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Restaurada, tapeçaria do século XVI está de volta ao Palácio de Sintra

A intervenção de conservação e restauro permitiu salvaguardar uma das tapeçarias mais antigas e raras nas colecções nacionais.

Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
Palácio Nacional da Ajuda
© José Marques SilvaTapeçaria mille fleurs do século XVI no Palácio Nacional da Ajuda
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Um dos maiores tesouros do acervo do Palácio Nacional de Sintra está de volta ao circuito de exposição do monumento, depois de ter sido alvo de uma intervenção de conservação e restauro “que lhe devolveu o esplendor”, de acordo com a Parques de Sintra. Trata-se de uma rara tapeçaria mille fleurs com as Armas Reais Portuguesas, dos inícios do século XVI, e o emblema pessoal de D. Manuel I, uma esfera armilar, que surge representada nos quatro cantos da peça.

Foi em meados de 2021, no âmbito das comemorações dos 500 anos da morte do rei D. Manuel I, que a peça foi emprestada ao Museu Nacional de Arte Antiga para a exposição “Vi o Reino Renovar”. Na sequência deste empréstimo, o museu decidiu investir na sua conservação e restauro, no atelier de Luís Pedro, especialista em conservação e restauro de têxteis. Segundo a equipa do Palácio Nacional de Sintra, que acompanhou o processo, a tapeçaria – constituída por delicados fios de algodão, lã e seda – foi objecto de “uma meticulosa intervenção que visou a remoção da sujidade, a estabilização de áreas de lacuna, a revisão do sistema de suspensão e a recolocação do forro”.

Para destacar a peça, agora protegida por uma vitrine, a Parques de Sintra decidiu investir numa nova museografia, que a acomode “condignamente” no corredor que conduz à Sala dos Brasões, uma das mais emblemáticas do Palácio Nacional de Sintra. O espaço, que integra um núcleo expositivo dedicado à memória, é agora subordinado ao tema da “continuidade do brasão de Portugal desde os inícios da Monarquia até à contemporaneidade” e apresenta um importante conjunto de peças que revelam como o escudo (com a bordadura vermelha, castelos de ouro e escudetes com besantes) foi usado pelos órgãos de poder ao longo dos últimos 800 anos.

As tapeçarias mille fleurs, caracterizadas pelo fundo preenchido por vegetação, foram das produções têxteis de maior sucesso nos Países Baixos ao longo dos séculos XV e XVI. No caso da peça do Palácio, não é possível determinar com exactidão a origem, mas a sua tipologia leva a crer que tenha sido produzida pela manufactura de Bruxelas, o principal centro de produção flamenga da época, a partir de uma provável encomenda régia.

Já o escudo de armas representado no centro da tapeçaria corresponde ao que foi usado entre os reinados de D. João I e D. João II, antes da reforma das armas reais que levou à remoção das flores-de-lis, símbolo da Cruz da Ordem de Avis, e à alteração dos escudetes ao centro do brasão. Mas a inclusão das esferas armilares, emblema de D. Manuel I, revela que a tapeçaria será seguramente posterior. “É uma espécie única no Estado Português. As tapeçarias heráldicas com brasões portugueses são raríssimas, particularmente com armas reais”, remata a museóloga e especialista em tapeçaria, Maria José de Mendonça.

Largo Rainha Dona Amélia (Sintra). Seg-Dom 09.30-18.30. 8,50€-10€

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