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Regabofe: das almoçaradas de amigos à nova marisqueira de Lisboa

A poucos minutos do Marquês, há um novo restaurante para comer sem cerimónias, a todas as horas do dia. Os clássicos de uma marisqueira estão lá todos, mas também há inovações que vale a pena experimentar. E um sorvete de manga com vodka para rematar.

Vera Moura
Escrito por
Vera Moura
Directora Editorial, Time Out Portugal
Regabofe
Salvador Colaço | Regabofe
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Um grupo de amigos adorava combinar almoçaradas onde nunca faltava boa comida e muita bebida. Um regabofe. Agora, decidiram brincar com coisas sérias e abrir um restaurante à sua imagem e semelhança. O Regabofe. Descontraído, com uma grande preocupação com a frescura do produto e sem horas para começar a comer e acabar de beber, fica na Alexandre Herculano, a poucos minutos a pé do Marquês, e serve marisco e outros clássicos de marisqueira, como pica-pau, prego e bitoque. Mas não só. 

“Quando decidimos embarcar nesta aventura, já sabíamos que queríamos uma marisqueira, mas sem aquela clássica luz branca e a fugir um bocadinho ao óbvio. Uma cena cool e descontraída, sem cerimónias”, diz Salvador Colaço, um dos seis sócios. “Uma das nossas dificuldades era arranjar um sítio para almoçar às três ou quatro da tarde se nos apetecesse. Por isso, aqui, abrimos ao meio-dia e só fechamos depois do jantar, sempre com a mesma carta e o mesmo serviço”, continua o fotógrafo. 

Regabofe
Salvador ColaçoRegabofe
Regabofe
Salvador ColaçoA esplanada do Regabofe, na Alexandre Herculano

Diogo Coucello é o único elemento do grupo dedicado a 100% ao projecto que abriu discretamente em Julho – era, aliás, o que tinha mais experiência na área da restauração e mais contactos de fornecedores. Os outros vão passando sempre que podem e dando o seu contributo. Salvador, por exemplo, além de ter tirado as fotografias, claro, ajudou a compor o imaginário do mar e da pesca, com redes, bóias, remos, cordas, gabardines, galochas e balanças de peixeira a decorar a entrada e alguns recantos da esplanada e das três salas interiores. “O que encontro na praia, trago para cá”, conta. 

Regabofe
Salvador ColaçoA frescura do produto é uma das maiores preocupações do Regabofe

O projecto de arquitectura de interiores de Miguel Mouzinho deixou o antigo restaurante de ramen irreconhecível. Agora tem azulejos brancos toscos a forrar as paredes, mármore no belíssimo balcão da entrada, nas mesas e na montra diária de marisco (não havia espaço para um aquário) e muitos espelhos. A sala do fundo, com capacidade para dez pessoas, foi pensada para grupos (como o de Salvador) e tem bóias de pesca vermelhas e amarelas penduradas no tecto.

Regabofe
Salvador ColaçoAs referências ao mar e à pesca compõem as salas do Regabofe

Do mar e da terra, com criatividade

A carta do Regabofe é curta (a cozinha é apertadinha) e inclui tudo o que se espera de uma boa marisqueira: pão torrado no couvert (4€); presunto pata negra (21€) e gamba ao alhinho (22€) nas entradas; amêijoas à Bulhão Pato (29,50€), gamba da costa (95€/quilo) e carabineiros (185€/quilo) no marisco; e prego do lombo (14,50€), pica-pau (19,50€) e bitoque (20€) nas carnes. Mas esta é uma marisqueira dos tempos modernos, e por isso há algumas surpresas a quebrar o tradicional. 

Regabofe
Salvador ColaçoO bitoque do Regabofe
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Salvador ColaçoA surpreendente gamba da costa marinada do Regabofe

Para arrancar, por exemplo, um trio tem feito sucesso: os croquetes de rabo de boi (4,90€/duas unidades), pequenos, cremosos e com mostarda para acompanhar; a gamba da costa marinada (19,50€/10 unidades), que chega à mesa praticamente crua, com o ácido da lima a estalar; e os crocantes de camarão (11€/quatro unidades), cujo nome é bem fiel ao resultado – bolinhas leves de massa crocante, a fazer lembrar o panipuri indiano, recheadas com camarão picado fresquíssimo. 

No capítulo Da Terra (o das carnes), provámos o tenro pica-pau, servido em nacos grandes e altos, com um alho inteiro, tomilho e a gordura a brilhar no fundo da frigideira; mas surpreende a proposta do ribeye do Uruguai (49,50€) para partilhar. As guarnições disponíveis são batatas fritas (3,90€), grossas e irregulares, o arroz branco com alho frito (3,90€), a salada mista (3,90€) e o ovo estrelado (2€).

É para comer ou para beber?

A terminar, o Regabofe tem as populares bolas de salame Lisboetas (2,60€); lérias (2,20€) para quem não dispensa um clássico cheio de ovos; abacaxi com raspas de lima (4,50€) para quem prefere desenjoar; e uma tarte basca (6€) bem esponjosa no exterior e líquida e cremosa no interior.

Regabofe
Salvador ColaçoÉ uma bebida ou uma sobremesa? O sorbet de manga com ou sem vodka é um bom remate para uma refeição no Regabofe

A carta de vinhos não é a que os amigos sonharam – a falta de espaço assim o ditou – mas está bem composta de espumantes e champanhes, verdes, rosés, brancos e tintos, alguns deles servidos a copo (6€-8€). Quem quiser levar a sua própria garrafa de casa, a taxa de rolha custa 20€. 

Conte ainda com cocktails e uma sobremesa que é bebida ao mesmo tempo, servida num copo com palhinha: o sorbet de manga à Regabofe, com espuma de gengibre e lima. Com ou sem vodka (5€-8€), é para comer à colherada ou sorver. Isto vai para aqui um regabofe… 

Rua Alexandre Herculano, 17B, Avenida. Todos os dias 12.00-00.00 (cozinha encerra às 23.00)

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