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No Darjeeling Express a comida indiana é simples e para levar para qualquer lado

Por Catarina Moura
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Mirza tem pais indianos, cresceu em Lisboa a aprender esta cultura e a comer pratos indianos com inspiração moçambicana, já que a mãe nasceu nesse país. E mesmo com todo o conhecimento sobre o assunto, sempre que vai a um restaurante indiano sente-se confuso: são uns 40 pratos de vegetais, outros tantos de borrego e de frango. Há um mês abriu o Darjeeling Express no Alto dos Moinhos para ser o oposto disto: carta concisa, pensado para take away e com a comida que Mirza se habituou a comer em casa.

Há dois anos, depois e passar algum tempo a trabalhar em Angola, queria voltar para Portugal e, sem perspectivas de trabalho, a mãe perguntou-lhe o que gostava de fazer. “Comer, beber e ouvir música” – a resposta não foi muito difícil, confessa atrás do balcão deste restaurante indiano, onde regista os pedidos dos clientes, aconselha quem entra e vai gerindo a playlist de música que ele próprio criou. Depois dessa pergunta da mãe, fez-se luz, pegou no plano de negócio para um restaurante que tinha feito na faculdade e adaptou-o à ideia: seis caris sem picante mas cheios de especiarias (com mais do que a mãe e as tias costumam usar em casa), dois tipos de chamuças feitas pelo tio, três acompanhamentos – paratha (uma espécie de pão folhado achatado), rotli (uma espécie de crepe), ou arroz –, três sobremesas, dois cocktails e pouco mais.

darjeeling express

Fotografia: Manuel Manso

Aqui e ali há uns cartazes des filmes de Wes Anderson, o realizador preferido de Mirza e que ajudou a baptizar o espaço. Pegou no filme Darjeeling Limited, onde três americanos conhecem a cultura indiana no comboio com este nome, e trocou a última palavra por Express já que aqui é pegar e andar. Toda a carta pode meter-se facilmente em caixas biodegradáveis e até no restaurante se come nestas embalagens com talheres também biodegradáveis (para comer no restaurante é melhor fazer reserva).

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O caril de lentilhas com ovo estrelado vai bem com uns parathas
Fotografia: Manuel Manso

Estão para já a trabalhar com a Uber Eats e a Glovo e Mirza garante que a comida aguenta ser levemente aquecida em micro-ondas nestas caixas, mesmo quando se fala no caril de lentilhas amarelas servido com ovo estrelado (9,90€), o seu brunch domingueiro ou da ressaca quanto está em casa com a família. “Não é nada tradicional comer isto com um ovo estrelado. Até há pouco tempo pensava que todos os indianos comiam isto assim, mas não. Foi só a minha mãe que se lembrou e como isto desde criança”, conta. As receitas são todas das tias ou da mãe, como as comia em casa, sem picante porque a irmã não gosta. Para acrescentar fogo à comida há um picante verde e outro vermelho à discrição, ou os achares de manga (1,70€) ou de cenoura (1,50€).

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O caril à Darjeeling é feito na véspera para intensificar os sabores
Fotografia: Manuel Manso

Todos os outros caris são feitos no dia – há o de lentilhas verdes com limão (8,90€), o de camarão, com a suavidade do leite de coco, característica moçambicana (13,90€) – à excepção do caril à Darjeeling, com carne de vitela cozida durante duas horas em água e uma hora em molho de tomate, gengibre e especiarias (10,90€), feito de véspera para que os sabores evoluam.

Para terminar há um picante que fica na boca depois de um fondant de chocolate e malagueta ou do bolo de chocolate com pimenta rosa (ambos 3,90€). Cada um destes pratos vem logo com os pairings perfeitos de picantes, acompanhamentos e bebidas escritos na parede atrás do balcão. “A pergunta que toda a gente me faz quando vem a minha casa ou num restaurante é 'como é que isto se come?'”, conta Mirza, que tem como viagem de sonho a Índia, onde nunca foi. Assim está resolvido.

Rua João de Freitas Branco, 21A (Alto dos Moinhos). Ter-Dom 12.00-15.00/ 19.00-22.00.

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