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Há uma casa de “comida saloia” no Parque das Nações. O chef é o minhoto Vítor Miranda

O Biclaque, que nasceu há dez anos em Ribeira de Pena, tem como missão apresentar pratos da cozinha tradicional portuguesa, entre eles o arroz de polvo ou o cabrito estufado. Mas há outras propostas, como tártaro de beterraba.

Beatriz Magalhães
Escrito por
Beatriz Magalhães
Jornalista
Biclaque X
Rita Chantre | Chef Vítor Miranda
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Em 2016 o Biclaque Origens abriu no Pena Park Hotel, em Ribeira de Pena. Foi lá que foram desenvolvidos os três produtos que se tornaram parte da identidade do restaurante: a alheira de rabo de boi e cogumelos, o presunto de pato curado em citrinos e a bola de gelado frito de doce de ovos. Mas não é apenas em Ribeira de Pena que os vai encontrar, porque desde 2022 o Biclaque tem vindo a expandir-se pelo resto do país. Primeiro, abriu em Chaves, perto da Ponte de Trajano, e mais recentemente, em Lisboa, no Parque das Nações. Daqui a dois anos, espera-se que venha a abrir um quarto espaço na Foz do Porto, focado em peixe. Na cozinha está Vítor Miranda, que quer mostrar o que de melhor o receituário tradicional português tem para dar

Apesar dos três restaurantes fazerem parte do mesmo grupo, a experiência que se vive em cada um deles é diferente. Enquanto o Biclaque Origens é focado na comida de conforto, o Biclaque Trajano trabalha sobretudo peixe e carne no carvão. O Biclaque X, inaugurado em Setembro de 2025, na Avenida Dom João II, aproxima-se da proposta do primeiro espaço ao apresentar “comida saloia, boa comida com estrutura e sabor”, descreve o chef de Viana do Castelo Vítor Miranda, que está à frente do projecto desde 2017. 

Dar a provar pratos reconfortantes, em que sobressaem os sabores típicos da gastronomia portuguesa, é mais do que uma vontade para o chef. “Temos esse papel. Os restaurantes e as pessoas mais jovens que abrirem ou estiverem à frente de restaurantes têm o propósito de recuperar e não deixar morrer a cozinha portuguesa”, acredita, mencionando que essa “preocupação” está na base do Biclaque.

Biclaque X
Rita Chantre

A resposta tem sido positiva, especialmente à hora de almoço, sendo que o restaurante abre de segunda a sexta-feira. “Desde Setembro, tenho reparado que estamos sempre cheios ao almoço. Existe sempre procura pelas sugestões que temos para essa hora. Há clientes recorrentes que querem esta comida de conforto”, nota. “As pessoas procuram uma simples sopa de cebola ou sopa de tomate com ovo escalfado. Já servimos mão de vaca estufada com grão, que achámos que não ia sair muito e foi o contrário. Há procura pela cabidela, que não é tão procurada no Norte – talvez porque as pessoas comem mais em casa. As pessoas querem pratos que lhes são familiares, tradicionais e nossos.”

A primeira coisa a chegar à mesa é o couvert (5€). O pão de massa-mãe, a tapenade de azeitonas e cogumelos e o azeite de Trás-os-Montes são servidos em pequenas peças de cerâmica artesanais, feitas pela Barro Alto. Seguem-se as entradas: ostras do Sado (3€ a unidade), da produtora Célia Rodrigues; tártaro de beterraba com queijo de cabra, avelã e coco (11€); presunto de pato curado acompanhado de tosta de azeite (14€); e, a verdadeira estrela, o estendal de alheira de rabo de boi e cogumelos (15€), ambos produzidos exclusivamente para o Biclaque por uma pequena produtora do Norte, a “dona Helena”. O estendal traz bola de carne a acompanhar.

Biclaque X
Rita ChantrePão de massa-mãe, azeitonas, tapenade de azeitona e azeite de Trás-os-Montes
Biclaque X
Rita CHantreEstendal de alheira de rabo de boi e cogumelos

Para Vítor Miranda, dar palco a produtores locais e nacionais é importante. Os queijos são da Ortodoxo, as carnes chegam de Cabeceiras de Basto, e os pickles, por exemplo, são cultivados em Cerva, Trás-os-Montes, na horta do Pena Farm, projecto de agricultura sustentável desenvolvido pelo Pena Park Hotel e pela equipa do restaurante. Para divulgar o trabalho dos parceiros e produtores com quem trabalham, a carta é apresentada em formato de jornal, incluindo textos sobre o Biclaque e estes projectos.

Pratos como pica-pau (18€), salada de polvo (17€) e língua de vaca (17€) também figuram nas entradas. Nos principais, existe bife de alcatra com presunto e mostarda (27€) que, tal como as restantes propostas de carne, pode vir acompanhado de arroz (4€), batatas bravas (4€), salada (5€) ou migas de enchidos e grelos (6€). Há também secretos de porco (19€), coelho frito (21€) e cabrito estufado, que já inclui migas (27€).

Biclaque X
Rita ChantrePresunto de pato curado em citrinos
Biclaque X
Rita ChantreArroz de polvo no forno

Na secção dos peixes, o vencedor é o arroz de polvo no forno (26€). “No caso deste prato há o reaproveitamento do polvo e do caldo. A cozinha que estamos a praticar aqui vai ao encontro dessa óptica de reaproveitar tudo”, explica o chef. O lombo de bacalhau frito coberto com malha folhada com cebolada, camarão e puré de batata (52€ para duas pessoas) é um clássico, além da massada de peixe e camarão (32€). O menu de almoço diário (19€) é diferente todos os dias e inclui entrada, prato principal, sobremesa e bebida.

O gelado artesanal frito de doce de ovos com canela (8€) é o final de refeição ideal para quem gosta de sobremesas bem doces, mas não fica atrás a tigelada com creme mascarpone e doce de ovos (9€). Conte ainda com pudim de amendoim e bolo de trigo sarraceno, espuma de pipoca e toffee de caramelo e avelã (ambos 8€).

Biclaque X
Rita ChantreBife de alcatra com migas de enchidos e grelos

Nos vinhos, a selecção é maioritariamente nacional. “Temos vinhos de Trás-os-Montes e algumas referências do país inteiro. Ainda estamos na fase de pesquisa de produtores que tenham a mesma filosofia que nós. Não queremos produtores com uma produção enorme, queremos produtores que tenham uma preocupação pelo território e a responsabilidade social muito presente”, afirma Vítor Miranda. Destaque para as referências da Joaquim Arnaud, Quinta de Arcossó, Quinta de Santa Cristina e Quinta do Poldrado, com a qual o restaurante desenvolveu o tinto Biclaque Origens Grande Reserva de 2021.

Biclaque X
Rita ChantreGelado frito de doce de ovos com canela

Avenida Dom João II, 25A (Parque das Nações). Seg-Sex 12.00-22.00

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