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Lisboa vai ter uma nova rede de transportes no Tejo

rede cais do tejo
©DR

É o próximo grande projecto para a cidade: uma rede de transportes fluviais, com transportes públicos e privados, que será acompanhada da instalação e reabilitação de diversos pontos de acostagem de embarcações.

Lisboa sempre teve uma relação especial com o Tejo, mas o chavão da mobilidade ainda não tinha sido explorado no rio que banha a cidade e que há 500 anos a embalou para se tornar na capital mundial da expansão marítima. 

Por proposta da vereadora Teresa Leal Coelho (PSD), a Câmara Municipal de Lisboa assinou nesta quarta-feira, na Gare Marítima de Alcântara, um protocolo de cooperação com a Associação de Turismo de Lisboa (ATL) para o estudo e desenvolvimento da Rede Cais do Tejo. Um projecto que navega entre transporte de passageiros e passeios turísticos e que prevê a “instalação, reabilitação e utilização progressiva de pontos e cais de acostagem para uma mobilidade mais alargada no rio”. Esta rede será complementar à operação dos transportes públicos da Transtejo e estará disponível para todos os operadores privados interessados em embarcar nesta ideia.

Numa primeira fase a rede abrange cinco municípios (Lisboa, Almada, Seixal, Barreiro e Montijo) com a criação de 13 pontos de acostagem ao longo do estuário. Em cada localização haverá estruturas de “geometria variável”, dependendo dos diferentes tipos de embarcação e de negócio, como táxis-barco ou barcos tradicionais. O centro nevrálgico será junto ao Terreiro do Paço, no novo Cais de Lisboa (Estação Sul e Sueste) e os quatro cais principais ficarão localizados em Belém, Parque das Nações, Montijo e Cacilhas. A estes juntar-se-á um projecto especial para o Cais da Matinha, integrado no projecto de reconversão da zona e mais sete cais complementares: Cais do Gás, Alcântara, Ginjal, Trafaria, Porto Brandão, Seixal e Barreiro.

A Rede Cais do Tejo será implantada de forma faseada, entre a criação de novas infra-estruturas e adaptação das já existentes e no futuro outros concelhos poderão juntar-se à rede, como é o caso dos concelhos de Oeiras, Loures, Alcochete, Moita e Vila Franca de Xira. “Todos nós queremos que o Tejo seja uma via estruturante para a cidade de Lisboa e não só”, disse Teresa Leal Coelho durante a apresentação do projecto, uma ideia que integrava o seu programa de candidatura à Câmara Municipal de Lisboa nas últimas eleições autárquicas e que espera que seja posta em marcha no próximo Verão. A vereadora avançou que a Uber já mostrou disponibilidade em fazer parte da futura rede, em moldes ainda por definir, e que as operações dos transportes colectivos poderão adoptar “outros horários e outros circuitos”. Teresa Leal Coelho sublinhou que a aposta será feita em “transportes amigos do ambiente”, que também poderão ajudar a desentupir “as vias rodoviárias que estão muitas vezes congestionadas".

O director geral da ATL, Vítor Costa, acrescentou que esta rede não irá competir com a rede de transportes públicos e que haverá uma gestão integrada com preços competitivos para os futuros operadores, o que se poderá traduzir em preços em conta para os utilizadores. Fernando Medina também tomou da palavra para dizer que este é “um projecto que se insere numa linha da autarquia de aproximação da cidade ao rio e a sua devolução às pessoas”, fazendo referência ao conjunto de intervenções no espaço público nas zonas ribeirinhas do Braço de Prata, da Matinha, do Campo das Cebolas, do Cais do Sodré ou da Doca da Marinha. A Rede Cais do Tejo será financiada com as receitas turísticas do município e há a possibilidade de, num futuro muito próximo, ser possível a abertura de um “canal ao longo da Margem Norte”, que faça o transporte de passageiros entre Belém e o Parque das Nações.

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