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A abertura do Red Frog, em Maio de 2015, alterou a maneira como Lisboa se relaciona com os cocktails. Fizemos um levantamento do que mudou nestes dez anos.

Este artigo foi originalmente publicado na revista Time Out Lisboa, edição 673 — Primavera 2025
Quando Constança Cordeiro se mudou para Londres, em 2014, era difícil beber um bom cocktail em Lisboa. “Havia praticamente só o Cinco Lounge. Mais o Foxtrot e pouco mais”, recorda a proprietária da Toca da Raposa. “A questão”, aponta, “era a falta de clientes, mais do que a falta de interesse dos profissionais. Porque, quando trabalhava no Penha Longa, tinha colegas a irem a competições da Beefeater, em 2013. Só que não havia público, não havia mercado.” Depois da sua partida houve, porém, duas grandes mudanças: o arranque do Lisbon Bar Show e a abertura do Red Frog, ambas com o dedo de Emanuel Minez.
O Lisbon Bar Show, cuja décima edição se realizou entre os dias 20 e 21 de Maio, na Sala Tejo da MEO Arena, foi introduzido em 2014 por Alberto Pires e Minez. Passado um ano, este último juntou-se a Paulo Gomes para abrir o Red Frog, na Rua do Salitre. E, à sua maneira, mudaram a nossa relação com os bares e os cocktails. “Os barmen normais, na maior parte dos bares, que há uns anos só serviam mojitos e caipirinhas, foram ficando bastante mais elaborados e a servir melhor”, aponta Alberto Pires. “E depois há um nicho relativamente pequeno de bartenders que acompanham as últimas tendências internacionais e, nesse segmento, creio que o Red Frog alterou bastante o panorama.”
O co-fundador do Lisbon Bar Show faz questão de sublinhar que o “Cinco Lounge foi o primeiro bar a começar a fazer cocktails com os padrões lá de fora, mais elaborados, uns bons anos antes”. Acrescenta, porém, que o Red Frog levou esta prática “para outro patamar, entrou na lista dos melhores bares do mundo, há bartenders de fora que vêm cá propositadamente para visitar o espaço.” E não são só os profissionais que vêm de fora. Muitos dos clientes são estrangeiros, que reservam mesa no bar – que hoje partilha a morada com o Monkey Mash, na Praça da Alegria – antes mesmo de aterrarem em Lisboa.
Não é só no speakeasy de Emanuel Minez e Paulo Gomes que se ouve falar mais em inglês do que em português, no entanto. “Quase não há público nacional, é mais à base dos turistas estrangeiros. E isso foi muito nítido também no [tempo da] covid-19. Quando já se podia ter os bares e cafés abertos, mas ainda não tínhamos turistas, foi muito complicado”, lembra Constança, que voltou para Portugal para abrir a Toca da Raposa em 2018 e não saiu mais. “O português [médio] não tem poder de compra para estar a beber cocktails.” Se hoje há tantos bares de cocktails quanto há, deve-se muito ao aumento do turismo, conclui.
Alberto Pires concorda com esta leitura. “Havendo uma massa de turistas para gastar dinheiro e predispostos para ter outras experiências e para ver outras bebidas, torna-se bastante mais fácil do que se fosse só para o mercado português”, reconhece. “Sem eles tornava-se complicado. Porque não temos tanto poder de compra. Isso sente-se nalguns bares no Algarve, porque o turismo lá é muito sazonal”. José Mendes, bar manager e sócio do Torto, no Porto, diz o mesmo. O co-fundador do Lisbon Bar Show ressalva, ainda assim, que “há bastantes casos de sucesso no Algarve, com cocktails muito bons”.
Depois do Red Frog, começaram a abrir mais bares de cocktails em Lisboa. Primeiro a Toca da Raposa, depois o Café Klandestino e muitos outros. Constança Cordeiro nota, porém, que não foi influenciada pelo speakeasy da Praça da Alegria. “Estava em Londres quando o Red Frog abriu, e voltei porque queria abrir o meu bar. O João [Pedro Resende] do Café Klandestino também estava fora, em Barcelona. O Imprensa que também abre a seguir, não foi nada influenciado por eles, porque o João [Cabral], um dos donos, também estava a trabalhar na área, em Nova Iorque.”
“O que aconteceu foi que Lisboa começou a crescer, por causa do turismo”, considera a proprietária da Toca da Raposa, do Uni e do recente Croqui. “E eles de facto apanharam ali a primeira maré. Se bem que, no caso deles, têm um objetivo muito concreto, que é estar nos 50Best [Bars]. E trabalham muito para isso.”
Já José Mendes, que antes do Torto esteve ainda no Royal Cocktail Club, aberto em 2017 no Porto, e só no ano passado visitou “mais de 50 bares pelo mundo fora”, reconhece o impacto que o Red Frog teve no meio. “Tenho uma excelente relação com o Paulo com o Emanuel Minez, somos parceiros nesta luta de fazer crescer Portugal fora de portas. Mas tenho certeza absoluta, e digo isto com toda a convicção, que o Red Frog fez muito para o desenvolvimento da comunidade [de bartenders] não só de Lisboa, como a nível nacional.”
Introduziu novas técnicas e sabores, outro cuidado no serviço. E continua a inovar.
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