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O Rossio na Betesga #32: a outra casa dele é um museu

Por Helena Galvão Soares
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Quem siga em passeio pela pacata Rua do Sacramento à Lapa, morada de discretos edifícios de embaixadas, não está à espera deste assalto. Um assalto visual, esclareça-se.

No número 24, tudo é exuberância. Aqui impera a decoração em cerâmica nas suas diversas formas: há bustos, estatuetas, painéis de azulejo do século XVIII, azulejos relevados, ornamentação variada. As esquinas do edifício são rematadas por cunhais de bolas coloridas, há bustos sobre as janelas de sacada e painéis de azulejo a azul e branco, do século XVIII, na base. A varanda parece um catálogo de tudo o que se pode fazer do azulejo à faiança: uma moldura a lembrar as cordas e nós do manuelino; ao centro, em cima, uma Medusa Górgona, com as suas asas na cabeça, rodeada de cachos de uvas e parras e flores de nenúfar em relevo, a fazer lembrar Rafael Bordalo Pinheiro.

Casa Visconde de Sacavém
© Duarte Drago

Tudo isto tem uma explicação: este é o palacete que José Joaquim Pinto da Silva, visconde de Sacavém, mandou construir, em 1897, para sua residência em Lisboa. As peças que vemos na fachada (à excepção dos painéis do século XVIII) foram produzidas na sua Fábrica de Produtos Cerâmicos de Campolide, a descendente do Atelier de Cerâmica que tinha fundado nas Caldas da Rainha, na quinta de veraneio que lá possuía. É que, além de coleccionador, o visconde foi um grande impulsionador e mecenas da decoração cerâmica caldense, no período em que brilhavam nomes como Rafael Bordalo Pinheiro, o modelador Avelino Belo e o director artístico da Fábrica de Faianças Joseph Fuller.

No palacete e nos jardins da quinta das Caldas da Rainha, o visconde integrou as peças que adquiria em demolições, obras de remodelação e antiquários, pelo que é um edifício de enorme valor patrimonial, com painéis do século XVI ao XIX e, claro, peças do início do século XX. E, sim, é hoje o Museu da Cerâmica das Caldas da Rainha, foi adquirido pelo Estado em 1983. Em Lisboa, a Casa do Visconde de Sacavém está classificada como Monumento de Interesse Municipal desde 2006.

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