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Gabriell Vieira

Plantasia: uma fantasia de arte e vinho natural que ganhou vida

A Plantasia reúne no mesmo espaço, em Arroios, artistas emergentes e produtores locais de vinho e café. A primeira exposição já inaugurou..

Por
Francisca Dias Real
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Lisboa tem um novo espaço de arte contemporânea: a Plantasia. Não é só uma galeria. O mais recente inquilino da Rua de Arroios (número 93) é também um bar de vinhos naturais, sakés premium, doces e café de especialidade, e foi criado para servir de ponto de encontro entre artistas emergentes e produtores locais. O conceito é de Marcos Anjos e Alice Turnbull, que encontraram nesta antiga oficina de automóveis um open-space à medida das suas ambições.

“Procurámos durante muito tempo mesmo, porque vivíamos ambos em Arroios e não queríamos sair do bairro”, conta Marcos, que trocou o Brasil por Lisboa, tal como Alice. Ela mudou-se para a capital portuguesa em 2016, para fazer um mestrado de Audiovisual nas Belas Artes; ele ainda passou por Nova Iorque e foi-se dedicando a cursos e formações de café de especialidade e do maravilhoso mundo do vinho natural. “Logo quando acabei o mestrado eu tinha vontade de ter um espaço onde pudesse expor e trazer os trabalhos de outros artistas, que não têm espaço no circuito, para que pudessem ter um palco”, conta Alice. “Como uma galeria dificilmente é auto-sustentável, eu e o Marcos nos unimos para juntar às artes um bar de bebidas naturais e produtos locais. É uma ideia meio ousada”.

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Têm a chave na mão desde Novembro do ano passado, mas entre empreiteiros desonestos e uma pandemia a abertura da Plantasia foi sendo adiada. O espaço é amplo, com grandes portadas que abrem directamente para a rua e lá dentro o cimento domina, do chão ao tecto, tudo propositadamente inacabado. Um estilo industrial que se mistura com mesas douradas e sofás verdes de veludo. Atrás do balcão é de onde tudo sai no seu estado mais natural. “A gente consome tudo orgânico e aqui, em Arroios, não havia nada onde pudéssemos sair e tomar um copo de vinho natural, por exemplo”, diz Marcos.

As garrafas, que podem assumir cores e texturas desconhecidas para muitos, vêm da Caverna do Vinho, da Ladidadi, dos Goliardos, da Rebel Rebel, da Who’s Wine, da Wine Concept e da BFMM. “O vinho natural tem uma vantagem em relação ao outro: é saudável. É suco de uva fermentado e pronto, tem a menor intervenção possível”, refere. “E claro que tem toda a questão da produção local e do pequeno produtor, que dá uma outra atenção ao produto”.

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Além de promoverem a desindustrialização dos produtos, optaram uma tabela de preços  democrática, para que não se torne num obstáculo para quem os visita. “Aqui queremos quebrar toda a barreira, aqui qualquer pessoa pode falar com produtor do vinho que está a beber, que por sua vez tem uma história por detrás”, diz Alice. “Acho que finalmente as pessoas também começam a acordar para esta realidade de consumir o que é local. Ainda para mais Lisboa é Capital Verde e tem de se aproveitar para fazermos as coisas a sério”.

E se tudo é natural e o vinho ocupa lugar de destaque, também o café de especialidade vem à baila com a experiência de Marcos. O café é da Sgt. Martinho, uma empresa que se dedica ao café de especialidade – faz a torrefacção no Porto, mas opera e tem grande parte dos seus clientes em Lisboa. São eles o produtor/agricultor, o torrador e o barista. Controlam a cadeia em pequenas fatias. Logo, fazem par perfeito com a Plantasia. 

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A um bom café e a uma boa colecção de referências vínicas junta-se a cerveja da Musa, a kombucha da De la Selva e um saké premium natural. Para comer há alguns petiscos, queijos, pão da Gleba e doces artesanais da Barü, da chef de pastelaria Juliana Penteado. “Não queremos ter apenas um conceito, queremos realmente fazer por isso. Escolhemos ter tudo orgânico e trabalhar apenas com marcas e produtores que têm um posicionamento sustentável, quer a nível do ambiente, quer ao nível das condições de produção e de trabalho”, elabora Alice. Num futuro próximo, haverá ainda lugar a pop ups, com vários chefs a ocuparem o espaço com receitas suas (sempre de acordo com os princípios dos produtores locais e de fazer tudo o mais natural possível).

Ao fundo do open-space vislumbra-se a zona expositiva, mais iluminada e com poucas barreiras de circulação entre as obras. A curadoria da exposição inaugural, “Si No”, é da própria Alice. É composta por trabalhos de seis artistas – Inês Mendes Leal, Gabriel Siams, André Costa, Alice Turnbull, Henrique Biatto e Gabriel Koi –, cada um dos quais explora um formato distinto. “A exposição propõe-se a explicar vários formatos das artes e a reunir obras distintas. Estas transitam entre categorias e são voláteis na sua essência. Estamos a testar aqui os limites estéticos, porque no mesmo espaço juntamos pintura, digital, escultura, instalação, e tudo funciona”, explica Alice.

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Esta exposição durará até 10 de Outubro. A ideia é que os períodos em que estão patentes não sejam muito longos, para poder receber a maior variedade de artistas possível. E se as primeiras exposições (a actual e a próxima, que vai receber obras de artistas nova-iorquinos) têm a mão a Alice, o objectivo é deixar progressivamente que sejam artistas e colectivos a tomarem conta da galeria. “A base da galeria será sempre a de ceder o espaço a artistas que não o têm. Por isso estamos completamente abertos a propostas artísticas que possam acontecer aqui, até porque como o espaço é amplo e não há grandes limites”, refere Alice, que mostra vontade em criar uma espécie de quarteirão das artes Arroios-Anjos-Intendente com vizinhos como os Anjos70, o Covil, a Crew Hassan ou a Amor Records. É aguardar.

Rua de Arroios, 93A. Qua-Sáb 14.00-23.00. Facebook e Instagram

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