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Alex Couto
©Melissa Vieira Alex Couto no Jardim da Estrela

Livro de Alex Couto dá tau tau na Nova Lisboa

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A renda de Alex Couto aumentou 500€, vai daí, escreveu um livro. Descubra esta nova Nova Lisboa.

Alex é copywriter numa agência lisboeta. Veio de Setúbal para Lisboa há uma década para estudar e nunca mais se foi embora. Há um ano teve de sair, mas da casa que arrendava no bairro da Lapa: a senhoria aumentou a renda em 500€, porque assim a sua filha podia cumprir o sonho de ser escritora. Curiosamente o mesmo sonho de Alex, que se adiantou no marcador e lançou o livro Nova Lisboa, uma edição de autor com a chancela Arrábida Saudita, colectivo que criou com alguns amigos. Na capa, uma ilustração de Fernando Medina a levar tau tau de Madonna. “Eu estou particularmente revoltado. O meu primeiro voto aqui em Lisboa foi para as autárquicas e foi no Medina”, diz, sublinhando que isso lhe abre espaço para publicar uma representação do autarca em posição tão desfavorável.

É um livro sobre a sua experiência de gentrificação, mas também uma espécie de guia sobre esta “nova Lisboa”, expressão popularizada por Dino D’Santiago. “O Dino fez um som positivo. A Nova Lisboa dele é soalheira e a minha é dark. A dele ser tão positiva dá-me alguma legitimidade para fazer a minha, que é meter o dedo na ferida”, explica. Começou a escrever inspirado na revolta com a sua senhoria (a quem dedica o livro), mas pelo caminho foi-se informando acerca do património da cidade e do que já fizeram com ela, de Lisboa: o que o turista deve ver (1925), de Fernando Pessoa, ao filme Crónica Anedótica (1930), de Leitão de Barros. E apercebeu-se que é tudo um ciclo. “Pelos vistos há uma nova Lisboa a cada xis anos. Falei só da minha perspectiva e da minha pesquisa.” E com algum sarcasmo à mistura, “para conquistar os leitores através do sentido de humor”. A capa, diz, vai ajudando: “Acho que os primeiros 150 que vendi foi sem qualquer mérito do texto. Foi só porque as pessoas viam uma cena cor-de-rosa com uma coisa do Ricardo Passaporte” [o artista que fez a ilustração da capa].

Mas Alex Couto – que se assume como um “gajo do bairro social, com a família historicamente de esquerda, mas que se deixou embrenhar pelo capitalismo” – também se considera o que chama de “falso tropa”. “Estou perfeitamente integrado nesta cidade, mesmo quando ela me tentou expulsar. Adoro comida asiática, gosto da hipótese de termos coisas mais holísticas e saudáveis, há uma preocupação maior com o bem-estar. Parece importado de L.A. à bruta para ficar bem no Instagram? Sim, parece. Mas gostei das tostas de abacate que comi, gostei da tosta de salmão da Fauna e Flora, gostei daqueles sumos 100% fruta que vendiam no Local, lá em Santos”, diz.

O que o indigna é que isso venha associado a um “gap cada vez maior entre ricos e pobres. Todas estas rendas que vão escalando acabam por ser um acentuar grande da desigualdade”, lamenta. Agora a morar em Algés, diagnostica algumas dores de crescimento. “Lisboa sempre se fez de pessoas que vieram para tentar uma vida melhor”, diz Alex, dando o seu próprio exemplo: “Eu vim para aqui para fugir do meu bairro social e da criminalidade.” O que também lhe vai servindo de inspiração. Na calha está um romance que está a escrever há cinco anos. “É sobre um conjunto de rapazes de um bairro social que vende ganzas e que decide triunfar através do sistema empreendedor. Ser incubado, ter um mentoring e conseguir competir no Websummit”, desvenda este defensor da legalização da canábis. Promete.

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