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Legendary Tigerman
©Paulo SegadaesThe Legendary Tigerman

Que se lixe o Natal, temos os blues de The Legendary Tigerman na ZDB

Paulo Furtado regressa à ZDB na noite de domingo, 25, e por lá continua na segunda. Falámos sobre esta renúncia da tradição que já se tornou ela própria uma tradição.

Escrito por
Luís Filipe Rodrigues
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Começou por ser uma deliciosa heresia. Na noite de 24 de Dezembro de 1999, enquanto quase toda a gente estava em casa, a empanturrar-se com a família, Paulo Furtado, então ainda ligado aos Tédio Boys, foi convidado “pelo Rodas para o Natal Comix, que acontecia no dia 24 no Hard Club”, recorda. “Uns anos depois, em 2001, propus ao Natxo [Checa] fazermos o dia 25 na ZDB, que relutantemente aceitou. Na altura não havia nada aberto em Lisboa, e na primeira vez veio muito pouca gente, talvez umas 20/30 pessoas… Mas no ano a seguir já esgotou.” Nunca mais pararam de esgotar. Este ano, os bilhetes para a noite de 25 voltaram a sumir num ápice. Mas há outro concerto na segunda, 26.

Hoje, Paulo Furtado não se imagina a fazer outra coisa no Natal. Desde que começou a gritar “Fuck Christmas, I Got The Blues” na Galeria Zé dos Bois, em 2001, só não o fez durante um par de anos – “num não toquei por opção e no outro estive doente”, lembra. Quando lhe perguntam se não se imagina a deixar tocar nesta noite, a resposta é rápida: “Sempre quis fazer estes concertos, e enquanto sentir vontade de os fazer, acontecerão”. Até porque, garante, se não estivesse a tocar, “provavelmente estaria a ver um concerto. Agora há tantos, não é?”

Este ano, por acaso, até há menos. A família Cuca Monga decidiu não passar o Natal a tocar no Musicbox, como acontecia na década passada, e sente-se a sua falta. E o vizinho Sabotage, que antes da pandemia também se tinha tornado um destino de eleição para muitos roqueiros nesta quadra, não resistiu aos confinamentos. No Porto, no entanto, há um par de concertos a apontar. O primeiro é o Natal Comix – sim, o mesmo de 1999 – no Barracuda, o mais recente bar do veterano Rodas. Passou por casas como o Hard Club, o Porto-Rio ou o Armazém do Chá, além de ter sido um dos donos do Comix e da Cave 45, e vai alternar discos depois da actuação de Peter Shark, na consoada. Já no dia 25 é JP Simões quem toca, pelas 18.00, no Novo Ático do Coliseu Porto Ageas.

Contudo, nada se compara aos concertos natalícios de The Legendary Tigerman na Zé dos Bois. “É uma noite especial, não tem somente a ver com o alinhamento. Às vezes tem convidados, outras não, o set pode durar uma hora ou o dobro, muitas vezes vou repescar canções que não toco há muito ou que nunca toquei”, descreve o músico. “Acho que todos temos noção, entre público e palco, que é algo diferente, há outro ambiente no ar.” 

O músico está a trabalhar num novo álbum, a editar em 2023, mas dificilmente vamos perceber o que vem aí nestes espectáculos. “As canções novas são de um outro sítio, no futuro”, explica. “Este concerto de Natal ainda está assente no formato de one-man-band do séc. XX.” E que belo formato esse, que nos legou canções eternas como a própria “Fuck Christmas, I Got The Blues” ou “Bad Luck Rhythm N’Blues Machine”. Como escreveu, no texto de apresentação deste concerto, José Marmeleira, que durante uma década agraciou as páginas da Time Out Lisboa, “o que se pode fazer ao som de ‘Bad Luck Rhythm N’Blues Machine’ senão dançar? Uma comunhão libertadora para os dias seguintes. Assim será este concerto onde todos serão meninos e rei magos.” Ámen.

Zé dos Bois (Lisboa). Dom-Seg 23.00. 15€.

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