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No Dong Coffee, os lattes e espressos são feitos com café torrado na casa

No andar de cima deste pequeno espaço em Arroios, Ram Kumar Lama torra o café que é depois servido em várias bebidas. Há desde clássicos a criações próprias, e para comer, tostas, açaí ou pastelaria.

Beatriz Magalhães
Escrito por
Beatriz Magalhães
Jornalista
Dong Coffee
Rita Chantre | Ginger Caffeine Punch
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Ram Kumar Lama (Dong) já mudou de casa umas quantas vezes. É natural do Nepal, onde trabalhou numa quinta de produção de café durante três anos até ir para o Dubai, em 2012. Dois anos depois, regressou ao país-natal para fazer um curso em Hospitalidade e, em 2015, foi trabalhar para o Park Hyatt Abu Dhabi Hotel and Villas, nos Emirados Árabes Unidos. Passado um ano e meio, decidiu voltar para uma quinta de café, mas desta vez no Qatar, a última paragem antes da chegada a Portugal, em 2021. Por cá, foi barista no Copenhagen Coffee Lab e trabalhou na Buraca Coffee Roasters. Em 2025, concretizou o sonho de criar a sua marca de café e abriu o Dong Coffee.

O espaço de Ram fica na Rua Quirino Fonseca, a meio caminho entre a Praça do Chile e a Alameda. Tem uma simpática esplanada junto à entrada e no interior vemos o essencial: um balcão com uma pequena montra de pastelaria, algumas mesas e, na parede, prateleiras repletas de recordações, como um troféu que o proprietário ganhou pelo segundo lugar numa competição de preparação de café de filtro em 2025, ou garrafas e copos assinados por amigos e conhecidos que participaram noutras competições de café. Por baixo das prateleiras, estão pendurados mantras alusivos ao budismo e uma tapeçaria colorida com um Buddha estampado. São os objectos mais especiais, já que a família de Ram é budista. 

Dong Coffee
Rita Chantre
Dong Coffee
Rita ChantreRam Kumar Lama, proprietário do Dong Coffee

Máquinas e utensílios para fazer café também estão expostas e à venda, assim como os sacos de grãos de café da Dong, que são produzidos no andar de cima. Como a divisão é ligeiramente apertada, o torrador que lá encontramos não é tão grande como os industriais. De um lado, há baldes de plástico largos que guardam os grãos ainda verdes, do outro, baldes iguais com os grãos já torrados. A principal fornecedora é a alemã Cafe Imports Europe e a origem do grão varia: chega da Etiópia, Colômbia, Brasil, El Salvador, Peru, Quénia ou Costa Rica.

“Normalmente, torro o café uma vez por semana”, começa por explicar Ram, referindo que costuma ser de torra média ou clara, de forma a atingir “o sabor perfeito”. “A cultura do café baseava-se muito na torra escura, mas agora as pessoas estão a experimentar outras torras. Se quiserem mais acidez, preferem uma torra mais clara, que é mais indicada para café de filtro”, continua. “Mas se torrar os grãos hoje, não posso usá-los amanhã. Para o café de filtro, tenho de esperar, no mínimo, cinco dias. Se torrar hoje e usar amanhã, não vou sentir sabor, porque o gás tem de sair dos grãos antes. Para o espresso, temos de esperar 12 dias”, explica.  

Todas as semanas, o proprietário produz cerca de 30 quilos de café, que depois embala e vende aos clientes (os sacos variam entre os 15€ e os 28€) e a restaurantes e cafés em Lisboa, entre eles o How About Coffee, o Daily Dose, o Himalayan Java Brunch ou o Lama’s Restaurant & Bar.

Dong Coffee
Rita Chantre
Dong Coffee
Rita ChantreDong Coffee

No que toca às preferências de quem visita o Dong, a maioria das pessoas opta por bebidas de café à base de leite, como o flat white (3,40€), o cappuccino (3,60€), ou o latte (3,80€). Os “nerds” ou verdadeiros “amantes de café”, tal como os apelida Ram, preferem café de filtro, preparado na V60 ou na Aeropress, porque querem “sentir o seu sabor real”. “O café do Quénia é mais ácido e frutado; o da Etiópia é mais floral e não é tão ácido; o da Costa Rica é mais suave, quase como um chá verde; o do Peru é mais aromático, parece chá de lavanda; e o da Colômbia é mais forte, com um toque achocolatado”, descreve.

O de V60 custa 5,50€ ou 9€ (depende se são 250 ou 500 ml); o de Aeropress é 5,50€; e o de batch brew é 3€. As especialidades da casa incluem também o spanish latte (4,50€), que leva leite normal, leite condensado e natas; o espresso sunrise (5,50€), composto por sumo de laranja e um café duplo; e o ginger caffeine punch (5,50€), uma criação de Ram com café duplo e cerveja de gengibre para um toque picante. Há ainda chá, matcha e kombucha da marca Aquela Kombucha.

Dong Coffee
Rita ChantreCafé de filtro
Dong Coffee
Rita ChantreTosta de abacate e ovo estrelado, milho doce, banana bread, cappuccino, ginger caffeine punch e café de filtro

As propostas de pequeno-almoço e lanche são simples. Ao banana bread caseiro (3,90€), que vem acompanhado de compota de frutos vermelhos, juntam-se croissants, muffins, brownies, rolos de canela ou pastéis de nata. Existem tostas mistas (5,50€) ou tostas de abacate com ovo estrelado, temperada com óleo de paprika (9,90€), e pratos doces, como milho, queijo e paprika doce (5,50€), açaí (10,90€), ou iogurte com granola caseira e fruta (5,90€). O prato de pequeno-almoço (15,90€) é a opção mais completa: inclui um cappuccino ou café de filtro, rolo de canela, bolo do dia, iogurte com granola, torrada, ovo mexido, queijo e fiambre, e sumo de laranja.

Além de produzir café e gerir este pequeno espaço em Arroios, Ram continua a participar, todos os anos, em competições de preparação de café e organiza workshops e formações pensadas para quem quer tornar-se barista. Se estiver interessado, basta lá passar ou espreitar o site ou a página de Instagram do Dong Coffee.

Rua Quirino da Fonseca, 17A (Arroios). Seg-Dom 08.30-16.00

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