Padaria 110
Rita Chantre | A pastelaria da Padaria 110
Rita Chantre

Aqui é mais bolos: as melhores pastelarias em Lisboa

Entre clássicos da cidade e doçaria internacional, são 25 as pastelarias com fabrico próprio que merecem a visita em Lisboa.

Beatriz Magalhães
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Bolos, pastéis, jesuítas, éclairs, madalenas, folhados... A lista podia continuar mais duas ou três linhas que nós ficaríamos aqui, a salivar, em frente ao ecrã. A pastelaria é talvez das melhores coisas da cultura urbana e gastronómica portuguesa (nem vale a pena negar) e muitas casas com fabrico próprio são verdadeiras tentações para os mais gulosos. Portanto, não deixe para amanhã o que pode fazer hoje, aproveite o pequeno-almoço, o lanche ou qualquer hora do dia para ir experimentar as especialidades destas 25 pastelarias com fabrico próprio em Lisboa. Prepare-se para sair de barriga cheia.

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As pastelarias com fabrico próprio em Lisboa

  • Chiado

Mimos de freira, pudins de São Bernardo, torrões reais, queijinhos do céu, coroas de abadessa e castanhas de ovos. Os doces dourados e reluzentes, a maioria premiados em competições de doçaria conventual, são “muito elaborados e demoram muito tempo a fazer porque exigem muita mão-de-obra”, explica Paula Alves, a dona, há mais de 40 anos à frente do negócio. Os doces seguem as antigas receitas tradicionais dos Monges de Cister de Alcobaça. Cada um tem as suas particularidades mas as bases estão lá sempre: os pontos e as caldas de açúcar perfeitas, feitas em tachos de cobre. A imagem de marca da casa é a Cornucópia, um doce em cone recheado com um cremoso doce de ovos, que ganhou o prémio de melhor doce conventual na Mostra Internacional de Doces & Licores Conventuais em 2013. São feitas há mais de 30 anos. Os bolos vêm todos os dias de Alcobaça menos os pastéis de nata, feitos hora a hora na pastelaria e sempre que saem do forno toca o sino. 

  • Cafés
  • Campo de Ourique
  • Recomendado

A primeira pastelaria Aloma abriu portas em 1943, em Campo de Ourique. Desde então, muito aconteceu. A Aloma – que é, desde 2023, Loja com História – conta já com mais cinco espaços em Lisboa, um em Cascais, um em Vila Nova de Gaia e mais outro em Madrid. E já venceu cinco edições do concurso O Melhor Pastel de Nata, incluindo a de 2025. Se os pastéis de nata não o chamarem até lá (o que é difícil de acreditar), fique a saber que há outros bolos, como guardanapos, bolos de arroz, bolas de berlim e mais.

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  • Campolide

A localização não é um acaso, embora tenha sido praticamente um golpe de sorte. Ao passear na zona, onde têm os filhos no Liceu Francês, Sandra Castro e Pedro Oliveira viram num empreendimento prestes a nascer o espaço perfeito para dar forma ao sonho de criarem um negócio próprio. O casal, vindo de França há cerca de três anos, sentia falta de uma pastelaria à boa maneira francesa. Apesar de virem de áreas completamente distintas, atiraram-se de cabeça e criaram a BomBom Pâtisserie, em Campolide. O espaço é amplo e bonito, colorido e contemporâneo. Na montra, saltam imediatamente à vista as cores dos choux e das finas tartes de assinatura, além dos croissants e dos pains au chocolat.

  • Cafés
  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real
  • Recomendado

A vista para a cozinha do Bread & Friends faz parar quem passa. Do lado de lá, tanto se amassa pão, como se fazem belos exemplares de pastelaria. Lá dentro, a paisagem estende-se, com uma das paredes em vidro. A ideia é tornar o processo totalmente transparente e convidar os clientes a acompanhar a produção, tanto do pão de fermentação longa como da pastelaria de assinatura – e a oferta é bem vasta. O conceito é do grupo Sana, que não se esqueceu do hábito bem português de beber café e apostou também numa máquina de torrefacção, instalada mesmo à entrada do espaço.

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  • Pastelarias
  • Sete Rios/Praça de Espanha

A Califa abriu em 1968 e é uma das mais altas referências pasteleiras (e croqueteiras) da cidade. Foi o primeiro café do bairro com projecção no resto da cidade e tem três pisos: no primeiro andar fica o restaurante, café no R/C e a magia acontece toda na cave. É daí que saem as estrelas da companhia: além dos croquetes, foi aqui que nasceu o Pastel de São Domingos de Benfica, após um desafio lançado pela junta de freguesia às suas pastelarias de fabrico próprio. Condição? Ter alfarroba, em homenagem à vizinha Quinta da Alfarrobeira. Vencedores são também os bolos de chocolate Garibaldi (uma breve pesquisa no Google para quem não sabe ajuda a esclarecer), os babás cheios de creme, ou o famoso bolo indiano de café. Ao quilo é possível encomendar bolo rei, bolo de chantilly com morangos ou ananás, castelão ou brigadeiros. 

  • Cafés
  • Estoril

Quando chegou a Portugal, Carolina Sales trazia na bagagem mais de dez anos de experiência (chegou a ter três lojas no Rio de Janeiro) e uma legião de seguidores no Brasil. Não tardou a dar nas vistas em Oeiras com a sua confeitaria fina – não só com os brigadeiros, que foram o início de tudo, mas também com os bolos caseiros, as tartes, as bolachas e até uma linha fit. Três anos depois, a marca cresceu para o Estoril. O novo espaço tem a pinta romântica do primeiro e quer acolher clientes a todas as horas do dia. Entre as opções de pequeno-almoço ou brunch estão panquecas e gaufres, croissants, bagels, iogurtes, açaí, omeletes, tostas e, claro, bolos. Para refeições leves ao longo do dia – porque, afinal, aqui nem tudo é doce – há salgadinhos (croquetes, empadas, coxinhas e quiches), tartes salgadas e pratos do dia.

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  • Princípe Real

Fundada em 1838, a confeitaria do Príncipe Real fazia parte da rotina de Eça de Queirós, que ali parava para uma bica e um pastel de nata antes de descer ao Chiado. É aqui que se faz a famosa marmelada em formas de bronze, segundo a receita dos monges da Ordem de Cister – que geriram a casa desde o princípio do século XX até meados dos anos 40. Todos os anos saem daqui 400 quilos, mas há mais, como as queijadas e os merengues feitos pelos pasteleiros, que pegam às quatro e meia da manhã.

  • Cafés
  • Baixa Pombalina

Foi a confeitaria que trouxe o bolo-rei para Portugal, uma receita que se mantém inalterada desde 1875 e continua a ser motivo de romaria por altura do Natal. Nesse ano, já a casa fundada por Balthazar Roiz Castanheiro funcionava há 46 anos e seis gerações passadas continua a cargo da mesma família. Na casa-mãe, localizada na Praça da Figueira, pode bebericar um chá e decidir-se entre algumas das especialidades, como pastéis de nata, duchesses ou enfarinhados (massa de amêndoa envolvida numa boa camada de açúcar em pó).

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  • Pastelarias
  • Campo de Ourique

Na Dacquoise, em Campo de Ourique, a pastelaria fina francesa tem preços mais acessíveis para se tornar numa pastelaria do bairro, para todas as horas do dia. E tem todos os clássicos, do Paris-Brest em forma de flor às tartes de fruta, de morango com pistáchio e creme de pasteleiro, de limão merengado ou de cassis. Há ainda o Opera, o mi cuit, qual petit gateaux de chocolate, os financiers, os éclairs fresquinhos, e mil-folhas, croissants simples ou recheados. A vertente pastelaria complementa-se com a de padaria, com fornadas quentes a sair várias vezes ao dia, e também com os salgados, com sanduíches francesas de queijo brie, de presunto, de frango ou paio do lombo e saladas, que compõem menus de pequeno-almoço e almoço. Também há menu de brunch.

  • Santos

Quando os irmãos Lourenço e António Mello abriram a doBeco, já tinham alugado um espaço em Santos, que iria acolher a sua primeira padaria. Com atrasos nas obras, acabaram por abrir primeiro em Arroios. No fim de 2024, deram, finalmente, a conhecer o segundo espaço, bem mais espaçoso e luminoso. O grande destaque vai para a cozinha visível da sala, onde se fabrica toda a pastelaria. Aqui, tanto a carta como os objectivos da marca continuam a ser os mesmos – qualidade, simplicidade e o toque português que, acredita Lourenço, distingue esta das restantes padarias do género. Os pratos de brunch, como é o caso do ovo tornado, são os mais adorados, mas no campo da pastelaria também há fortes concorrentes. Todos os meses, há criações especiais, mas os clássicos, como o croissant, simples, com amêndoas, pistáchio ou avelã, o palmier, o pain au chocolat, o rolo de canela, ou a babka não deixam ninguém ficar mal.

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  • Pastelarias
  • Benfica/Monsanto

A pastelaria Evian tem os melhores exemplares daquela espécie triangular que não obedece a religiões – a não ser que pertença à dos gulosos – a que chamam de jesuítas. São pequenos mas pesadinhos, carregados de doce de ovos e cobertos de pedaços de amêndoa. Se tudo correr bem, não teremos nenhum Marquês de Pombal a querer expulsar esta ordem da doçaria de Benfica, como no século XVIII fez com a ordem religiosa. Deelicie-se ainda com croissants, que são uma maravilha, e palmiers, um desafio aos que não aguentam um bolo que sai fora do prato.

  • Cafeteria
  • Benfica/Monsanto

A pastelaria número 1 fica noutra artéria da freguesia, na Rua João Frederico Ludovice, mas sai igualmente bem servido neste espaço mais pequeno localizado na Estrada de Benfica. Afinal, há uns anos a Fim de Século venceu o concurso do melhor pastel de nata de Lisboa. Mas também há croissants de batata doce e umas tarteletes de gila, laranja e amêndoa que valem a pena a visita – isto para não falar das miniaturas. 

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  • Pastelarias
  • Cascais

Scones, folhados com doce de ovos chamados de maravilhas, parras, jesuítas, queijadas de Sintra, queques, trouxas de ovos, quindins e tortas de morango. Podíamos ficar aqui o dia todo a enumerar-lhe as especialidades desta casa, fundada em 1934, mas o melhor mesmo é passar por lá e mergulhar de cabeça neste doce mar de açúcar.

  • Pastelarias
  • Lisboa

Clara Perrot e Nicolas Pignat estão familiarizados com a expressão “Madeleine de Proust”. Não só porque são franceses, mas porque também eles sabem como uma trinca neste pequeno bolo os pode transportar para outros tempos. O casal inspirou-se assim nas memórias de infância para criar o menu, por isso as receitas são caseiras. As madalenas, macias e leves, são a estrela. Vai encontrá-las com sabor a baunilha, a flor de laranjeira, com cobertura de chocolate ou recheadas com praliné. Há também mini baguetes Goûter, brioches, cookies, brownie, cheesecake basco e bolo de amêndoa. Para beber, não falta café, da Flor de Selva, matcha, chocolate quente e até iced tea caseiro. Mas não é tudo o que o Iconico tem. Uma vez por semana, quando o relógio bate as seis da tarde, o café vira bar de vinhos, de seu nome Ocinoci.

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  • Pastelarias
  • Chiado/Cais do Sodré

Entre uma ou outra mudança de nome, as sobremesas delicadas de Juliana Penteado conseguem surpreender-nos sempre. Usando óleos essenciais para tudo ficar mais aromático, saboroso e cheio de benefícios, a chef de pastelaria tem sempre um menu que tem tanto de bonito como de guloso.

  • Francês
  • Estrela/Lapa/Santos

Se acredita no poder do marketing olfactivo, o melhor é não chegar perto da La Boulangerie, onde o ar cheira sempre àquelas idas aos bolos de madrugada na adolescência. Tudo culpa de um forno onde cozem croissants e pains au chocolat (dos autênticos), além de pratos mais compostos. Com bom tempo, a esplanada é um bónus. Tem uns menus compostos e uma lista extensa de bebidas quentes e sumos.

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  • Cafés
  • Campo de Ourique

Foi fundada em 1976, em Campo de Ourique, e todos os dias tem línguas de veado, pães de leite, mil-folhas, pastéis de nata e croissants simples ou recheados. Tudo feito na casa. E para que não haja dúvidas, na página de Facebook da pastelaria Lomar, faz-se questão de deixar claro que "todos os bolos e respectivos cremes, nomeadamente creme de pasteleiro e doce de ovo, continuam a ser confecionados da mesma forma e por nós". 

  • Padarias
  • Lisboa

O cheiro a pão e bolos toma conta deste troço da rua. Há quase dois anos que esta padaria e pastelaria francesa se tornou paragem de rotina nos Anjos. Uns vêm pelo pão, de fermentação lenta e feito na cozinha de produção, no Beato, com farinhas biológicas vindas de França. Outros chegam atraídos pelos bolos e croissants de aspecto irrepreensível. Há quem venha ainda pelo café, já que todas as semanas há novos blends a chegar à Lully 1661. Interessa saber que aqui se come a praticamente todas as horas do dia. Entretenha-se com as sanduíches de comté e fiambre francês ou com canelé, pequeno bolo fofo de crosta estaladiça, feito com rum, típico de Bordéus.

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  • Beato

Após cinco anos a vender bolos por encomenda nas redes sociais, Eduarda Meireles abriu um espaço na Penha de França. Aos bolos que tornaram a brasileira de Minas Gerais conhecida (e que agora vende à fatia), junta-se o pão de queijo, a estrela do novo espaço. E aqui, conselho de Eduarda, é para comer recheado. Com pernil, linguiça, frango ou cogumelos, com doce de leite ou goiabada – ou simples, vá, uma opção sempre segura para quem não gosta de arriscar. Os cogumelos são comprados num mercado local e a carne vem de um talho da vizinhança.

  • Pastelarias
  • Benfica/Monsanto

É um daqueles clássicos incontornáveis e à moda antiga – o espaço é grande e é comum o barulho de fundo a várias horas do dia, mas acaba por ser uma daquelas pastelarias onde já foram os avós e agora vão os netos, ou todos juntos como se quer. A montra de pastelaria é diversa: dos queques húmidos aos quindins, dos éclairs aos jesuítas. Ah! E se levar com umas piadolas dos empregados do tipo "copo d'água ou um copo com água?" não vale a pena sair aborrecido – lembre-se que foi lá para adoçar o bico.

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  • Pastelarias
  • Belém

Tudo começou com um bolo de chocolate com natas e frutos vermelhos que fazia suspirar os amigos de uma estudante de farmácia. Em Janeiro de 2012, os bolos da Marta deixaram de ser uma resolução de ano novo e tornaram-se numa marca de verdade, adequadamente baptizada de O Bolo da Marta. Os anos passaram e do digital, o projecto saltou para as ruas de Lisboa – primeiro na Lx Factory, depois no Chiado e agora em Belém. Os espaços iam ficando pequenos para a marca que não parava de crescer – em receitas e em popularidade. No número 95 da Rua Bartolomeu Dias, a apenas cinco minutos a pé do CCB, uma pequena esplanada e dois andares convidam a provar os bolos de suspiro que lhe deram fama. Mas não só. Também estão disponíveis outros bolos, opções salgadas, de pastelaria e de cafetaria, entre as quais se destacam tostas, bagels, bowls de iogurte e granola caseira, croissants, folhados e várias bebidas de café e matcha.

  • Chiado/Cais do Sodré

Quando se mudaram para Lisboa, Fabiana Souza e Larissa Castro começaram uma marca de cookies, que vendiam em feiras e mercados da cidade. Hoje, é no número 23 da Calçada da Estrela que têm o Oh! Sweet (que já é muito mais do que cookies). Também tem bolos, croissants, focaccias, batidos, e até chá das cinco. Um dos bestsellers da casa são as cookies, de vários sabores, mas conte com o banana bread, o bolo de coco gelado, a pavlova e o bolo de cenoura com chocolate ao estilo brasileiro. 

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  • São Sebastião

Joana Galo Costa tinha a sua padaria de bairro, em Sesimbra, de onde é natural. Lembra-se de, todos os fins-de-semana, ser preciso ligar para a dona Ricardina e encomendar o pão, senão este esgotava antes de lá chegar. Era praticamente religioso, como se comprar pão acabado de sair do forno fosse a cura para todos os seus males. E talvez até fosse. Então, Joana decidiu abrir a sua própria padaria, com o desejo de que se venha a tornar a padaria deste bairro, ou seja, de Picoas. O pão é rei, mas fique a saber que a pastelaria não fica nada atrás. A oferta vai mudando consoante as estações, mas costuma haver sempre napolitana, palmier, folhado de mel e sal, croissant da deusa (espécie de pão de Deus, mas melhor, garante Joana), bolo de arroz e croissant.  

  • Lisboa

A pequena fachada facilmente passa despercebida. Yeyeh abriu aqui um café, pensado à imagem e semelhança das pequenas lojas do país onde cresceu. Depois de alguns meses a vender bolos em mercados, os tradicionais wheel cakes (ou bolos roda) de Taiwan ganharam uma montra fixa. No Taiyaki Café também se serve chá – um oolong também muito bebido do outro lado do mundo – e café, mas são os doces taiwaneses que mais convidam a entrar. Por muito fofa e arejada que seja esta massa, o que move a grande maioria das pessoas é o momento em que saboreiam o creme que está no interior. Os recheios de creme de pasteleiro e de feijão azuki são clássicos, enquanto a matcha, o chocolate, o milk tea e a Nutella com banana são fórmulas próprias. Sobra espaço para uma última sugestão, o único bolo salgado do menu, com recheio de queijo e ovo.

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  • Cafés
  • Avenidas Novas

É uma das pastelarias mais bonitas de Lisboa, inaugurada em 1922, com os tectos trabalhados, espelhos em art nouveau e candeeiros de cristal. Desde então, mantém-se como referência também em tudo o que serve, do tradicional bolo-rei à pastelaria em geral que torna as vitrinas desta pastelaria numa das mais gulosas da cidade. Mas a Versailles não se fica pelos éclairs, nem se esgota nos pastéis de nata, nem nos espessos chocolates quentes. É exímia também à hora da refeição. Tem carne de bom corte com a qual faz famosos os croquetes e os pregos no pão. O café sai bem servido e é, há quase um século, ponto de encontro de várias gerações. 

E para os mais gulosos

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