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O Pátio das Antigas: O quiosque que ardeu por causa da política

Ponto de encontro dos progressistas radicais no Rossio, o “Quiosque dos Libertários” foi incendiado por populares em 1913, após um sangrento atentado à bomba nas Festas da Cidade.

Escrito por
Eurico de Barros
Quiosque dos Libertários
DR
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Os quiosques fizeram a sua aparição em Lisboa em meados do século XIX, mais precisamente em 1869, por influência do artista e escritor D. Thomaz de Mello, que os havia visto em Paris. Foram considerados pela Câmara Municipal como “forma de embelezamento e coisa útil à cidade”. Lá se serviam bebidas como café, capilé, gasosa, chocolate quente ou cerveja, sem esquecer tabaco, jornais, revistas e bilhetes de lotaria. Em 1900, começaram também a vender-se sorvetes. Eram ainda pontos de encontro para conversar e saber as últimas notícias e mexericos sociais ou políticos.

O primeiro quiosque a ser instalado em Lisboa terá sido o do Rossio, que era conhecido por vários nomes: o “Elegante”, o “Bóia”, mas principalmente o “Quiosque dos Libertários”, por se ter tornado no ponto de encontro e reunião favorito dos progressistas mais radicais, que ali combinavam as suas acções revolucionárias. No Verão de 1913, o quiosque foi incendiado por populares em fúria, na sequência da explosão de uma bomba durante o cortejo de homenagem a Camões que fazia parte das Festas da Cidade, e que causou vários feridos. Na sequência destes acontecimentos, foram presos muitos anarquistas e sindicalistas. Reconstruído pelo novo dono, o “Quiosque dos Libertários” esteve ainda mais uns anos no Rossio, pelo menos até depois da I Guerra Mundial, até acabar por ser desmontado e retirado.

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