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Kengo Kuma
©DR

Obras na Gulbenkian terminam em 2024, mas o CAM vai abrindo mais cedo

O projecto de expansão do Jardim Gulbenkian, que inclui a reformulação do Centro de Arte Moderna, estará concluído na primeira metade de 2024. Mas no próximo ano algumas áreas do edifício vão abrir para actividades culturais.

Escrito por
Renata Lima Lobo
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O projecto do arquitecto japonês Kengo Kuma e do arquitecto paisagista libanês Vladimir Djurovic, vencedores de um concurso internacional de ideias para o alargamento dos jardins da Gulbenkian e para a reformulação do Centro de Arte Moderna (CAM), foi apresentado em 2019. Estava previsto que a sua concretização demorasse dois anos, mas o prazo foi entretanto ultrapassado. Agora, a Fundação Calouste Gulbenkian avança que estará completado na primeira metade de 2024. “Embora já em 2023, em Julho, haja um conjunto de iniciativas que vão aproveitar áreas do edifício que já estarão disponíveis para acesso ao público nessa altura”, garantiu esta terça-feira o administrador José Neves Adelino, durante uma sessão pública de apresentação do projecto.

Kengo Kuma
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O Jardim Gulbenkian, concluído em 1969, foi desenhado pelos arquitectos paisagistas Gonçalo Ribeiro Telles e António Viana Barreto, tendo sido erguido no local do antigo Parque de Santa Gertrudes, propriedade de Vasco Maria Eugénio de Almeida. Filantropo que vendeu à Gulbenkian seis sétimas partes da sua área total, ficando apenas com a parcela onde se ergue a Casa de Santa Gertrudes, aquele edifício que lembra um castelo e que na verdade funcionou como cavalariças do antigo Parque de Santa Gertrudes. Em 2005, a Gulbenkian comprou parte do terreno junto a essa casa à viúva de Vasco Maria, enquanto que a casa e o respectivo logradouro permanecem na posse da Fundação Eugénio de Almeida. E foi esta operação que permitiu o lançamento do concurso internacional, do qual se sagraram vencedores Kuma e Djurovic, com um projecto que aposta na abertura da Gulbenkian à cidade e na continuidade da visão paisagista de Ribeiro Telles e Viana Barreto.

Obras Gulbenkian
©Time OutA obra em curso no CAM, vista da rua

Na sessão pública de apresentação estiveram presentes os dois arquitectos responsáveis pelo desenho da obra agora em curso que, com recurso a uma apresentação de slides voltaram a apresentar o projecto que, explica Kuma, cria "uma relação entre o jardim e o museu", com a ajuda de "espaço semi-exterior" onde se destacam duas gigantes palas, num design inspirado no que no Japão se chama “engawa”. Um caminho protegido por um beiral do telhado, normalmente encontrado nas casas tradicionais japonesas. A luz e a transparência foram as grandes apostas para este projecto, onde "as pessoas poderão sentir a natureza numa experiência totalmente nova", promete o arquitecto japonês, referindo-se à criação de pequenos jardins na cave no edifício, num prolongamento do espaço verde exterior, pensado por Vladimir Djurovic.

Kengo Kuma
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"Sempre foi o meu lugar preferido em Lisboa. Nem acreditei ter a oportunidade de intervir num espaço tão delicado", começou por dizer o arquitecto paisagista libanês, para quem este trabalho é “muito delicado”, muito por culpa da “intervenção poética” de Gonçalo Ribeiro Telles nos restantes espaços verdes. “Se ele continuasse seria natureza pura, com intervenção mínima”, imaginou, sublinhando que todo este projecto paisagístico é definido pelas árvores já existentes. A aposta recai sobre plantas nativas, que requerem menos água e manutenção e deixa uma recomendação: “Este pequeno jardim pode ser replicado em toda a cidade, criando habitats para todos os seres vivos e não apenas jardins para os humanos”.

Fundação Gulbenkian. Avenida de Berna, 45A

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