A Time Out na sua caixa de entrada

Rei da Cachupa
Duarte Drago

O Rei da Cachupa mora em Arroios?

Por
Claudia Lima Carvalho
Publicidade

Quando se passa na rua, é difícil ficar indiferente ao nome que se lê nos toldos negros: Fox Coffee – O Rei da Cachupa. Afinal, como é que um restaurante que acaba de abrir portas se coloca nesta posição soberana? “Não temos medo, aqui está mesmo o rei”, diz-nos Traciano Tarrozo, gerente do reino.

“Apesar de termos aberto em Setembro aqui em Arroios, já existíamos na Bela Vista há cerca de três anos e não havia ninguém que não dissesse que a cachupa era a melhor”, continua Traciano.

Fox, que dá nome ao restaurante, é homem responsável por essa iguaria gulosa e de prato cheio. “Ele chama-se António, mas toda a gente o conhece por Fox. E apesar de ser português, tem raízes cabo-verdianas, da ilha do Sal”, conta o gerente. 

Duarte Drago

A receita vem de casa, foi aprendida com os pais. “E ao longo do tempo tem vindo a apurá-la”, diz Traciano. 

Mas voltemos ao início: antes de se dedicar à restauração, Fox era modelo e a cachupa era o prato estrela de todos os almoços e jantares que fazia em casa com amigos e familiares. “Todos o chateavam para abrir um restaurante e ele decidiu então começar pela Bela Vista. Correu muito bem, mas agora sentia que estava estagnado. Queria chegar a mais pessoas”, explica. 

Fechou então esse espaço para abrir no bairro mais cool do mundo. E não podia estar a correr melhor, garante Traciano. O restaurante não é muito grande, mas é acolhedor. Há apontamentos africanos aqui e ali e a banda sonora é sempre cabo-verdiana. Na rua há uma esplanada com uma dezena de mesas. 

O nome tem chamado muita clientela e não há quem saia desiludido. Apesar de ter outros pratos na carta, como frango à Fox (7,50€), piano no forno (7,50€) e bife da vazia com grogue (11€), ou bacalhau à brás (9€) e bacalhau à padeiro (11€), é, obviamente, a cachupa que se vê mais a chegar às mesas. Mas também aqui há variedade: “Muitas pessoas nem sabem, mas a cachupa até começou por ser um prato de peixe porque o povo era pobre e vivia à beira-mar”. 

Duarte Drago

“A verdade é que a receita de cachupa vai variando conforme as ilhas, há muitas receitas”, explica Traciano, que aprendeu com Fox toda a história deste prato.

O prato que tem mais saída é a cachupa de carne (8,50€), servida num pequeno tacho de barro, que vem cheio até cima e onde não falta nada. Mas pode sempre experimentar a cachupa de peixe (9,50€) e até mesmo uma versão vegetariana (8,50€), para que ninguém fique de fora. 

E não se fica por aqui: na maior parte dos dias, há cachupa refogada, servida igualmente num tacho de barro e com um ovo estrelado por cima. “Há muitos cabo-verdianos que vêm aqui e pedem antes esta cachupa porque a conhecem. A cachupa refogada é uma forma de aproveitar a comida quando esta já não é do dia.” Tal qual a nossa roupa-velha.

Duarte Drago

Seja qual for a escolha, não se esqueça de pedir o picante, feito aqui. 

Para a sobremesa, Traciano recomenda a mousse de manga (2€).

Se for à noite, pode sempre deixar-se ficar. "Queremos ter a vertente bar também. Pomos uma música e bebem-se uns copos." Se pedir com muito jeitinho, pode ser que consiga comer uma cachupa fora de horas, mas não diga que lhe contámos. Em breve contam ter brunch ao fim-de-semana, mas por agora isso é só uma ideia.

Rua António Pedro, 173 (Arroios). Ter-Qui 10.00-23.00. Sex-Sáb 10.00-02.00. Dom 10.00-17.00.

Os melhores restaurantes africanos de Lisboa

Últimas notícias

    Publicidade