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O peixe fresco é o rei desta sushi experience, mas faz-se acompanhar por uma vasta corte de sabores e texturas.

Pode parecer que tudo começou em Fevereiro, quando o Meiyo abriu, mas esta história vem de antes. Mais concretamente de há dois anos. Erik Ibrahim era proprietário deste espaço na Duque de Loulé e deslocou da Baixa para aqui o restaurante Terroir, recomendado pelo Guia Michelin. “Viemos pelas condições da cozinha, posso dizer que até envergonha muitos hotéis”, diz o fundador do conceito e responsável pela operação diária.
No entanto, Erik percebeu que a localização fazia toda a diferença para o restaurante de fine dining e, quando conseguiu que o Terroir regressasse à Baixa (mora agora na Rua da Madalena), ficou com uma tela em branco. Hipótese A: fazia um trespasse. Hipótese B: tentava algo diferente. Escolheu a segunda opção e foi buscar o chef Mário Ribeiro. “Conheço-o há 15 anos. Ele abriu o Nómada em Lisboa e o Honor na Margem Sul, e convidei-o para fazer este projecto.” A formação em cozinha francesa foi um dos pontos que cativou Erik. “A fusão da cozinha francesa com a japonesa faz a diferença.”
O chef aceitou visitar o local, sem compromisso, e entusiasmou-se. O projecto avançou com um terceiro sócio, Carlos Santos (empresário na área e investidor), e Erik tem a certeza de que o potencial ainda não está a ser explorado na totalidade. “A cozinha é demasiado grande para o que estamos a fazer, que é apenas sushi, mas a curto prazo queremos começar a trabalhar mais a gastronomia japonesa. Temos capacidade para fazer ramen, por exemplo.”
Para já, o foco é consolidar a carta e transformar clientes novos em repetentes. O conceito define-se como sushi experience, focado em opções contemporâneas. Nas entradas frias, o crocante de camarão com manjericão (14,20€, quatro unidades) é exactamente o que o nome indica: camarões envolvidos numa massa finíssima, mas crocante, que se fazem acompanhar por maionese de beringela. Há também as típicas gyozas de camarão ou de frango e vegetais (8€, quatro unidades) e o miso shiro (3,50€), um caldo de miso, tofu, wakame, cebolinho e sésamo. É possível acrescentar lascas de peixe (+1€).
Se é que já não está subentendido quando o assunto é sushi, deixamos uma sugestão: partilhe. No caso do tataki de atum by Meiyo (17€), a porção é generosa. Ao lombo de atum juntam-se legumes salteados, cebola frita, puré de batata doce e guacamole. Tem consistência, tem sabor, tem variedade, tudo na dose certa. Há ainda carpaccio de lírio dos Açores (17,60€), braseado com azeite de alho e molho cítrico trufado, e bakuhatsu (16€), um verdadeiro festim no prato: crocante de nori, tártaro de toro, vieira, ovo de codorniz escalfado e trufa.
A carta do Meiyo – que significa honra em japonês – foi pensada por Mário Ribeiro, mas quem manuseia todos os dias as facas de sushiman é João Bivar. Formado em engenharia, fez investigação no Instituto Superior Técnico durante alguns anos. À medida que ficava desencantado com o trabalho, ia fazendo experiências na cozinha. Tinha feito um ou dois workshops, mas descobriu que os chefs Paulo Morais e Ana Lins eram os responsáveis por um curso profissional no Amoreiras Plaza. “Era um restaurante-escola chamado School. As pessoas que iam lá comer sabiam que os pratos eram preparados por alunos. Inscrevi-me e fiz um curso intensivo de quatro meses”, recorda João à Time Out.
Com a investigação completamente arrumada na gaveta, passou pelo Sushi Café das Amoreiras e da Avenida. Abriu o Sushi dos Sá Morais como chef e só saiu de lá para inaugurar o seu próprio restaurante, em Campo de Ourique – o Shun Open Kitchen. Apanhou a pandemia logo no início e, apesar de o negócio ter sobrevivido, João decidiu fechar em 2024. Seguiu-se um restaurante de praia, na Costa da Caparica, e a experiência de ser chef privado. “Estava a trabalhar para uma família, para a qual preparava as refeições, e fazia alguns eventos também.”
Quando o convite para o Meiyo surgiu, hesitou. Tinha feito um desvio do mundo da restauração por se sentir esgotado. Porém, desafios diferentes sempre o espicaçaram. Quando se juntou ao projecto, a carta já tinha sido delineada pelo responsável pela direção gastronómica. “Agora queremos solidificar o menu, mas o Mário também me disse que, a dada altura, poderei introduzir ideias minhas.”
O feedback dos clientes é essencial para perceber o que tem lugar cativo e o que poderá vir a ser substituído. Para já, há espaço para uramakis, dos clássicos Califórnia (6,50€, quatro peças), com salmão, camarão cozido, pepino, abacate, shiso, maionese japonesa e sésamo, ao maki especial do chef (19,80€), oito peças criadas no momento. “Gosto quando os clientes me pedem para ser criativo. É óbvio que respeito a carta, mas é desafiante quando o cliente deixa o pedido nas minhas mãos.”
Seguem-se ossomakis (a partir de 8,50€), sashimi (que começa nos 8,50€), nigiris (desde 5,50€) e os obrigatórios gunkans. A saber: MR (14€, duas unidades), com salmão braseado, maionese japonesa, lasca de amêndoa torrada e vieiras flamejadas em moscatel de Setúbal; foie gras com atum (13,90€, duas unidades), com doce de abóbora e flor de sal; e, a estrela deste separador, o especial do chef (19,50€, duas unidades), com lírio, tártaro de toro, ovo de codorniz marinado em soja e lasca de trufa fresca.
A acompanhar tudo isto, além do wasabi tradicional, existe aqui a versão bio. Mais cítrico e menos picante (na teoria, pelo menos), vem diretamente do Japão e vale a pena provar.
Os combinados são sempre uma aposta segura – para clientes e restaurante. Há sushi de 21 peças fusão (32€), tradicional (32,50€) e sem sashimi (33,50€). O menu executivo está disponível ao almoço, de segunda a sexta-feira, e inclui sempre um miso shiro ou duas gyosas ou quatro peças de hot roll e depois divide-se em três opções: poke fusion (17€), com arroz, tártaro do dia, tempura de camarão, gyoza e tataki de salmão; combinado de 16 peças (24€), fusão ou tradicional, com ou sem sashimi; e chirashi sushi (27€), a escolha dos melhores peixes do dia em sashimi sobre arroz. Os três menus têm direito a uma mini sobremesa que pode ser pudim de gemas ou cheesecake lima-limão.
O ambiente é acolhedor e íntimo, apesar da sala ser comprida e sentar 50 pessoas. O terracota é o tom dominante. As mesas são em nogueira e as cadeiras e o banco corrido que acompanha uma das paredes em veludo azul escuro. Os candeeiros são produzidos em Portugal, assim como a loiça, da marca Terrafina. No meio há uma garrafeira que divide o espaço em dois e existe a possibilidade de criarem ainda mais lugares no interior, além de poderem vir a ter esplanada. Mas, nada disso será já, já. “Não queremos massificar, queremos manter o foco e prestar um bom serviço. Temos muitos planos, mas temos tempo.”
À entrada fica o bar, havendo uma clara aposta em cocktails (mas também há vinhos, com várias referências portuguesas). O oasis flame (14€) combina maracujá, manga e tagaroshi (cinco pimentas japonesas). É doce com um travo picante no final. Já o wild dream (14€) faz um malabarismo entre gin sour e whisky sour, com frutos vermelhos e canela braseada. Brinca-se com sake e gins japoneses e a ideia é que todos os meses mude pelo menos um cocktail. “Também queremos que as bebidas tenham um pouco da essência japonesa”, justifica Erik.
Nas sobremesas há sol de maracujá (6,50€), com mousse de chocolate branco coberto com geleia maracujá sobre biscoito guarnecido com creme de maracujá, e mil folhas de chocolate (9€), com vários chocolates e texturas, juntamente com gelado de noz macadâmia e caramelo salgado. Porém, quando estes olhos lêem tarte merengada (7€) em qualquer menu ficam cegos. Venha ela: o creme de limão é suave e combinado com yuzu e gengibre. Por baixo está uma base de bolacha e por cima um merengue cremoso. E, para quem precisa de cor nos pratos, também há: mirtilos, morangos e amêndoa laminada. E, por agora, não gastamos mais tempo com palavras, ficamos só por aqui a saborear.
Av. Duque de Loulé, 86A (Arroios). 211 500 623. Dom-Qui 12.00-15.00 e 19.30-23.00
Com a chegada da Primavera, aproveite os dias longos ao ar livre com as melhores esplanadas e os melhores quiosques de Lisboa. Se tem a operação biquíni em curso, dizemos-lhe onde estão os melhores restaurantes saudáveis, das saladas às sobremesas – e aqui tem os melhores sítios para sumos naturais e smoothies. Para experiências mais completas, espreite as nossas listas com os 100 melhores restaurantes em Lisboa e com os melhores novos restaurantes da cidade. Já os melhores restaurantes pan-asiáticos põem-lhe (quase) toda a Ásia à mesa.
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