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O velho Zapata renovou-se, mas o polvo e os croquetes são os mesmos de sempre

Ângelo e Glória reformaram-se. Os históricos proprietários do Zapata entregaram o restaurante ao filho e a dois novos sócios. Findos os trabalhos de modernização, a casa reabriu em Fevereiro. Na carta, há novas iguarias e clássicos de sempre.

Mauro Gonçalves
Escrito por
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
Zapata
Rita Chantre | Zapata
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Foram demasiados serões passados à mesa (ou ao balcão), com imperiais, croquetes e filetes de polvo, para que agora se transfigurasse a casa, sem dó nem piedade. O Zapata, cervejaria aberta desde 1975, fechou por pouco mais de um ano e abriu em Fevereiro último de cara lavada. Quem tem memória daqui entrar, continua a conhecer os cantos à casa – balcão à direita, cozinha mesmo em frente e salas ao fundo à esquerda. Então o que é que mudou? A pergunta é oportuna. Levou uma nova pintura, tem mesas e cadeiras a estrear e uma mão-cheia de novos pratos no menu. O que é que se mantém? Além de Nuno, o filho dos anteriores proprietários e cara bem conhecida dos clientes mais fiéis, umas quantas iguarias imprescindíveis.

Zapata
Rita ChantreGambas salteadas e amêijoas à Bulhão Pato

"Basicamente, a minha mãe, que era a cozinheira, veio para cá duas semanas mostrar como é que se faziam alguns pratos que achámos que seriam os mais icónicos – as gambas à Brás [15,50€], o bacalhau à Brás [15,10€] os filetes de polvo com açorda [16,80€], o polvo à lagareiro [23,10€]. Para o Inverno, vamos tentar fazer feijoada à transmontana, umas dobradas. O nosso objectivo é termos comida típica portuguesa, agora com uma apresentação dita diferente", explica Nuno Sousa, que permanece ligado ao espaço, ao lado de outros dois sócios.

Para Carlos e Pedro Torres, proprietários do Grupo éLeBê, é uma estreia na restauração lisboeta. "Sem fugir ao conceito, tentámos adaptar à realidade existente. Daí termos alterado um bocadinho a decoração e também a carta, que era uma carta à moda antiga, muito extensa", completa Carlos. Já as novas adições ao receituário do Zapata ficaram por conta da dupla nortenha, com fortes raízes minhotas. Trouxeram a pá de cabrito (52€), a francesinha (14,90€), uma costeleta arouquesa DOP (75€/Kg)e um bacalhau, entretanto baptizado de Zapata (23,10€/46€,20€), uma espécie de bacalhau à Zé do Pipo em esteróides, ainda hoje servido no restaurante da família, em Braga.

Zapata
Rita ChantreZapata

Com os preços actualizados – para cima, entenda-se, e em virtude de um aumento da qualidade dos produtos, segundo a gerência –, o restaurante também teve de ajustar o horário. Sem almoços durante a semana, apenas um horário contínuo ao sábado e domingo, dias em que os proprietários querem puxar pelos copos e pelos petiscos ao longo da tarde, a clientela dividiu-se. "As pessoas vêm à procura da comida da minha mãe. Algumas gostam, outras dizem que não é a mesma coisa. Já tive clientes a chegarem aqui e a dizerem que vinham cá todos os dias e que têm saudades das outras pessoas", recorda Nuno.

À gerência resta manter velhos e reconfortantes hábitos. O fornecedor de peixe fresco é o mesmo com que trabalhava o senhor Ângelo. Os quadros na parede, alguns pintados por clientes sobre toalhas brancas de papel, parece que nunca chegaram a sair do lugar. O ambiente ao balcão é de galhofa entre velhos conhecidos. Os croquetes (2,20€), um autêntico emblema da casa, continuam a sair quentinhos. Até o cai-bem, nome de código para a mistura de moscatel e vinho de pressão cunhada pelo senhor Ângelo, continua a sair sempre que solicitado.

Zapata
Rita ChantreZapata

Entre os locais aguerridos que continuam a rumar ao Zapata e os turistas que por aqui passam praticamente a todas as horas do dia, as noites têm sido de casa cheia, sobretudo ao fim-de-semana. Não que os longos almoços não tenham o seu encanto – especialmente, tendo em conta que é quando se serve uma das grandes especialidades deste livro de culinária intergeracional. Chama-se Arroz de Pica no Chão (45,90€/2pax) e a receita remonta a 1968. É, em boa verdade, uma valente cabidela à moda do Minho.

Rua do Poço dos Negros, 47-49 (São Bento). 92 944 3497. Seg-Sex 18.30-23.00, Sáb-Dom 12.00-11.00

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