O que são e onde beber vinhos naturais em Lisboa

O movimento a favor dos vinhos feitos sem químicos, desde a uva até à garrafa, está a crescer. Saiba o que são vinhos naturais e onde os beber em Lisboa

©DR

Os vinhos naturais e biológicos não são moda passageira, são diferentes, e o método de produção é, aliás, bem antigo. Começamos por lhe explicar as diferenças entre vinificação natural, biológica e biodinâmica e dizemos-lhe onde pode ir tirar as teimas e provar este tipo de vinhos em Lisboa. Bons brindes.

Leia este glossário antes de ir a qualquer um destes restaurantes e cafés – se é para ir, que seja com conhecimento de causa


Vinho natural: é feito por pequenos produtores com uvas próprias, colhidas à mão, de agriculturas biológicas ou biodinâmicas, e fermentadas apenas com leveduras autóctones. Desde a apanha da uva até ao engarrafamento não são utilizados quaisquer químicos ou produtos industriais.

Vinho biológico: a certificação biológica permite que se adicione uma série de aditivos que o movimento dos vinhos naturais recusa, como o enxofre e o cobre.

Vinho biodinâmico: resulta de um modo de produção que olha para a vinha como uma componente do meio ambiente envolvente. São usadas preparações especiais de sprays à base de plantas e adubos, aplicadas de acordo com o calendário lunar. 

 

Onde beber vinhos naturais e biológicos em Lisboa

Prado

Vinho a pedir Aphros Daphne 2011
Prato Berbigão, acelgas e manteiga fumada

A carta de vinhos do restaurante de António Galapito só tem vinhos naturais, entre portugueses e alguns estrangeiros. “Somos o que comemos mas também o que bebemos. Temos cada vez mais de ter cuidado com o que ingerimos. Essa é uma das razões pelas quais a nossa carta é assim, a outra é o respeito pela terra”, diz Maria Rodriguez, a escanção da casa, referindo-se à inexistência de pesticidas e químicos nestes vinhos. “Temos de deixar a natureza dar o que tem de dar”, reforça. Além do Aphros Daphne, Maria recomenda um Humus macerado de 2015, que vai mesmo bem com um tártaro barrosão servido no restaurante. 

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Castelo de São Jorge

Cave 23

Vinho a pedir Quinta da Serradinha tinto
Prato Corvina com molho de dobrada

Quando Thomas Domingues, escanção, chegou à Cave 23, “não havia nada de vinhos naturais. Mudei tudo drasticamente”, diz, explicando-se apologista do respeito pela natureza e do tempo de produção. A carta é agora 90% natural, com todas as referências disponíveis a copo. “O cliente português clássico está habituado àqueles vinhos do Douro, redondos, cheios de fruta, com madeira, doces. O natural é o oposto. O Quinta da Serradinha [produzido em Leiria] é um tinto com 12º de álcool, uma cor mais leve, acidez mais elevada.” Este, em específico, com o prato de corvina com molho de dobrada e crumble de presunto é um dos “melhores pairings”.

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Lisboa
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Loco

5 /5 estrelas
Escolha dos críticos

Vinho a pedir Herdade dos Outeiros Altos
Prato Aves 

Emília Reis, sommelier do Loco de Alexandre Silva, ainda não tem nenhum pairing com vinho natural mas já tem vinhos naturais e biológicos na carta. “A selecção de vinhos naturais vai acontecendo conforme vamos provando”, diz, devido às suas características muito específicas e únicas. Mas na carta tem já Herdade dos Outeiros Altos, de certificação biológica, e Vale da Capucha – o primeiro vai bem com um prato de aves ou de forno, diz Emília. A carta de vinhos está a crescer mas, por enquanto, há já uma referência biológica de cada região, todas devidamente identificadas.

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Estrela/Lapa/Santos

Café Tati

4 /5 estrelas

Vinho a pedir Pelludo 2015 tinto
Prato Tábua de queijos 

A carta de vinhos do Café Tati, no Cais do Sodré, é feita pelos Goliardos (responsáveis pelos vinhos de vários restaurantes em Lisboa, pelo festival Vinho ao Vivo, que chegou a ter uma loja física e agora é garrafeira online, com garagem para venda todas as semanas – ver caixa). No Tati, conhecido pelos seus petiscos e brunch ao fim-de-semana, há cerca de meia dúzia de referências naturais a copo, para quem se quer iniciar neste tipo de vinhos, mas também uma garrafeira com uma selecção de vinhos europeus para beber no local ou levar para casa. De tempos a tempos, há prova de vinhos para aprender a diferenciá-los – é tudo anunciado nas redes sociais, basta estar atento.

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Cais do Sodré
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Mar

Vinho a pedir Las Vedras tinto
Prato Polvo assado com molho de fricassé

Na nova mariscaria-peixaria do Parque das Nações, dos donos da Forneria, não há vinhos de grandes marcas nem de grandes produtores para acompanhar o bom peixe fresco e o marisco. Francisco Guilherme, antigo escanção do Alma, de Henrique Sá Pessoa, quer fugir ao “mainstream do vinho”. “Temos 50-60% de vinhos naturais e biológicos. A aceitação tem sido boa apesar de a base do restaurante ser tradicional e os clientes também o serem”. Recomenda um vinho tinto Las Vedras, de vinhas velhas de Castelão, da zona de Lisboa. “Não é um castelão convencional. Tem uma cor mais aberta, é extremamente elegante”, garante.

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Parque das Nações

Onde comprar

1

Os Goliardos

Têm 500 referências de vinhos online e uma garagem em Campolide que abre todas as semanas, às quintas e sextas, das 17.00 às 20.00.

Rua General Taborda, 91 (Campolide)

2

Garrafeira Nacional

Nas mãos da mesma família desde a dia de abertura, a Garrafeira Nacional, que nos últimos anos estendeu os seus tentáculos a mais duas lojas em Lisboa (a GN Cellar, na Baixa e ao Mercado da Ribeira), continua a ser o sítio certo para descobrir vinhos caros, comprar os mais correntes, as bebidas espirituosas, os licores, tudo. 

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Baixa Pombalina
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3

Estado D'Alma

Assim como a Garrafeira Nacional, o Estado D'Alma também já começa a ter algumas referências de vinhos naturais e biológicos. Na dúvida, peça ajuda.

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Alcântara

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