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O melhor pastel de nata de Lisboa era até agora um segredo de turistas

pastéis de nata
Fotografia: Manuel Manso

A Pastelaria Santo António já abriu há quase dois anos, no bairro do Castelo, uns números acima do Chapitô. Na última quarta-feira, conquistou o título de melhor pastel de nata de Lisboa. Foi a primeira vez que participou no concurso do festival gastronómico Peixe em Lisboa. Mas no número 10 da Rua do Milagre do Santo António nem tudo são pastéis.

A fachada do primeiro andar – com duas portas e uma janela a meio, para os mais curiosos – está decorada com azulejos. Por cima, surgem três painéis de Santo António. Já lá estavam antes da pastelaria inaugurar, projecto de um estrangeiro anónimo que sonhou com uma casa do pastel de nata, uma das mais populares especialidades da doçaria portuguesa. “Agora temos de defender o prémio. A expectativa aumenta, mas a exigência mantém-se. As pessoas que venham”, convida Luís Ascensão, o chef responsável pelo dia-a-dia nesta pastelaria no Castelo.

Por enquanto, o prémio ainda não trouxe novos clientes, mas Luís Ascensão espera que isso mude nos próximos dias. Se até agora só por aqui passam praticamente turistas, talvez a curiosidade por descobrir o melhor pastel de natal de Lisboa consiga inverter a situação. 

Fotografia: Manuel Manso

O espaço é um corredor amplo, chão e tecto em madeira e candeeiros a pender, por cima do balcão de serviço. Na montra gulosa, os agora melhores pastéis de nata de Lisboa (1€/unidade) convivem com diferentes ofertas de pastelaria, desde opções de pequeno-almoço a tiramisús (3€). À direita, o “aquário”, a cozinha onde decorre a última etapa do fabrico de pastéis, faz as delícias dos turistas, que param para ver os chefes pasteleiros a esticar a massa folhada.

“Quando chego, de manhã [antes das cinco e meia], ligo o forno primeiro e depois começo a tirar o que precisa de levedar para fora”, explica João Santos, técnico de pastelaria. “Nós temos sempre pastéis com a massa aberta de um dia para outro – é o que estamos a fazer agora –, que vou enchendo com creme, para as primeiras fornadas.” João, Luís e Cláudio estão a abrir a massa folhada – que não deve ser nem demasiado grossa nem demasiado fina – nas formas de pastel de nata. “Há máquinas para abrir a massa, mas nós abrimos à mão, mais de mil por dia. A massa fica melhor, em qualidade e em aspecto.”

 

Fotografia: Manuel Manso

 

O forno aquece a 390 graus e a 385 graus, no topo e na base, respectivamente, para não queimar a massa. “Testámos várias temperaturas e chegámos à conclusão que esta era a melhor combinação. O creme tem aquela cor característica e o pastel não queima por baixo”, acrescenta João, enquanto Luís aperta um pastel para se ouvir a massa a estalar. “A massa tem de fazer isto e sair às lâminas, quando descascamos, e o creme deve estar cremoso sem estar demasiado líquido.”

Antes é preciso fazer a massa. É no “laboratório”, no segundo andar, que a magia acontece. Além de um espaço com mesas e cadeiras, para os clientes, há uma segunda cozinha, destinada ao fabrico da massa folhada, mas também do que chamam pastelaria fina, pão e cerca de uma dúzia de sabores de gelados artesanais, disponíveis o ano inteiro – desde morango, chocolate e baunilha a amendoim, banana e até manjericão. Custam entre 2,80€ (cone ou copo pequeno) e 22€ (uma caixa de um litro) e podem ser acompanhados por crepes ou waffles com açúcar e canela (3,50€). É possível acrescentar outros toppings, como mel, compota, fruta ou Nutella.

Fotografia: Manuel Manso

Às terças e sábados, há pão alentejano, avisa João, que explica que a massa é preparada dois dias antes. “É feita com farinhas de trigo e centeio biológicas, à moda antiga, e é de fermentação prolongada.”

No futuro, esperam ocupar novas moradas, quem sabe de norte a sul de Portugal, e já estão em obras no país vizinho. Luís Ascensão revela: “Estamos interessados na Madeira, brevemente estaremos em Espanha e para o ano queremos renovar o prémio.”

Rua do Milagre de Santo António, n. 10. Dom-Seg 08.00-20.00; Sex-Sáb 08.00-21.00.

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