Se há prato reconfortante na gastronomia portuguesa, é o frango de churrasco. Valor seguro do receituário nacional, iguaria democrática, prato consensual, o belo do frango assado ganhou fama juntamente com os estabelecimentos que o servem, muitas vezes, em exclusivo para fora. As churrasqueiras são, regra geral, entidades de bairro, não pela sofisticação do atendimento ou pelo brilhantismo do design de interiores, mas porque é do esforço e da perícia dos mestres da grelha que resulta a satisfação da clientela. É por isso que o sucesso de uma churrasqueira está sempre dependente da qualidade do seu frango assado, tente ela o que mais tentar.
Quando entramos numa churrasqueira muito moderna como a Casa do Frango, no Parque das Nações, a expectativa não muda. Por muitas alternativas que a ementa ofereça, o frango assado será sempre a prova de fogo. O dito chega à mesa numa travessa de inox – primeiro ponto marcado. A pele vem vagamente tostada (não é defeito, é preferência) e a carne suculenta. Se gostar de emoções fortes, peça o piri-piri da casa, que chega prontamente à mesa numa garrafa de litro. Vá com calma, que a peçonha é forte.
O frango no churrasco é servido à dose (18€) ou à meia dose (9,50€) e, embora venha sozinho, o menu garante alguns dos acompanhamentos da praxe – batatas fritas (3€), arroz de alho (3€) e salada montanheira (4,50€). Outra mania portuguesa: a de juntar uma quantidade ambiciosa de pratos e travessas na mesa, a ponto de dificultar a mobilidade de ambas as partes – de quem serve e de quem é servido.
O espaço é cromaticamente neutro e luminoso, muito por conta da luz natural que aqui entra, e proporciona uma agradável vista para o rio e para o Oceanário. Há uma série de coisas que não encontramos numa churrasqueira tradicional – azulejos Viúva Lamego, móveis Olaio e uma casa de banho única, onde as mesmas torneiras espertinhas lavam, ensaboam e secam as mãos –, outras evocam símbolos universais desta tipologia da restauração. Falamos das travessas de inox, claro, mas também da cozinha aberta (quem não sente satisfação ao ver uma grelha a laborar a todo o vapor) e a bela da toalha branca de papel. Só não conte com a conta feita à mão sobre a mesa. O revivalismo é bonito, mas tem limites.
Com mais de 500 lugares – 580, para sermos exactos –, a Casa do Frango tem espaço de sobra para receber os jantaras da época. Além dos metros quadrados, também os menus já foram pensados para os grupos que estão por vir. São dois e custam 26€ e 38€ por pessoa.
De volta à ementa, nem só frango assado sai desta grelha. O piano de porco ibérico (13€/18€), as plumas (14€/19€) ou os lagartos (13€/18€), a espetada de peru (14€) ou o costeletão de novilho (32€) estão lá para saciar os carnívoros. No campeonato do peixe, as grandes especialidades dividem-se entre o bacalhau na brasa (28€) e o polvo na brasa (26€), se bem que o bacalhau espiritual (16€), ao que pudemos apurar, também tem muita saída.
E se ainda restarem dúvidas de que este é um menu de comida tradicional portuguesa, espreite só o alinhamento de entradas. A lista é longa e inclui pica-pau de novilho (16€), gambas à guillo (15€), chouriço alentejano na brasa (8€) e salada de polvo (10€), entre outros. Satisfeito?
Chegada a hora da sobremesa, vai ter dois caminhos à sua frente – a carta e uma gelataria de serviço mesmo ali ao lado. Caso queira reservar essa opção para dias mais quentes e soalheiros (aconselhamos que faça o mesmo com uma mesa na esplanada, que senta cerca de metade da lotação do restaurante). Os sabores vão variando, mas avisamos já que incluem sobremesas bem portuguesas, como o pudim abade de Priscos, as natas do céu, o pastel de nata ou os papos de anjo. Uma taça com dois sabores custa 4,50€.
Entre as sobremesas da carta, prepare-se, porque vão tentar convencê-lo a pedir as farófias, a grande especialidade doceira da casa. Se adorar aquelas nuvenzinhas com molho, força. Mas olhe que o bolo de bolacha é uma agradável surpresa – feito com manteiga, como manda a tradição, mas sem demasiada intensidade, tem um leve travo a café e é surpreendentemente pouco doce. O frango é bom, mas não bate o bolo de bolacha.
Rossio dos Olivais, 2 (Parque das Nações). 21 838 6045. Seg-Dom 12.00-00.00 (gelataria até às 22.00)
As últimas de Comer & Beber na Time Out
Está a par das melhores gelatarias em Lisboa? Não fique para trás. A Swee abriu a sua primeira loja pop-up na Baixa com gelados esmagados (a versão doce dos smash burgers); e a Brera inspira-se nas doçarias portuguesa e italiana. Para uma refeição à séria, encontra sanduíches italianas na Vetrina, o novo espaço do Grupo Non Basta. Se preferir, o Avó Cooking Lab, que procura reintegrar no mercado de trabalho pessoas com 60 anos ou mais, leva-lhe o jantar a casa. Depois, pode ir beber um cocktail ao QG Atelier, onde o bartender também é terapeuta (sim, leu bem).

