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Maus Hábitos chega a Lisboa: à mesa e sem pista de dança

O portuense Maus Hábitos ganhou um novo poiso na capital. Fomos conhecer a versão lisboeta, sem pista, mas com pizzas, cocktails e uma programação cultural recheada.

Joana Moreira
Escrito por
Joana Moreira
Jornalista
Bar, Espaço Cultural, Maus Hábitos
©Mariana Valle LimaMaus Hábitos
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É difícil ficar indiferente às novas tiras coloridas que tapam uma porta, na Rua Fernandes Tomás, entre Santos e o Cais do Sodré. “As famosas cortinas do talho”, brinca Tiago Oliveira, um dos membros mais antigos da equipa Maus Hábitos e que está em Lisboa de passagem para abrir o novo espaço do grupo. A referência, para os clientes habituais do espaço nortenho, é evidente. Já na casa-mãe, no Porto, há tiras semelhantes à entrada.

A extensão do projecto cultural Maus Hábitos a Lisboa é oficializada agora, mas os primeiros passos já tinham sido dados. Desde Agosto que foram fazendo experiências em formato pop-up no terraço do Selina Secret Garden – e lá voltarão quando o tempo aquecer. O que muda agora? O espaço ganha uma área no interior do hotel, recebe nome próprio – Vícios à Mesa –, com porta para a rua, e abre-se ao público (até então era reservado a hóspedes).

“Sempre houve esta vontade de descentralizar, não propriamente geograficamente porque estamos a falar de Lisboa, que é o centro, mas de criar novas pontes, criar novos caminhos”, diz Guilherme Garrido, programador cultural que há muito trabalha com os Maus Hábitos, “uma casa que agregou e agrega uma série de pensadores e agitadores culturais”.

Aqui, o foco é a gastronomia (que já existia no Porto, com o restaurante Vícios de Mesa) e a coquetelaria de autor, aliada a uma agenda musical e artística com concertos e DJ Sets. Não existindo infraestrutura para concertos e espectáculos como no pólo portuense, a programação cultural e artística (com a curadoria da Saco Azul, a associação cultural do Maus Hábitos) em Lisboa será “sempre usufruída estando sentados numa mesa e não tendo 300 pessoas a olhar para um palco”, esclarece Guilherme. Ainda assim, haverá palco. “O Vícios terá os seus palcos. Não interessa se são de dois metros de altura ou de 20 cm, mas serão palcos que irão suportar uma espinha dorsal que é a programação cultural”, desvenda.

Neste mês de estreia, a rúbrica Sons à Mesa trará um concerto da dupla Venga Venga, quarta-feira, 19, às 22.00. Dia 26, à mesma hora, a noite será de Osso Vaidoso, o projecto de Ana Deus e Alexandre Soares. Haverá também DJ sets ao fim da tarde – Nuno Rabino, Trafulhice, DJ Dingo, Death Disco Disaster, Paolo Dionisi e Radio Safari, para nomear alguns.

Pizzas e cocktails
Os planos nocturnos contrastam com o ambiente do dia no Vícios à Mesa: música tranquila a embalar os que trabalham de olhos postos nos respectivos ecrãs portáteis, parando apenas para petiscar. O espaço está aberto das 08.00 às 23.00. “A nossa ideia é vender pizzas e cocktails”, explica Tiago Oliveira, sobre o cardápio que replica a uma menor escala o da casa-mãe. No menu há dez pizzas – como a picante Marlon Brando ou a vegetariana Madonna –, mais três calzones e duas saladas, mas também opções de prato do dia, e outras soluções de pequeno-almoço e lanche. A carta de cocktails é igual à do Porto. “O chef de bar, o criador dos cocktails, Diego Lomba, veio cá dar formação a toda a equipa para garantir precisamente que a qualidade dos cocktails é a mesma”, garante Tiago.

Por enquanto, o menu está apenas em inglês, para servir os hóspedes do hotel. Em breve, haverá também uma versão em português. Tânia Nóbrega, gerente do espaço em Lisboa, admite que o objectivo maior é mesmo “agarrar os nómadas digitais”, quem está na capital em trabalho remoto, mas também a comunidade local, lembrando que o espaço já existe há quatro anos e tem passado despercebido pelos lisboetas.

Rua Fernandes Tomás, 64 (Cais do Sodré). Seg-Dom 08.00-23.00.

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