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Photo Ark é um alerta: "Como estes animais, também nós podemos desaparecer um dia”

Por Raquel Fernandes
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Depois da passagem pela Galeria da Biodiversidade, no Centro Ciência Viva do Porto, é a vez da Cordoaria Nacional, em Lisboa, receber a arca fotográfica de Joel Sartore. Photo Ark, da National Geographic, reúne mais de 100 retratos de espécies selvagens em cativeiro e é um grito de alerta. Falámos com o fotógrafo norte-americano. 

A ideia para esta arca de Noé dos tempos modernos surgiu em 2005, quando o fotógrafo se questionou como poderia levar as pessoas a preocuparem-se com o facto de podermos perder metade das espécies animais até 2100. “Sou fotógrafo da National Geographic há cerca de 30 anos, e nos primeiros 17, fotografei vida selvagem. Fiz várias histórias diferentes sobre a conservação de lobos, ursos pardos, coalas, tudo em estado selvagem – Posso dizer que funcionou? Mudou o suficiente para alterar o curso da extinção? Não, não aconteceu”, diz Joel Sartore, por escrito, à Time Out.

Joel Sartore

Foi então que o fotógrafo da National Geographic percebeu a importância de documentar a diversidade e beleza das mais de 12 mil espécies selvagens em cativeiro, e iniciou a arca fotográfica de retratos. “Eu tento capturar a personalidade de cada animal para que as pessoas possam desenvolver uma ligação com eles. Espero que o público se sinta surpreso, e cativado ao ponto de querer aprender mais sobre as espécies, e seja levado a agir para as salvar", explica.

Ao longo de 13 anos, já percorreu mais de 300 jardins zoológicos, aquários, centros de reabilitação, e reservas de criadores particulares de todo o mundo, e fotografou mais de 8000 espécies, mas, apesar das dificuldades, a vontade de mudar o mundo continua. “O meu maior desfio com a Photo Ark é assistir à extinção das espécies. Um coelho, um peixe, insectos, muitos dos anfíbios já se extinguiram desde que os fotografei. Entristece-me profundamente, mas também me revolta e inspira a querer dar tudo por este projeto, e a usar a extinção como um alerta: da mesma forma que estas espécies desaparecem, também nós podemos desaparecer um dia.”

Photo Ark

Foi no decorrer desta missão quimérica que Sartore se deslocou a Portugal por três vezes para fotografar – a última delas no Jardim Zoológico, onde registou 11 novas espécies para a sua arca.

“A experiência no Jardim Zoológico de Lisboa foi 100% positiva", conta. "Hoje em dia a maioria de nós vive nas cidades, e os zoológicos acabam por ser das únicas oportunidades para ver e conhecer animais selvagens. O Photo Ark e o Jardim Zoológico de Lisboa têm muito em comum: ensinar e inspirar o público a importar-se o suficiente com o mundo natural para salvá-lo, enquanto ainda há tempo.”

O lobo-ibérico (Canis lupus signatus), a girafa-de-angola, o leopardo-da-pérsia (Panthera pardus saxicolor), o caimão-anão (Paleosuchus palpebrosus) ou o milhafre-preto (Milvus migrans), são apenas algumas das espécies ameaçadas que Joel fotografou, e que pode agora ver em exposição numa área dedicada a Portugal. 

Photo Ark

A estes exemplares juntam-se então mais de uma centena de fotografias nesta mostra da National Geographic, que é já a mais vista de sempre em todo o mundo. Para Sartore, o segredo do sucesso da exposição está no facto de os seus retratos nos porem lado a lado com os animais. "É possível ver realmente como é o animal, perceber a inteligência e entendimento nos seus olhos. Nos próprios retratos também não há comparação de tamanho. Todos têm uma voz igual.”

Do elefante-africano ao rato da praia de St Andrews, todos têm os olhos fixos na câmara, com um fundo branco ou preto. Em cada uma das fotos, Joel consegue humanizar as espécies, captar a sua essência, revelar a sua história e, acima de tudo, relembrar-nos a sua importância. “As pessoas são muito atraídas pelo contacto visual que as fotos proporcionam, e pelas histórias dramáticas, como o facto de, por vezes, aquele ser o último animal que resta de uma espécie inteira.”

Para além de todas as fotografias expostas, os visitantes podem ainda assistir a três documentários sobre a história e missão deste projecto, participar numa actividade interactiva ou ainda tirar selfies com algumas das fotos da exposição e habilitar-se a ganhar prémios National Geographic.

Photo Ark está na Cordoaria até 5 de Maio de 2019, durante todos os dias, inclusive Natal e Ano Novo.

Edição de Cláudia Lima Carvalho

Cordoaria Nacional. Avenida da Índia. Seg-Sex 10.00-19.00, Sáb-Dom 10.00-20.00. 9€/pessoa, 24€/família.

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