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O Mex Factory fechou e o tex-mex ficou para trás. O ringue de luta ainda lá está, mas tudo o resto é para descobrir nesta viagem às raízes do México.

A culpa foi do bebé novo. Quando o Barouk, restaurante de comida libanesa, abriu no final de 2024 na LX Factory, fez com que os responsáveis começassem a repensar a estratégia do Mex Factory – o primeiro espaço do grupo, a funcionar na porta ao lado desde 2017. “É aquela coisa chata de termos dois espaços e de inevitavelmente fazermos comparações. ‘O bebé novo é perfeito, o bebé novo é que está bem, o bebé novo não tem erros.’ O caminho do Mex Factory já andava aqui a remoer e isso não ajudou”, recorda Luís Roquette, um dos proprietários, à Time Out.
A resposta foi arrojada: o Mex Factory fechou e deu lugar ao La Ruda, que se apresenta como uma cantina mexicana desde o final de Março. Podíamos chamar-lhe rebranding, mas a verdade é que a quantidade de novidades na carta e no espaço fazem com que o La Ruda seja um restaurante novo por mérito próprio. “Sempre quisemos fazer parte dos melhores mexicanos da cidade, mas a inclusão do nosso nome nas listas era muito volátil por estarmos tão agarrados ao tex-mex. É um risco, porque em equipa que ganha não se mexe, mas quisemos arriscar.”
Os sócios e o chef André Brandão foram a Nova Iorque, ao México e a Madrid para provar, investigar e abrir horizontes gastronómicos. “Vimos tudo o que havia para ver e chegámos ao que está aqui hoje.” Do antigo menu ficaram nove propostas – porque alguns bestsellers não podiam simplesmente ir para o lixo. O couvert (4,50€) mantém-se com milho grelhado, maionese de chipotle, requeijão, pimentão fumado e coentros, aos quais se juntam salsa taquera, salsa verde e totopos. As salsas são novas (a taquera ligeiramente picante) e nos próximos meses deverão dar lugar ao pico de gallo (tomate, cebola, pimento jalapenõ e coentros picados), mais fresco.
Nas entradas (ou las botanas), o guacamole (7€) mudou o empratamento, mas a receita é a mesma. A quantidade é generosa, perfeita para duas ou três pessoas partilharem, e os totopos crocantes. Não se assuste com a malagueta reluzente, é puramente decorativa. A tostada de atún (8€) também era um clássico e ganhou agora uma companheira, a tostada de robalo (9€). A primeira tem atum braseado, maionese de chipotle, abacate e alho francês frito em tortilhas de milho; a segunda junta ceviche de robalo, maracujá, abacate, cebola roxa e coentros em tortilha de milho.
A quesadilla al pastor (9€, três unidades) é uma novidade e apresenta-se como uma tortilha de milho recheada com cachaço de porco "al pastor", queijo fundido, cebola roxa e coentros. “É uma cópia daqueles tacos number one que há em Nova Iorque. É estranho estar a dizer que vou fugir ao tex-mex enquanto vou buscar uma coisa americana, mas eles têm sabores mexicanos autênticos.”
Aos 33 anos, Luís Roquette tem a noção de que escolheu uma área que não lhe dá descanso, mas não se imagina a fazer outra coisa. Filho de um hoteleiro, viveu em Moçambique e no Brasil e passou muitos verões a trabalhar em hotéis. “Levava malas, fazia coisas desse género. Depois estive na Polónia a trabalhar num restaurante de hotel que servia menus de pequeno-almoço, era uma coisa muito física, mas eu adorava aquilo.”
De regresso a Portugal, decidiu que queria dar um passo maior, tinha então 24 anos. “Nunca fui muito bom académico, sabia que queria ter um projecto meu, mas não queria fazê-lo sozinho.” Juntou-se a dois amigos e abriu o Mex Factory. “Na altura, havia na Lx Factory uma energia diferente de tudo o resto na cidade, era o Texas. Entrava-se com os carros, estacionava-se em qualquer sítio, se quisesses chegavas ali [aponta para uma parede no exterior] com um martelo e colocavas uma placa”, recorda.
Desses tempos restam as memórias – agora há uma data de regras que todos os estabelecimentos do complexo têm de cumprir – e muitos clientes fiéis. Com esses, o La Ruda tem um compromisso. “Já temos tantas mudanças que não quisemos mexer nos preços. Queremos que as pessoas continuem a voltar.”
Os tacos chegam aos pares e têm sempre tortilhas de milho (de fornecedores mexicanos) como cama. Luís deixa uma dica: “Se forem duas pessoas, o ideal é escolherem três tacos e assim partilham e têm variedade”. Os de costilla de cerdo (9€) trazem costela de porco assada, molho BBQ, abacaxi guajillo, pickles de pepino, cebola roxa e coentros. Dá vibes de tex-mex devido ao molho, mas é uma aposta segura. “Antigamente tinha um osso que o cliente retirava.” O osso foi à vida e a batalha agora é manter a suculência da carne. Para já, está ganha. O rib eye (9,50€) tem rib eye laminado e grelhado na chapa, com "salsa roja", "salsa macha" e "salsa verde" de abacate e coentros. “Congelamos a carne e vai à salamandra para conseguirmos fatias muito finas.”
Em qualquer uma das opções a carne é saborosa e vem em grande quantidade, tal como os recheios. Em alternativa, há camarón al chipotle (9,50€), com camarão em chipotle adobado, salsa verde de abacate, alface, abacaxi, pickle de cebola roxa e coentros. Esta é a proposta mais picante do menu, ficam avisados – as restantes, devidamente identificadas, são bastante toleráveis.
Nos clássicos, o pernil pibil (29,50€) é um prato de partilha, com um valor mais elevado. Tem pernil assado, servido com guacamole, pico de gallo, pickle de cebola roxa e coentros e tortilhas de milho quentes. “Recomendamos para duas pessoas, mas percebemos que dá para quase três. Se houver fome, pede-se uma sobremesa. Se não houver, paga-se pouco.”
Nas sobremesas, mantêm-se a tarte três leches (6€), bolo de chocolate com creme de três leites e espuma de amendoim; e a tarte de queso (6€), com queijo creme com raspas de lima. Tiveram ambas ligeiras alterações nas receitas. Os churros (6€), um sucesso desde o primeiro dia, mantêm-se iguais. São quatro unidades crocantes por fora e fofas por dentro, envolvidas numa capa de açúcar e canela e com doce de leite a acompanhar.
A carta de bebidas foi reduzida. “Cada vez acho mais que não faz sentido uma lista enorme, as pessoas querem uma carta directa. Para nós há menos desperdício e os ingredientes também se tornam melhores”, garante Luís.
Nos cocktails há o simples mezcalita (9,50€), com mezcal e lima, ou o qué chingon (8,50€), com rum, triple sec, canela, sumos de lima, de abacaxi e maracujá. As margaritas podem ser de lima, manga, maracujá ou morango (8,50€ cada), há sangrias, vinhos, mojitos e cervejas, mas também opções sem álcool. O mocktail de goiaba (5€), por exemplo, junta sumo de goiaba, sumo de lima e xarope de manjericão; o sumo detox (4€) tem laranja, cenoura e gengibre.
O projecto do La Ruda – que significa mulher forte – foi criado pelo Studio Autoctone (responsável, por exemplo, pelas Padarias do Beco) para uma imagem mais clean. Saíram as caveiras e as cores carregadas do Mex Factory, entraram as mesas de terracota feitas à mão – o logotipo inspira-se nos tijolos que estão nas paredes. O preto do tecto passou a branco, tornando o espaço muito mais luminoso e amplo. Do ringue que tinham no centro do restaurante é que não quiseram abdicar, mas reduziram-no e mudaram as cores. Continua a ter espaço para uma mesa cheia de clientes. No interior há 55 lugares e a esplanada enquadrada pela arte urbana de Pedro Peixe aumentou, tendo agora espaço para 45 pessoas.
O terraço, ao qual se acede através de uma escada exterior, do lado direito do restaurante, há muito que aguardava a sua vez. “Adquirimos aquele rooftop, deu-se a pandemia e o LX Factory deu-nos espaço para uma esplanada enorme ao fim-de-semana, mas o espaço lá em cima ficou pendurado. Agora tomámos a decisão de investir nele.” Serão mais 35 lugares, incluindo duas mesas redondas para cinco ou seis pessoas, e o apoio de um bar. As obras estão a terminar e abertura está prevista para as próximas semanas.
Há DJ de quinta a sábado (a música começa pelas 17.00), o que está mesmo a pedir jantares de grupo, para os quais há menus especiais, claro. O que custa 37,50€ tem couvert, três opções de las botanas, um taco (com duas unidades) à escolha, churros para sobremesa e bar aberto de cerveja, sangria, vinho e refrigerantes. O segundo (a 55€ por pessoa) inclui couvert, cinco sugestões do separador de las botanas, um taco ou clássico à escolha, três sugestões de sobremesa e bar aberto de tudo. Dos tacos ao mezcal, só não sai daqui com uma lição intensiva em gastronomia mexicana quem não quiser.
Lx Factory, Rua Rodrigues de Faria, 103 (Alcântara). Dom-Qui 12.00-00, Sex-Sáb 12.00-01.00
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