Jardim da Estrela
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Os melhores parques e jardins de Lisboa

Dos relvados para piqueniques às esplanadas com sombra: eis o guia dos melhores parques e jardins de Lisboa.

Rute Barbedo
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Exóticos pelas espécies que exibem, desenhados à inglesa e à francesa, com mais ou menos pendor para o conceito de mata, ajardinados e simétricos ou em jeito selvagem de floresta, os espaços verdes de Lisboa contam histórias seculares, mas também servem o presente dos urbanos que procuram passar tempo entre as árvores e os pássaros, esgueirando-se do betão. Temo-los graças a engenheiros, paisagistas, biólogos, botânicos, cidadãos e jardineiros, claro. Nesta lista, levamo-lo num passeio pelos melhores parques e jardins de Lisboa, entre árvores de grande porte e arbustos, com pistas para correr e pequenos lagos, mas também pela história de uma cidade desenhada.

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Os melhores parques e jardins em Lisboa

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  • São Sebastião

Como à arte não pode faltar natureza, os arquitectos Gonçalo Ribeiro Telles e António Viana Barreto desenharam para os espaços da Fundação Gulbenkian um jardim que se tornou um dos símbolos da cidade, como lugar de ócio, contemplação, percurso, namoro e leitura. Em 2025, o terreno junto ao Centro de Arte Moderna (CAM) reabriu com novos ares sob o projecto do paisagista Vladimir Djurovic, que colaborou com o responsável pela renovação do Centro de Arte Moderna (CAM), o japonês Kengo Kuma. Se de um lado dos jardins, temos as sombras, os riachos, os patos, o bambu, do outro, continuam os espaços poéticos e de ligação total ao ritmo da natureza.

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  • Estrela/Lapa/Santos

É "o" jardim de Lisboa. Plantado em 1852 no coração da cidade, ao estilo romântico inglês, tem cinco hectares por onde se distribuem figueiras da Austrália, araucárias de Cook, castanheiros da Índia, cedros do Líbano, gingkos, tipuanas, jacarandás e um belíssimo dragoeiro. Conte com um parque infantil, esplanadas, um quiosque-biblioteca, relvados a pedir piqueniques e uma frota de bancos (um a cada vinte passos – acredite, nós medimos) a ladear o passeio público, que é também um dos melhores circuitos de corrida da cidade. Há ainda a Casa do Jardim da Estrela (um antigo infantário), parte da rede Um Teatro em Cada Bairro, com biblioteca, exposições direccionadas para a botânica e ecologia e muitos eventos para os mais pequenos. 

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  • Lumiar

Cinco, seis, sete hectares? Isso é coisa de meninos. A área total da Quinta das Conchas, incluindo a vizinha Quinta dos Lilases e a mata, é de 26 hectares. Na principal mancha verde do concelho a seguir a Monsanto, encontrar lugar para estender a toalha é garantido, mesmo naqueles fins-de-semana de sol em que todos os lisboetas se lembram de ir para o parque. Quer fazer um piquenique? Há mesas e bancos de pedra à sombra dos eucaliptos. Quer deitar-se sem correr o risco de ter vizinhança mesmo ao lado? Pode, a nave central é tão grande que dá para todos. Quer beber uma cerveja convenientemente sentado? Há duas esplanadas. Quer gastar a energia dos filhos, para dormirem como anjos? O parque infantil tem vários baloiços e escorregas. 

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  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

A requalificação do Jardim do Torel, na Colina de Santana, chegou ao fim em 2020. Promovida pela Junta de Freguesia de Santo António, a intervenção contou com o planeamento da arquitecta paisagista Raquel Alho, que desenhou espaços para os utilizadores se sentarem na relva, envolvidos por canteiros de maçarocos (orgulho-da-Madeira) e plantas aromáticas, como a lavanda ou a verbena. No projecto, que teve como base a ideia de “jardim do amor”, os bancos foram restaurados e em cada um deles pode ler-se poesia de nomes como Ary dos Santos, Fernando Pessoa ou o letrista João Monge. O ginásio ao ar livre do Jardim do Torel também foi pintado de fresco e, na outra ponta, há um pequeno gazebo em ferro onde pode ler ou sentar-se só a apreciar a vista sobre a cidade.

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  • Campo Grande/Entrecampos/Alvalade

É o antigo Campo de Alvalade, do século XIX, e foi construído em estilo de "passeio romântico", já depois de ter sido campo de batalha e de treinos. Hoje é o maior jardim de Lisboa e acolhe zonas de água, de mini-floresta e de relvado, bem como quiosques, parque canino, sítios para brincar e locais de actividade lúdica e física. Em algumas alturas do ano, os barcos a remos estão a postos para passear no lago principal (a capacidade é de seis pessoas). Há também uma série de esculturas para apreciar pelo caminho, o edifício do Caleidoscópio, ciclovias para esticar as pernas e mesas de xadrez para as descansar enquanto puxa pela cabeça. O seu nome oficial é, desde 2018, Jardim Mário Soares, figura central da democracia portuguesa que aqui vivia e dava os seus passeios.

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  • São Sebastião

Antes de aqui existir um parque, um lago e uma pedreira de basalto ocupavam este pedaço da cidade. Mas a presença de várias nascentes de água tornou impossível explorar a matéria-prima, obrigando a abandonar a ideia. Relata-se, então, que à conta do planeamento do novo Passeio Público (a actual Avenida da Liberdade), um jardineiro começou a plantar ali o que depois seguiria para a avenida. Em 1903, o parque ganhou forma e o nome do monarca britânico, Eduardo, por ocasião da sua visita a Lisboa (ainda hoje está lá o busto). Nos anos de 1940, o arquitecto Francisco Keil do Amaral redesenhou o espaço, para ficar tal como o conhecemos hoje, com aquela vista em perspectiva para o Tejo. No parque, há lagos, um quiosque, um parque infantil, lugares de descanso e por vezes também eventos (alguns no Pavilhão Carlos Lopes). Aqui também se esconde um dos lugares botânicos mais fascinantes de Lisboa: a Estufa Fria.

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  • Grande Lisboa

Faz parte do Museu Nacional do Traje e do Museu Nacional do Teatro e da Dança e a história remonta ao século XVIII, quando, para o palácio que ali se ergueu, o botânico Domingos Vandelli pôs-se a programar as espécies que entrariam nesta área de 11 hectares. Na zona superior do parque, há sobretudo árvores altas e frondosas e, no patamar inferior, vivem as mais jovens. Pelo meio há lagos, relvados e hortas, um regato atravessando o terreno, ou ainda espécies como o pato–real, a galinha-de-água, a tartaruga ou a águia-real. As árvores estão identificadas, tornando o passeio no parque uma lição de ciência.

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  • Princípe Real

É um espaço com mais de 140 anos de história e um jardim científico por excelência. Que quer isto dizer? Que no centro da sua existência estão o estudo e a investigação. Foi criado em meados do século XIX como complemento do ensino em botânica da Escola Politécnica de Lisboa num local (o Monte Olivete) que já contava mais de dois séculos de estudo das espécies vegetais, por parte dos jesuítas. A partir de 1873, vêm plantas dos mais variados territórios então sob soberania portuguesa. Entre as espécies presentes, as cicadáceas e uma notável diversidade de palmeiras, vindas de todos os continentes, dão um cunho tropical ao jardim. Há também espécies tropicais da Nova Zelândia, Austrália, China, Japão e América do Sul, muito bem adaptadas a Lisboa. A 4 de Novembro de 2010, o Jardim Botânico foi classificado como monumento nacional.

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  • Belém

Muito perto do Mosteiro dos Jerónimos, este jardim de sete hectares (cinco dos quais abertos ao público) é habitat de 600 espécies e, portanto, um oásis de folhagens que não se encontra em nenhum outro lugar da cidade. Começou a ser criado em 1906 em Sete Rios, por decreto régio, e foi chamado de Jardim Colonial. Seis anos depois passou para Belém, mantendo a forte vocação de estudo e investigação relacionada com as antigas colónias, sobretudo do continente africano. Do período inicial do Jardim Colonial resta a botânica, mas também a Estufa Principal, em ferro, conta a Universidade de Lisboa, que gere o espaço. Há ainda um episódio que marcará para sempre este jardim: aqui se realizou a Exposição do Mundo Português de 1940, que incluiu "um 'zoo humano' relativamente tardio na Europa, com habitantes vindos deliberadamente dos Bijagós, Guiné Bissau, que viveram e estiveram 'expostos' na ilha de um dos lagos do jardim, para deleite dos visitantes". Hoje, quem visita o local há-de deliciar-se com as velhas araucárias, lauráceas da Macaronésia, palmeiras ameaçadas de extinção, várias gingko biloba, enormes figueiras e muitas outras espécies tropicais e sub-tropicais.

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  • Estrela/Lapa/Santos

Foi criada em 1742 para usufruto de reis e suas afinidades, mas, em 1910, o Governo Provisório da República Portuguesa avisou: “A Tapada estará aberta ao público permanentemente, servindo para passeio (...) bem como para a lição das coisas.” A declaração mantém-se actual e o parque botânico de dez hectares, que terá inspirado Manet a pintar Almoço na Relva, continua a ser um dos lugares mais especiais da cidade. Não nos esqueçamos, porém, que a mui real e nobre Tapada já teve dias bem melhores. Há um Plano de Salvaguarda do parque que anda, há vários anos, para trás e para a frente, sem que a sua recuperação avance. Enquanto isso, sofrem a vegetação, os lagos e belíssimos exemplares como a estufa circular ou a estatuária do jardim. 

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  • Alcântara

Está a ver um campo de futebol? Agora imagine... 900. Todos juntinhos. É mais ou menos essa a dimensão do Parque Florestal de Monsanto, também conhecido como o pulmão de Lisboa, mas que já foi um vasto terreno árido, depois de décadas de produção intensiva de cereais. Hoje, Monsanto tem mais de 250 mil árvores de diferentes espécies, do choupo ao sobreiro, grandes parques infantis, espaços para eventos, percursos de corrida, caminhada e de ciclismo (incluindo rotas técnicas de BTT), circuitos de manutenção, um clube de ténis, restaurantes, esplanadas, campos de basket e o que mais conseguir imaginar, incluindo prados para se estender ao sol. Criado como parque florestal em 1934, sob a inspiração de bosques urbanos como os de Paris e pela mão do arquitecto Keil do Amaral (que dá nome ao anfiteatro do parque), Monsanto tornou-se um dos maiores locais de evasão em Lisboa. 

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  • Alvalade

O nome comum ajuda melhor a perceber que parque é este. Conhecido como Mata de Alvalade, tem várias zonas de prados, arborizadas, parque de merendas, parque infantil, um circuito de manutenção e duas mesas de pingue-pongue. A evitar turistas e intempéries sempre que pode, lá resiste a Esplanada da Mata, onde nos podemos sentar em porções de troncos de árvore para beber um belo sumo natural. Fora os consumíveis, o percurso que circunda o parque é também um atractivo, conduzindo por oliveiras, freixos, cedros e sobreiros. Ao todo, são 11 hectares para explorar, na companhia de melros e toutinegras. E, pelo meio, há pequenas estruturas (como pontes) a ajudar a fazer manobras e exercícios.

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  • Benfica/Monsanto

Foi inaugurado em 1911 numa das parcelas da antiga Quinta da Feiteira, onde existia uma zona de bosque que rodeava o Palácio João Carlos Ulrich. O proprietário seguinte, César José de Figueiredo, doou o terreno à cidade com a condição de o transformar em espaço público de lazer. Desde então, além de árvores frondosas e banquinhos para sentar, o parque tem fauna variada (galinhas e pavões inclusive), um parque infantil, um parque de merendas, uma cafetaria com esplanada nas antigas casas de banho públicas, uma esplanada no topo da "colina" e um campo de padel. O circuito é exigente mas a frescura da mata ajuda a seguir caminho.

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  • Benfica/Monsanto

É um pequeno campo dentro da cidade, com as suas hortas bem cuidadas pelos habitantes de Benfica, grande área relvada e um percurso de calma. Há também um quiosque, parque infantil e uma vista contrastante para o Centro Comercial Colombo. Para correr, caminhar, andar de bicicleta, fazer piqueniques ou simplesmente estar, é das melhores zonas verdes de uma das maiores freguesias da cidade. Já agora, um pouco de história: o nome refere-se à quinta que ali existe desde pelo menos o século XVII. Em 1703, João Coelho de Melo mandou edificar uma casa no cimo de uma pequena elevação e em volta plantar um grande jardim. A casa, na Quinta de Cima, ainda lá está, com as mesmas características marcadamente rurais. 

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  • Marvila

É um parque verde que se inicia junto aos armazéns da Doca do Poço do Bispo e se estende para Este ao longo de 600 metros, ocupando quatro hectares junto ao rio Tejo. O projecto é do atelier f/c, das arquitectas paisagistas Catarina Assis Pacheco e Filipa Cardoso de Menezes, que contou numa fase inicial com a plantação de 360 árvores, centenas de arbustos, um percurso ribeirinho e outro interior. Pelo meio há esculturas, uma esplanada, zonas lúdicas, ciclovia e um espaço que aluga bicicletas. No futuro, o parque que surgiu na sequência do empreendimento Prata Riverside Village há-de estender-se para a zona da Matinha.

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  • Parque das Nações

Muito perto do Oceanário de Lisboa e do rio Tejo, este espaço é um jardim mas também uma escultura, já que o próprio terreno simula o movimento das águas. Assinado pela artista plástica Fernanda Fragateiro e pelo arquitecto paisagista João Gomes da Silva, responsável pela maioria dos espaços verdes do recinto da Expo’98, o Jardim das Ondas tornou-se espaço de brincadeira e de contemplação. Sem regras para rebolar nem para nos encostarmos numa das ondas a ler, é um dos espaços verdes mais singulares de Lisboa. "Aquilo que é importante é o vago ondular que essas mesmas formas sugerem, é o convite que nos fazem a usá-las: subir, descer, correr, saltar, estar… Estas relações que as formas sugerem possibilitam o encontro entre as pessoas e a paisagem, permitem uma intensa experiência", descreve a artista.

Lisboa ao ar livre

Comer, beber e conviver são verbos que se conjugam melhor ao ar livre. Anda à procura de um restaurante ou um café com esplanada? Numa cidade como Lisboa, com tanto sol, o número de opções é virtualmente infinito. Nos arredores, passa-se o mesmo – em Oeiras, Cascais, Sintra, Almada... O nosso trabalho é dizer-lhe quais são as melhores e mais entusiasmantes esplanadas para o Verão de 2026.

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