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Rita Chantre | Piena
Rita Chantre

Estas livrarias em Lisboa dão-lhe mais que fazer

Têm livros, mas também comes e bebes ou clubes do livro. São as mais completas livrarias em Lisboa.

Raquel Dias da Silva
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Nem só de livros vivem estes espaços culturais em Lisboa. Há também lanches e cartas de vinhos. Outro género de literatura, portanto. São mais de uma dúzia de livrarias, onde uma visita significa muito mais do que virar umas páginas e ler meia dúzia de prefácios na diagonal. A programação, quase sempre de entrada livre, conta também com exposições de arte, conversas, lançamentos, clubes de livros e até maratonas de leitura. Já para não falar do café da praxe. Parta então à descoberta destas livrarias em Lisboa que têm mais coisas para fazer – para além de abastecer as estantes, claro.

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Estas livrarias em Lisboa dão-lhe mais que fazer

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Primeiro, Elisa Sartor e Sara Cappai, duas italianas residentes na capital, abriram a Piena – libri persone visioni, uma pequena livraria independente em Arroios, só com livros em italiano. Três anos depois, mudaram-se para a zona do Campo dos Mártires da Pátria, para um espaço maior, com dois pisos, café, eventos que vão desde tandems linguísticos a leituras de poesia, e autores italianos traduzidos em português. "Somos uma livraria italiana, mas não generalista. Temos muita atenção em relação aos temas que aqui trazemos", explica Sara, editora e revisora, nomeando assuntos da actualidade, como a causa palestiniana, as migrações ou o transfeminismo. No primeiro piso, está a secção infanto-juvenil, com mesas e um espaço acolhedor para crianças, onde se realizam sessões de leitura.

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Há mais de 600 milhões de anos, Gondwana era um supercontinente que reunia a maior parte das zonas de terra firme do hemisfério Sul. Agora, é uma livraria no Campo Pequeno. A ideia é de David Gough e Walter DeMirci, que partiram da imagem de uma geografia única para criar um espaço dedicado a autores oriundos desse lado do globo, onde a língua mais falada é o português e há vários laureados com o Prémio Nobel da Literatura. Mas, atenção: não há secções nem uma organização evidente. Misturam-se autores vivos e mortos, géneros literários e temáticas. Além dos livros, há uma zona de cafetaria ao fundo, que inclui uma modesta esplanada num quintal. Servem café e vinhos, e ainda organizam eventos. Para não perder nada, é estar atento ao Instagram.

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Abrandar, pensar a relação entre texto e imagem, arriscar como quando somos pequeninos, viver o bairro em família. É este o desafio lançado por Carolina Correia, a responsável pela Lumaca, uma livraria de bairro, perto do Jardim do Beau-Séjour, onde a ilustração é rainha e o catálogo se faz unicamente de álbuns ilustrados e novelas gráficas para todas as idades “Histórias que deixam rasto”, lê-se no toldo que anuncia que chegámos. O slogan é uma brincadeira com o próprio nome da livraria, que significa caracol em italiano. São apenas 23 metros quadrados e a maior parte dos livros são de pequenas editoras, como a Planeta Tangerina, a Orfeu Mini e a Pato Lógico. Há ainda uma zona de papelaria, serve-se café e bolinhos, e dinamiza-se agenda para famílias e crianças, como oficinas de colagem manual e horas do conto. É estar atento às páginas de Facebook e Instagram.

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Foi numa antiga loja de móveis portuguesa, perto do Campo Pequeno, que Giovanna Centeno e Samuel Miller abriram as portas da sua Good Company Books. Os livros foram, desde sempre, uma paixão e abrir uma livraria com um café já estava nos planos há alguns anos. Nas estantes, os livros são apenas em inglês, mas entre os vários títulos há uma grande aposta nos autores lusófonos. Na parte do café, há mesas para sentar e no menu, além de bebidas à base de café, há também vinhos portugueses e alguma pastelaria. A Good Company costuma ainda acolher eventos literários, como lançamentos de livros com sessões de perguntas e respostas com autores estrangeiros e portugueses, ou exibições de documentários. Há também espaço para encontros de clubes do livro, alguns da casa.

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Entrar na Well Read, livraria na Calçada de Sant’Ana, é um ataque aos sentidos. Não sabemos se devemos olhar primeiro para os livros – admirar o seu minucioso posicionamento nas estantes – ou apreciar a decoração e perceber como cada espaço é ocupado com um propósito. Aqui encontramos uma selecção eclética de livros, escritos em português ou inglês, que vão desde o nicho, como Basta Now. Women, Trans & Non-binary in Experimental Musicmas também fenómenos da cultura pop, como The Woman in Me, livro de memórias de Britney Spears. Mas não tem apenas música, também tem ficção contemporânea (com livros que poderiam ser encontrados em vídeos virais do TikTok), design, culinária, arquitectura ou zines dos mais variados temas. E não é só de livros que se faz a Well Read. O espaço inclui uma sala de convívio com café e dinamiza palestras, apresentações de livros e workshops.

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É seguidor devoto do BookTok? Gosta de ler livros em inglês? É swiftie? Então, preenche todos os requisitos para ser feliz na One More Chapter, livraria em Arroios que se dedica inteiramente a quatro géneros literários – o romance, o dark romance, o thriller e a fantasia. Além dos livros e das sagas que habitam as estantes, a livraria de Joana Pinto quer tornar-se um ponto de encontro, onde as pessoas podem conhecer-se e falar sobre os gostos em comum (Taylor Swift incluída). A programação, que decorre sempre na cave, inclui desde clubes do livro, festas de lançamento e maratonas de leitura até sessões de bedazzle de livros (tradução: decoração de livros com brilhantes).

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A autora e criativa Alex Holder estava a viver em Lisboa há anos quando resolveu abrir a livraria independente que nunca conseguiu encontrar e sempre quis ter na cidade. Na Salted Books, que entretanto Alex passou para as mãos da livreira Beni, as estantes só têm livros em inglês. A selecção é para todas as idades, cuidada, ecléctica e atenta ao pensamento contemporâneo, diverso e inclusivo. Há ainda programação cultural, desde festas literárias temáticas até conversas com autores estrangeiros. O espírito cultural londrino, nomeadamente no que diz respeito ao mercado literário, é o que Alex Holder queria recriar na Salted Books. A Morning Writer’s Hour, por exemplo, é – tal como o nome sugere – uma hora de manhã, neste caso pelas 07.30, para escrever.

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Quando abriu na LX Factory, a Ler Devagar era a única em Lisboa da sua espécie. Espaçosa, com livros por todo o lado, dois andares, um café e vestígios da maquinaria da antiga gráfica. As singularidades mantêm-se e continua a ser uma das melhores livrarias em Lisboa para se ter um bom tempo de leitura, dois dedos de conversa enquanto bebe um café e até, espante-se, para encontrar aquele disco ou aquele vinil de que andava à procura – a loja de discos Jazz Messengers juntou-se à livraria em 2020, com cerca de 4 mil títulos, que vão muito além do catálogo da Distrijazz. É caso para dizer que na Ler Devagar não há falta de oferta, nem para leitores nem para melómanos.

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Há livros ao desbarato logo à entrada, edições do mais rebuscado que já se viu, volumes em segunda mão e pequenas editoras à espera de serem descobertas. Mas há de facto mais qualquer coisa além dos livros nas prateleiras. Além da actividade livreira, a Tigre de Papel dispõe de um pequeno auditório e a programação regular, diversificada e de qualidade inclui ciclos temáticos, debates, visionamento de filmes, comunidade de leitores, actividades para crianças e lançamento de livros.

  • Cais do Sodré

Sim, é possível ler (e ir às compras) no Cais do Sodré. Aquela ideia de que a rua do pavimento cor-de-rosa é só barulho e copos caídos é para esquecer. Bom, pelo menos é esse o propósito da livraria-bar Menina e Moça, desejo antigo de Cristina Ovídio, ex-professora de Literatura Portuguesa, tradutora e editora. O tecto do espaço é obra do ilustrador João Fazenda e, além de uma porrada de livros (a colecção dá especial destaque à lusofonia e às traduções), há cocktails para vários gostos bem como refeições leves como tartes, folhados e quiches. Para não comer páginas se bater a fome.

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  • Areeiro/Alameda

Tem calçada portuguesa e isso é logo um ponto a favor. Emblemática livraria de bairro e uma das mais antigas da cidade (est. 1957), a Barata – que, na verdade, passou a ser gerida pela Fnac em Agosto de 2023, embora mantenha estatuto de “Loja com História” – não só tem livros, como serve café e organiza eventos culturais, desde exposições até lançamentos e tertúlias literárias. Melhor só o facto de permitir a entrada a cães, o que, esperamos, venha elevar o nível de literacia dos nossos amigos de quatro patas.

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É galeria, café e livraria, tudo ao mesmo tempo bem no coração da Madragoa. Sob o lema de que o desenho não tem fronteiras, é a esta arte que a Tinta nos Nervos se dedica. Na livraria, douram as prateleiras autores como Philipe Guston, Lorenzo Mattotti, Robert Crumb, Charles Burns, Bruno Munari, Hector de la Valle, Maria João Worm, Dinis Connefrey, Filipe Abranches, André Ruivo ou Ema Gaspar. Na galeria, as exposições vão rodando, sempre com a premissa de o artista ou artistas criarem um objecto em exclusivo para o espaço. Ao fundo, há um café com esplanada interior, onde além de chávenas de café da Flor da Selva e pão da Gleba, há espaço para ler e para participar nos workshops e conversas que vão aparecendo na agenda.

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  • Campo de Ourique

Está num dos bairros mais catitas de Lisboa, apinhado de miúdos. É em Campo de Ourique, pois claro. A Baobá abriu pelas mãos da Orfeu Negro, portanto pode contar com todo o catálogo da editora, além de outras como a Tcharam ou a Planeta Tangerina. Aqui, o principal foco está no encantado mundo dos livros ilustrados do universo infanto-juvenil. Todos os sábados, a livraria organiza sessões de histórias, oficinas ou exposições. O calendário de eventos está sempre cheio, só precisa de estar atento à página de Facebook.

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Se passa a vida a comprar livros, está na hora de aderir à economia circular, gastar menos e ser mais sustentável. Nesta discreta livraria especializada em títulos em inglês, com dois pisos, encontra obras usadas de autores de todos os cantos do espaço-tempo, desde os clássicos até à literatura infantil. Com alguma paciência, ainda encontra tesourinhos, como livros com bookplates autografadas. E, atenção, para preços ainda mais reduzidos, é só descer até à “sala dos descontos”. Além disso, a Bivar também serve como um mini-centro cultural para os falantes da língua de Shakespeare. Para não perder nenhum evento, é estar atento à página de Facebook. De vez em quando, também acontecem sessões de crochet e outros encontros originais.

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  • Princípe Real

“Os livros são objectos transcendentes”: é Caetano Veloso que canta, Rui Campos repete e faz do verso mote de negócio. Rui é o fundador da carioca Livraria da Travessa que se instalou no Príncipe Real. Este é o primeiro espaço fora do Brasil, que traz o mesmo conceito que por lá vinga há 44 anos – uma livraria de bairro com uma curadoria literária única e programação cultural a condizer. Para Lisboa trazem uma valente bagagem de Literatura, Fotografia, Arquitetura, Artes, Ciências Humanas ou Biografias, em que autores portugueses e brasileiros continuam a pesar nas escolhas editoriais. A Travessa tem ainda uma secção infantil e um pequeno cantinho com cadeiras para leituras miudinhas para os miúdos se entreterem enquanto os mais velhos se perdem noutros mares literários.

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Inaugurada a 31 de Outubro de 2023, a Casa do Comum - Centro Cultural do Bairro Alto não é bem uma livraria, mas – supondo que lá vai por causa dos livros – achámos que valia a pena incluir nesta lista de livrarias que lhe dão mais que fazer. Além de incluir livrarias (sim, no plural) e uma biblioteca, este projecto da Ler Devagar também conta com uma sala para projecções e concertos, um Museu da Preguiça (para ler na preguiça, se lhe apetecer), espaço para dançar e um bar. É também um sonho antigo de José Pinho, que fundou a Ler Devagar em 1999 e morreu em Maio de 2023. Pinho queria que existisse em Lisboa um lugar onde se pudesse viver o ócio, estar e criar juntos.

Arte e Cultura em Lisboa

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