis (custam todos 12,99€). “É um preço normal. Eu não gosto de ter muito dinheiro. Só quero fazer as pessoas felizes, dar trabalho e um bom salário às três pessoas que trabalham aqui. Eu estou feliz, os clientes também, e o que eu quero é crescer devagar em Portugal”, elucida. “Alguns clientes diziam-me que era muito barato, mas eu estou satisfeito com este preço. Se ganhar um euro por prato, fico feliz. E assim os clientes podem pagar qualquer um dos pratos. Se forem a um restaurante caro, não têm o dinheiro para pagar a comida, mas a qualidade e o sabor são os mesmos”, ilustra o chef.
Além do okonomiyaki, há yakiniku (um tipo de barbecue japonês) de carne de vaca ou porco preto, que inclui arroz, sopa miso, takoyaki (bolas fritas recheadas com polvo) ou rolinho primavera, pickle de ovo ou de nabo. O prato de frango karage também traz arroz, sopa miso, um rolinho e pickle de nabo. Há ainda caril udon com carne de vaca; caril katsu de carne de porco, frango ou camarão; katsu de porco ou frango; peixe branco panado; frango teriyaki; yaki udon, com noodles salteados e legumes; ou ebidon, porco ou frango frito sobre arroz. Os acompanhamentos vão variando.
Para beber, há uma pequena lista de vinhos verdes, tintos, brancos ou rosés, sangria, whiskey japonês, sake ou Atsukan (sake quente), e cerveja japonesa Asahi.
Rua Gomes Freire, 223 (Picoas). Seg-Sáb 12.00-15.00 e 18.00-23.00
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