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O Jardim do Torel vai transformar-se num "jardim do amor"

jardim do torel
Fotografia: Inês Félix

O Jardim do Torel entrou em obras, mas sem fechar portas. Entrámos para ver e falamos-lhe do futuro “jardim do amor”.

Tal como no Bairro do Amor de Jorge Palma, a vida no Torel é um carrossel, mas só durante os próximos dois meses, enquanto decorrerem as obras desta que é a primeira fase de resgate da história do jardim localizado na Colina de Santana. Depois da recuperação do Jardim das Amoreiras e da Praça da Alegria estar na recta final da recuperação, levada a cabo pela Junta de Freguesia de Santo António, é a vez do histórico Jardim do Torel avançar para uma requalificação verde e muito bem cheirosa. Intervenções promovidas pela Junta de Freguesia e a cargo da arquitecta paisagista Raquel Alho, que, no caso do Torel, vão devolver à cidade um conceito de jardim que juntou muitos casais alfacinhas.

Há muito que murchou a verde relva dos patamares do jardim que nasceu de uma quinta do século XVIII, propriedade de Cunha Torel, desembargador rico da altura, e foi cedido ao município em 1928. As últimas obras aconteceram em 2008 mas, mais de dez anos passados, as zonas de estadia foram desaparecendo. Agora, não só serão recuperadas, como farão parte do novo conceito que recupera o velho espírito do jardim, mantendo as árvores existentes: um jardim do amor. E um jardim que se quer visitado, tal como acontece com outros miradouros mais concorridos, como é o caso do vizinho da frente, o Miradouro de São Pedro de Alcântara. Mas o Torel será sempre mais romântico.

A primeira intervenção, que pode acompanhar bem de perto, passará pela renovação de todo o sistema de rega, pela fertilização dos terrenos e pela plantação de diferentes espécies, como lavanda, verbena, maçaroco (orgulho-da-Madeira) ou mesmo papiro. Uma proposta de Raquel Alho que cria espaços para os utilizadores se sentarem na relva, envolvidos por plantas aromáticas, com cheiros, cores e texturas diferentes. O projecto de requalificação também elimina as actuais (e maltratadas) espreguiçadeiras de madeira. Mobiliário urbano que na última grande intervenção substituiu um tanque centenário, localizado no patamar intermédio. A arquitecta explica ainda que cada um dos futuros recantos “redirecciona o olhar” para uma das vistas do miradouro e ao longo do ano as estações vão ditar as cores e o volume dos espaços verdes.

jardim do torel

 

A luz irá regressar à tocha desta estátua
Fotografia: Inês Félix

 

Terminada a intervenção, o espaço terá um jardineiro em permanência e segurança durante a noite e numa segunda fase serão restauradas todas as estruturas em ferro. E há um regresso a caminho: não é o tanque centenário, mas sim um grande gazebo em ferro forjado que aqui existiu e que será replicado, tal como uma luminosa lâmpada que deveria estar na mão da escultura de uma mulher a segurar uma tocha, no lago artificial junto à entrada na Rua Júlio de Andrade.

Espera-se que todo o plano esteja concluído em Março do próximo ano.

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