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Hiroki Marumoto veio de Hiroshima e abriu uma rulote de okonomiyaki em Belém

Maruoko é o nome da foodtruck que o japonês abriu em Novembro do ano passado. A única coisa que lá serve é o prato típico japonês que parece uma panqueca e leva noodles, carne de porco, ovo e vegetais.

Beatriz Magalhães
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Beatriz Magalhães
Jornalista
Maruoko
Rita Chantre | Hiroki Marumoto, proprietário da Maruoko
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Se conhece Hiroki Marumoto, provavelmente deve-se a algum vídeo que apareceu no seu feed do TikTok (ou, para aqueles que ainda se recusam a instalar a rede social, num reel do Instagram). Talvez o nome não lhe esteja a dizer nada, mas Hiroki Marumoto é quem está por detrás da Maruoko, em Belém. A sua especialidade é a okonomiyaki de Hiroshima, uma espécie de panqueca japonesa em que os ingredientes – noodles, carne de porco ou ovo –, estão dispostos em camadas. 

Foi depois de um rapaz publicar um vídeo sobre ter ido à Maruoko que as filas da rulote se tornaram quase intermináveis. “Foi uma loucura”, resume Hiroki Marumoto, partilhando que prefere os dias mais calmos. O proprietário trabalha sozinho: é ele quem compra os ingredientes, cozinha e limpa. Daí também que a rulote abra apenas de quarta a sexta-feira, das 12.00 às 16.00 ou até a comida acabar, e aos sábados apenas com reservas. “Muitas pessoas vêm aos fins-de-semana. É uma loucura! A fila vai até à esquadra da polícia [do outro lado da estrada], então decidi ter reservas ao sábado. Costumo informar as pessoas através dos stories, no Instagram, mas elas podem mandar mensagem para o número de Whatsapp que está no Google para reservar”, explica.

O japonês mudou-se há um ano de Hiroshima para Lisboa. Já tinha estado em Portugal duas vezes, em 2024. “Quando vim pela primeira vez adorei o clima. E as pessoas são mais amigáveis do que no Japão. Lá somos simpáticos, mas também somos um pouco mais tímidos. Além disso, senti-me seguro”, conta. Antes de vir para cá, trabalhava na indústria ecletrónica, na área da certificação de segurança, e à conta da IA acabou por despedir-se para, mais tarde, abrir o seu negócio.

Maruoko
Rita Chantre
Maruoko
Rita Chantre

“Senti que a IA ia eventualmente substituir o meu trabalho, então quis encontrar algo que a IA não conseguisse fazer”, diz. “Tenho muitos amigos estrangeiros que vivem no Japão e, quando vivia lá, gostava de fazer festas em casa e cozinhava comida japonesa para eles. Costumava fazer okonomiyaki ao estilo de Hiroshima e era aquilo de que eles mais gostavam. 

Primeiro, começou por cozinhar em pop-ups pela cidade. Só em Novembro de 2025 abriu a rulote Maruoko, que está estacionada em frente a um dos jardins da zona de Belém. À venda, há apenas a “panqueca japonesa”, feita da maneira tradicional. “A okonomiyaki tem duas formas de ser cozinhada: ao estilo de Hiroshima e ao estilo de Osaka. A de Osaka é mais conhecida, mas a de Hiroshima é a original e é mais saborosa”, explica o cozinheiro.

Maruoko
Rita Chantre

É colocada na chapa a massa, à qual se seguem lascas de atum-bonito, couve, rebentos de feijão, pedaços de tempura, noodles, carne de porco e ovo. Como os ingredientes estão sobrepostos em camadas e não misturados, a textura e o sabor tornam-se mais complexos. No final, é colocado o molho, bem doce, feito à base de soja. Por cima, e dependendo do gosto de cada um, também se pode pôr maionese ou molho picante, que estão dispostos na única mesa da esplanada. Ou então toppings, como queijo, cebolinho ou carne extra. A okonomiyaki tradicional pequena custa 9€ e a normal 13,50€, a vegetariana (que não leva lascas de atum-bonito e carne de porco) custa 8€ e 12,50€.

Maruoko
Rita ChantreOkonomiyaki tradicional

Apesar de sempre ter gostado de cozinhar, e por essa razão ter começado o negócio, este não é um trabalho fácil, confessa Hiroki Marumoto. “É mais barato do que ter um restaurante, mas não é um bom modelo de negócio. Quando o tempo está mau, não há clientes”, afirma, mencionando que escolheu este sítio porque é dos poucos em Lisboa onde há foodtrucks.

Agora, falta saber se Hiroki permanecerá em Belém, porque, na verdade, a sua licença expira no final de Abril. “Não sei ainda se vou ter de me mudar para outro sítio. Eu gosto deste bairro, por isso quero ficar aqui”, diz. Se a mudança acontecer, eventualmente o proprietário vai anunciá-lo nas redes sociais. Até lá, é em Belém que o vai encontrar. Mas, se quiser ir a um sábado, não se esqueça de reservar. Hiroki agradece.   

Rua Vieira Portuense, 1 (Belém). Qua-Sex 12.00-16.00 (ou até a comida acabar) e Sáb apenas com reserva

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