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Não é a bebida mais popular por estas bandas, mas estes três amigos juntaram-se para mudar isso. Em Santos, abriram a Vermuteria Nacional, um espaço informal com 20 referências de vermute.

Com esplanada voltada para o Jardim de Santos, paredes meias com o Cinearte, sala que alberga a companhia de teatro A Barraca, a Vermuteria Nacional abriu no final de Setembro. O nome não deixa espaço para dúvidas. Estamos numa casa dedicada ao vermute, essa bebida fermentada, que tem como base vinho fortificado e uma selecção de frutos e botânicos. Entre eles, tem de estar obrigatoriamente a artemísia, a mesma planta que está na origem do absinto.
Tradicionalmente produzida em Itália, França e Espanha, a bebida e o seu consumo nunca chegaram a ser um hábito português. Depois de anos a viver fora do país, João Maria Carvalho voltou com uma ideia bem definida. Juntamente com dois sócios e começando por este bairro de tradição boémia, quer trazer o vermute para cima da mesa. "Ficámos boquiabertos com o facto de não haver uma vermuteria, sendo que o nosso país vizinho é o rei dos vermutes hoje em dia", exclama.
"Em Portugal, o vermute tem má publicidade – ou má fama. É algo que se junta a outras espirituosas para fazer um cocktail, não é uma bebida de destaque. Nós também não temos nenhum bom vermute para beber sozinho em Portugal que seja vendido em massa. A nossa ideia com a Vermuteria Nacional é trabalhar ao máximo com vermutes portugueses e impulsionar uma tradição que sempre existiu, mas que se perdeu", completa.
Pouco mais de um mês após a abertura, a Vermuteria Nacional tem como base uma lista de 20 referências – cinco delas são portuguesas (de regiões como a Madeira, o Douro e o Minho), as restantes são espanholas, italianas e francesas. São servidas ao copo e os preços variam entre 3,50€ e 9€. Os cocktails (5,50€-10€), por sua vez, são receitas da casa, feitos com vermutes nacionais. Quem não partilhar do gosto pelo vermute tem bom remédio: há uma curta selecção de vinhos biológicos (5€-25€) e cerveja da Musa (3€-6€).
E se as bebidas surgem listadas numa parede branca de azulejos, os petiscos e pratos estão num rolo de papel pardo que desce do tecto. Praticamente metade do menu é para comer com as mãos – um crocante de camarão com maionese de coentros (12€), croquetes de cogumelos (8€), uma tosta de anchovas e pimentos (8,50€), labneh (7,50€) ou uma beringela recheada com feta e manjericão (7€), entre outros. Existe uma secção de conservas, todas a 10€, e uma selecção de quatro pratos mais robustos, onde se inclui o bacalhau com broa (13€), a açorda de camarão (14€), o pica-pau de novilho (14€) e o prego em bolo lêvedo (9,50€).
Comida essencialmente tradicional num ambiente descontraído que quer reavivar as velhas colectividades de bairro. Para isso, o espaço foi mobilado com peças em segunda mão, algumas de cafés e restaurantes que fecharam portas, mas acima de tudo com objectos nostálgicos – incluindo uma clássica mesa de mármore com um tabuleiro de xadrez incorporado. "Queremos ser um lugar do bairro, tal como eram os clubes recreativos e os snack bars dos anos 70, 80. Aliás, muito do nosso design é baseado nisso, numa casa que é para todos e que serve coisas de qualidade", adiciona João Maria.
E talvez o bairro de que fala esteja em transformação. O primeiro mês já permitiu aos três sócios identificar dois fluxos de clientes – o de estrangeiros, que aparecem mais cedo, e o de portugueses, tardios por natureza. "Quando chegámos, tínhamos um bocado de medo de Santos estar amaldiçoado, no sentido em que é uma zona conhecida por ter muitos bares generalistas, miúdos, barulho, por ser uma zona suja. Mas como estive fora muitos anos, quebrei completamente essa rotina. Cheguei aqui e vi o potencial disto, o jardim todo arranjado, expats a viver aqui à volta, há hotéis, boutiques giras. O nosso projecto faz todo o sentido aqui", remata.
No que depender deste negócio, o vermute vai mesmo ganhar terreno na cidade. Já se prepara a entrada de novas referências na carta – de um pequeno produtor inglês e um outro de Amsterdão. A expansão faz parte do plano, mas antes disso vêm as parcerias. No dia 27 de Novembro, a Vermuteria Nacional toma conta da Musa de Marvila com um alinhamento de DJs. Durante uma noite, num lugar onde habitualmente só corre cerveja, vai beber-se vermute.
Largo de Santos, 3A (Santos). Qua-Qui 17.00-00.00, Sex-Sáb 17.00-02.00, Dom 13.00-21.00
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