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‘Hawkeye’ é um conto de Natal

‘Hawkeye – Gavião Arqueiro’ estreia-se esta semana no Disney+ e vai acompanhar-nos ao longo da quadra natalícia. Falámos com o realizador Rhys Thomas.

Luís Filipe Rodrigues
Editor
Televisão, Séries, Aventura, Crime, Hawkeye (2021)
©DRJeremy Renner e Hailee Steinfeld em Hawkeye
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Apesar de ter sido criado em 1964 e de se ter juntado aos Vingadores um ano mais tarde, Hawkeye (o Gavião Arqueiro, em português) sempre foi um personagem secundário. Teve direito a uma minissérie de quatro edições nos 80s, outra nos 90s, e nos anos zero protagonizou a sua própria série de banda desenhada, cancelada ao fim de oito números por falta de interesse. Mas a sua sorte começou a mudar em 2012. Primeiro, a sua participação nos Vingadores de Joss Whedon elevou o seu mediatismo. E uns meses mais tarde, Matt Fraction e David Aja começaram a esculpir a sua personalidade nas páginas de mais uma banda desenhada homónima, uma das melhores que a Marvel publicou nos últimos anos. Esses livros inspiraram Hawkeye – Gavião Arqueiro, a nova série da Disney+.

Hawkeye foi um dos livros mais populares e elogiados da Marvel entre 2012 e 2015, muito graças ao seu argumentista. Enquanto as minisséries e a série anterior mostravam o Gavião Arqueiro como um super-herói, como um Vingador, Fraction decidiu fazer o contrário, mostrar a vida de Clint Barton, um pobre diabo a viver num prédio prestes a ser gentrificado, a organizar churrascos com os vizinhos, a salvar cães vadios, a ensinar o pouco que sabia à sua sucessora, Kate Bishop (que partilha com ele a identidade de Hawkeye), a lidar com a surdez e a enfrentar criminosos mais e menos ridículos, como a máfia do fato de treino. Durante três anos e 23 revistas (incluindo a edição anual de 2013), quase todas ilustradas com mestria por David Aja, não se fizeram muitos comics melhores.

Rhys Thomas, um dos realizadores e produtores executivos, parece partilhar desta ideia. “Adoro essa banda desenhada. O Matt Fraction fez um excelente trabalho a mostrar o quão absurda era a vida do Hawkeye fora dos Vingadores. Isso foi uma referência para a série”, admite o realizador galês. Mais conhecido pelo seu trabalho em Saturday Night Live e outras comédias, estreia-se agora a realizar uma série de super-heróis. Quando lhe perguntamos sobre esta transição, desvia a conversa: “Para mim o que importa são os personagens e as histórias. E gosto muito do Clint.” Tal como nos comics, a relação entre Barton (Jeremy Renner, a trabalhar há dez anos no Universo Cinematográfico da Marvel ou UCM) e a jovem Kate Bishop (a actriz e cantora Hailee Steinfeld, perfeita para o papel) é um elemento fulcral da narrativa. A surdez do protagonista é referida, e Lucky, o cão que come pizzas, também se estreia no pequeno ecrã, juntamente com a máfia do fato de treino.

Mas os comics são apenas um ponto de partida. O UCM é muito diferente do universo retratado nos painéis da BD, pelo que este Clint é um pai de família, a tentar lidar com os traumas e os erros cometidos nos filmes que vieram antes. Um desses erros foi assumir a identidade de Ronin e começar a matar criminosos indiscriminadamente em Vingadores: Endgame, depois de Thanos fazer desaparecer a sua família. Quando vê alguém envergar as suas vestes negras, tenta perceber quem é o novo vigilante, e é assim que conhece Kate, uma miúda que tinha vestido o fato meio por acaso, mas vivia fascinada pelo arqueiro e seguia os seus passos desde que ele a salvou durante a batalha contra os Chitauri, no primeiro filme dos Vingadores.

O primeiro episódio termina com eles a conhecerem-se. E o segundo mostra Clint a tentar lidar com o legado do Ronin para, ao mesmo tempo, proteger Kate. Isto enquanto luta contra o relógio, para passar o Natal com a família (Hawkeye não vai ser exibido apenas durante a época natalícia, é uma série de Natal à moda de Assalto ao Arranha-Céus). A Disney+ só mostrou à imprensa os dois primeiros episódios, que se estreiam na quarta-feira, e não é claro o rumo que a série vai tomar, mas sabe-se que Florence Pugh (Viúva Negra) vai voltar a desempenhar o papel de Yelena Belova e tentar vingar-se de Clint. E que Tony Dalton, o aspirante a padrasto de Kate, é Jack Duquesne, conhecido nos comics como o Espadachim e o mentor do protagonista. Além disso, Alaqua Cox vai estrear-se no UCM como Maya Lopez, ou Echo, antes de aparecer na sua própria série. Ainda tentamos saber algo sobre a produção de Echo, mas não temos sorte. “A Marvel preza tanto os seus segredos que eu estou tão a par dos seus planos para o futuro como vocês”, garante o realizador. “Só penso no meu trabalho, na série que estou a fazer.”

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