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No novo Ostra Lisboa há ostras e mais sabores a oceano, incluindo um arroz caldoso de babar

Três amigos juntaram-se para abrir um restaurante que segue duas regras: os produtos têm de ser nacionais e sazonais. As ostras estão no centro da festa, mas há outras propostas.

Andreia Costa
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Andreia Costa
Ostra Lisboa
CORVO | Ostra Lisboa
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Da ria para o prato: é assim que o Ostra Lisboa apresenta aquela que é a rainha desta carta e que dá, claro, o nome ao espaço. “Acima de tudo, somos produtores”, resume Pedro Coito, um dos sócios do restaurante que desde Junho tem deixado no Chiado um aroma a maresia. 

Antes de nos sentarmos à mesa, é preciso explicar como tudo começou – Pedro garante que foi “de um dia para o outro”, tão simples quanto isso. Ele é responsável pela Bivalsado, que trabalha em Setúbal, fazendo o circuito inteiro da produção de bivalves. De restaurantes não percebia nada até entrarem em cena os outros sócios e amigos. São os primos Marco Alexandre, produtor em França, Setúbal e Algarve (é do Vale da Lama, no Alvor, que chegam diariamente as ostras), e João Pedro da Silva, responsável pelo Ostra Paris, restaurante na capital francesa. 

Ostra Lisboa
CORVOOstra Lisboa

“Foi o Marco que me desafiou. Disse-me: ‘Eu estou aqui no Algarve sempre a trabalhar, o meu primo tem o Ostra Paris que está a correr super bem, por isso vamos fazer uma brincadeira e abrir o Ostra Lisboa’?”, recorda à Time Out. Apesar do Ostra Paris, esta não é uma cadeia, sublinha. “Não é um franchise, nada disso. Claro que há alguns pontos comuns, porque o Marco e o João estão por dentro dos dois projectos, mas a carta é muito diferente.” Podemos dizer que os dois restaurantes são primos, como os sócios, e se as coisas correrem bem, é possível que a família cresça “com um Ostra Cascais, por exemplo”. 

Da ostra gigante 'Moby Dick' ao arroz caldoso

Para já, o foco é no presente e aqui os produtos seguem duas regras: são nacionais e sazonais. De resto, o chef João Pinto, à frente da cozinha, teve carta branca para inventar e inovar. “A ideia é que todos os produtos venham directamente do produtor para chegarem à mesa sempre frescos. Queremos apresentar um bocadinho da nossa costa.” 

As ostras estão no centro de tudo. As frescas, com o calibre convencional número 3, chegam em trio (8,80€), seis unidades (15,80€) ou 12 (28,80€). A Moby Dick (6,90€) é uma ostra gigante (calibre número 000), pesando mais de 300 gramas. Vem do Alvor, “a única zona de produção de bivalves em que não é preciso sequer depurar [processo que serve para remover areia e outros resíduos]”. Mais para a frente, a ideia é acrescentar à carta outros calibres, mas “os portugueses ainda têm muitas reticências em relação às ostras”, admite Pedro. “Acham que é cara, exclusiva e têm medo que faça mal, mas acreditem que há mais probabilidade de passarem mal com amêijoas do que com ostras, que são trabalhadas à mão e chegam frescas.”

Se o objectivo for petiscar, há duas experiências pelas quais pode optar: a descoberta (11€) junta três ostras frescas a um copo de vinho da casa; a vip (14€) propõe três ostras e um copo de espumante português. 

Ostra Lisboa
CORVOO arro caldoso do Ostra Lisboa

Continuando a navegar em águas nacionais, as entradas são feitas de sopa de peixe (9,90€) e salada de polvo e chouriço (14,90€) – se há enchido que fica bem em tudo é este, que se deixa envolver pela cebola, o pimento, muito vinagre e azeite. Há tábuas de enchidos (24,80€) e queijos (24,80€), mas os pratos principais também ocupam um lugar importante nesta viagem. São eles bacalhau à Brás (18,90€); salada de bacalhau e grão (18,90€), que aqui se torna mais leve por ter como companhia salada de alface; e arroz caldoso de ostra (24,80€). Se só pudéssemos escolher um, seria este. Sem dúvida: tem um toque de limão e um sabor rico a tomate, é bem condimentado, cremoso sem estar demasiado cozinhado e transporta-nos para o mar com a junção das ostras e das amêijoas. 

Os mariscos são sazonais, o que significa que agora há percebes, mas quando for a época dos ouriços, por exemplo, eles também terão direito a um lugar no menu.

A sala tem lugar para cerca de 30 pessoas e divide-se entre mesas e balcões altos. O azul náutico é o tom que domina o espaço, que é confortável, mas despretensioso. “Se as pessoas quiserem jantar, jantam. Se não quiserem, bebem só um copo”, diz Pedro.  

Ostra Lisboa
CORVOOstra Lisboa
Ostra Lisboa
CORVOOstra Lisboa

Por cima do balcão que dá acesso à cozinha está visível o nome, Ostra Lisboa, num letreiro iluminado que é semelhante ao que existe em Paris, fazendo a ponte entre os dois países. Lá fora, irá nascer brevemente uma esplanada. 

Cachorros de polvo com wasabi e uma sobremesa secreta 100% vegan

O menu de bebidas propõe vinho, cerveja e cocktails, mas são os champanhes e os espumantes que ajudam a elevar a refeição – e nem é preciso cometer grandes loucuras orçamentais. O pet nat (o nome vem do francês “pétillant naturel”, que significa espumante natural), é uma aposta segura: é leve e bebe-se fresco. “A fermentação é própria dele, é um vinho limpo.” À escolha tem o Amarantina (3,80€ o copo e 12,80€ a garrafa) ou o Vibeyard (6,80€ o copo e 29,80€ a garrafa). Se não quiser abdicar do champanhe, opte, por exemplo, pelo A. Bergére Blanc des Blancs (69€). Qualquer uma das escolhas liga bem com os ceviches de ostras (14,80€) e de bacalhau (14,80€) ou com a amêijoa-boa à Bulhão Pato (24,80€). O nome não engana, é (para cima de) boa, e chega envolvida num caldo rico carregado de alho.  

Ostra Lisboa
CORVOOstra Lisboa

O chef João Pinto criou anda algo diferente: um cachorro de polvo e wasabi (14,80€). O pão, tanto o do couvert como o do cachorro, vem da Padaria do Beco. Neste caso é comprido, mas fino, deixando que sejam os ingredientes do interior a destacar-se. São eles um tentáculo de polvo tenro e saboroso, coroado com uma manteiga de wasabi que sela todos os sabores. Vem acompanhado por batata frita ou salada. 

Nas sobremesas há um trio difícil de desempatar. A tarte basca (6,90€) é cremosa; o brownie de chocolate (6,90€) é feito com farinha de amêndoa; e o crème brûlée (6,90€) é 100% vegan. A receita é secreta – nem aos sócios o chef revelou os ingredientes –, mas seja qual for o twist, deixa-nos com vontade de repetir.  

“As ostras são o centro. O resto existe à volta delas”, pode ler-se na introdução da carta. Quando são frescas, como é o caso, não precisam de grandes invenções. A melhor forma de apreciá-las é tal e qual como chegam ou apenas com umas gotas de limão. Isso ou com as outras propostas da carta, difíceis de resistir.

Rua António Maria Cardoso, 70 (Chiado). Seg-Ter 12.00-19.30, Qua-Qui 12.00-22.30, Sex-Sáb 12.00-23.30; Dom 12.00-19.30

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