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Aurora Pinho
©Alipio PadilhaAurora Pinho

Open call aos artistas queer deste país fora

Abre esta quinta-feira a open call Amoras Silvestres, à descoberta de artistas queer pelo país fora. O concurso será em Maio na Casa Independente e o vencedor poderá editar um disco e entrar no cartaz do Queer Fest. Falámos com a mentora, a realizadora Francisca Marvão.

Por Clara Silva
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Depois de Ela É Uma Música, documentário de 2019 sobre as mulheres no rock em Portugal, Francisca Marvão, responsável pela produtora Uma Ova, está agora a preparar um filme sobre música queer. Na busca de novas bandas em Portugal, lembrou-se de criar uma open call para “ver que artistas andam aí que a gente não conhece”, conta. Conversou com os programadores do Queer Fest (Rui Eduardo Paes e Maria do Mar), que teve a sua primeira edição em Setembro do ano passado na SMUP, na Parede, e a ideia de uma “programação de música queer para conhecer os artistas” foi ganhando forma. Apesar da pandemia, e “sem certezas de nada”, falou com a directora artística da Casa Independente, Inês Valdez, e o concurso está marcado para o próximo mês, com a apresentação das bandas concorrentes a 14, 21 e 28 de Maio.

Até lá, procuram-se “artistas e bandas queer emergentes”. Seis projectos desta open call (as inscrições abrem na quinta, 1 de Abril, e decorrem até dia 30) vão ser seleccionados para as três noites de apresentação ao vivo em Maio e o grande vencedor, escolhido pelo júri, será incluído no programa do Queer Fest, a realizar em Setembro de 2021. O vencedor terá também direito a editar um disco através da Hysteria, uma plataforma de produção musical dedicada a “artistas mulheres, queer e de género-fluído e com foco em DJs, artistas sonoros experimentais e performers”. As noites de apresentação na Casa Independente, em Lisboa, contam com actuações de artistas queer já conhecidas como Violeta Luz, Aurora Pinho (que acabou de lançar um álbum e que terá um videoclipe com realização da própria Francisca Marvão) e Vitória & As Kalashnicoles. Quanto às bandas que se irão candidatar é difícil fazer previsões. “Isto acaba também por ser um risco porque não sabemos o que está a acontecer de novo. Se calhar vamos descobrir coisas muito interessantes”, afirma a realizadora.

Da pesquisa que tem feito para o seu filme sobre música queer em Portugal “há coisas muito boas e com uma grande diversidade que vale a pena conhecer”, diz. “Gostava que esta open call incentivasse pessoas a partilhar os seus projectos, essa é uma das minhas grandes preocupações, e também criar um espaço seguro e um ambiente superfixe onde as pessoas se sintam confortáveis para essa partilha.”

As candidaturas podem ser feitas através do e-mail com uma apresentação do projecto, dados da banda/artista e dos membros individuais que a compõem, respectivos instrumentos e conteúdos (originais) de vídeo ou áudio. “A ideia também foi juntarmo-nos e ajudar, dentro dos nossos meios, os artistas que estão a precisar nestes tempos de pandemia", continua Francisca. Os concertos na Casa Independente são um aspecto essencial do concurso, sublinha. “Os artistas não estão só numa coisa completamente underground, já estão a ir para casas com outro tipo de visibilidade – e isso quer dizer que também vão valorizar.”

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