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Quase um terço das intervenções arqueológicas acontece em Lisboa

Por Beatriz Silva Pinto
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A reabilitação urbana está a mudar a face de Lisboa e tem desenterrado tesouros atrás de tesouros. Em 2016, metade das intervenções em território nacional foram na capital e nunca houve tantas empresas de arqueologia em acção na cidade como no ano passado. A Lisboa subterrânea é o tema de capa da revista desta semana.

Os números não deixam dúvidas. Em solo nacional, é Lisboa que tem dado mais trabalho aos arqueólogos – em 2018, 29% das intervenções arqueológicas realizadas em Portugal aconteceram dentro das fronteiras da cidade. Não é um dado surpreendente, tendo em conta o cenário a que nos habituámos: edifícios rodeados de tapumes, máquinas de obras a passearem-se nas ruas e arqueólogos de coletes fluorescentes. Desde o final da crise financeira, em 2014, a reabilitação urbana ganhou novo fôlego na cidade. Ora, aumentando as obras que mexem no solo de Lisboa, obrigatoriamente aumentam as intervenções dos arqueólogos, contactados por quem reabilita ou constrói (pelo menos, sempre que a Câmara e a DGPC reconhecem sensibilidade arqueológica à zona intervencionada).

Em 2012, houve 155 intervenções em Lisboa. Dois anos depois, o número subiu para 262. Em 2016 atingiu-se um pico, com 607 intervenções na cidade – quase metade das feitas em território nacional. Uma tendência de crescimento que o aparecimento de novas empresas de arqueologia em actividade na cidade corrobora. Em 2015, houve 15 empresas de arqueologia a actuar em Lisboa. Em 2018, foram 22.

Miguel Lago, arqueólogo e CEO da Era-Arqueologia, uma das maiores empresas do sector, explica que o panorama mudou a partir de 2012: “Houve uma aposta cada vez maior na reabilitação de edifícios nas áreas do centro histórico e houve a decisão por parte da Câmara de avançar para uma série de planos de requalificação de certas áreas da cidade, nomeadamente na frente ribeirinha”, zona de reconhecida sensibilidade, nomeadamente na área da arqueologia náutica. Já Paulo Rebelo, arqueólogo na Neoépica, situa o boom em 2014, ano em que a empresa deixou de ter mãos a medir com os trabalhos no centro da cidade.

Podemos então dizer que esta muda de pele da cidade é benéfica à Arqueologia? Maria Catarina Coelho, da Direcção Geral do Património Cultural, diz que “é uma oportunidade” dada ao conhecimento: “Se a reabilitação for bem feita, temos três opções: ou estudamos, trabalhamos, salvamos os achados pelo registo e destruímos; ou aquilo que apareceu é importante ao ponto de ser preservado, mas não do ponto de vista da sua visualização e a obra cresce a partir dali; ou, então, os achados são tão significativos para a história da cidade que vale a pena que o projecto seja alterado para que sejam musealizados e possam ser visitados. Não vejo a reabilitação como, forçosamente, uma questão negativa. Mas é claro que nenhum promotor acha uma ‘oportunidade’ aparecer património arqueológico.”

Na revista desta semana, mostramos-lhe os maiores achados arqueológicos que se fizeram na cidade nos últimos dez anos e traçamos um roteiro do melhor que há para fazer nesta cidade debaixo do chão.

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