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Novo museu efémero de Lisboa celebra a epopeia da arte urbana

Das ruas do mundo para as paredes da LX Factory, a arte urbana virou museu. Fomos visitá-lo e saímos de lá com a sensação de que o efémero pode durar para sempre.

Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
EMUA
Fotografia: Mariana Valle Lima
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A cada edição, a Lisbonweek dedica-se a resgatar a história, a arquitectura e a cultura de um bairro. Em 2020, lançou âncora em Alcântara, que agora, para uma despedida à altura, é tomada de assalto pelo EMUA (Ephemeral Museum of Modern Art). Até 25 de Julho, em estreia na LX Factory, o museu efémero de arte urbana promete dar a conhecer uma forma do fazer arte que começou como ilegal e acabou – como parte da cidade e da vida de quem nela habita – a reivindicar uma nova função para o espaço público.

“Quando soubemos da desocupação desta parte do edifício, ficámos com muita vontade de o ocupar. E, como já conhecia o Georges Zorgbibe há dois anos, desafiei-o a pensar num projecto”, conta Xana Nunes, presidente e directora da Lisbonweek. O francês, além de curador do novo Ephemeral Museum, é coleccionador. “Foi ele que trouxe esta ideia do museu efémero, tão efémero quanto a arte urbana. E cá estamos, com quatro salas. Uma delas, repleta de obras de artistas norte-americanos, reflecte o início do movimento no Bronx dos anos 70.”

Num itinerário pouco óbvio, a epopeia da street art conta-se através de uma centena de obras de artistas pioneiros, nacionais e internacionais, como Banksy, Invader, André Saraiva, Os Gêmeos, Felipe Pantone, Vhils, Futura 2000, Finok, Jason Revok e Bordalo II. “Cada exposição oferece uma experiência diferente. A Dark Room não tem quase iluminação, ou nos aproximamos das obras ou só as vemos de longe porque são néons. O percurso é uma espécie de labirinto artístico imersivo”, destaca o curador Zorgbibe, que insiste na importância de reflectir sobre a evolução e o papel da arte de rua.

Se, por um lado, há muitos lugares cinzentos à espera de serem revitalizados, através de um graffiti ou de uma escultura, por outro as obras podem não sobreviver à passagem do tempo ou à intervenção de terceiros. Os artistas contemporâneos estão, contudo e talvez mais do que nunca, a celebrar essa condição, conscientes de que a arte não precisa de durar para sempre no tempo cronometrado pelo relógio. Bastará, porventura, ser apreciada por um espectador inesperado, que se reconheça na mensagem. Afinal, a arte urbana é frequentemente usada como meio democrático de expressão.

De Banksy, com sátiras a temas como a política ou a religião, a Bordalo II, especialmente dedicado a apontar o dedo à sociedade consumista e à insustentabilidade dessa exploração, a crítica social é transversal e tem contribuído substancialmente para abrir caminhos e mentalidades e promover o valor eterno da arte, mais ou menos efémera. “Uma centelha que acendeu os nossos olhos e ressoou em todos os continentes, numa linguagem visual imaginada de forma radical”, acrescenta a organização.

Além das exposições, a programação do EMUA inclui intervenções ao vivo, que se vão juntar às obras já expostas, e várias actividades para toda a família, desde uma sala de cinema até oficinas de ilustração, stencil, colagem, vídeo e tipografia. Há ainda uma concept store, onde poderá encontrar peças de streetwear, serigrafias, objectos intemporais e uma vasta panóplia de acessórios relacionados com a arte urbana. E, atenção, vale a pena ficar atento às redes sociais: vai ser sorteado um print assinado de Alexandre Farto, aka Vhils, no valor de mil euros.

LX Factory. Qua-Dom 11.00-19.00. 7€. Grátis até aos 12 anos | Workshops para crianças dos 3 aos 12: 20€/2h.

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