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Santuário Cucina: o novo supper club de comida italiana

Santuário Cucina
©Inês Félix

A siciliana Alessandra Lauria mudou-se para Portugal em Novembro e encontrou uma casa para mostrar a sua especialidade: a massa fresca. No Santuário Cucina, faz workshops e jantares à porta fechada. Pusemos as mãos na massa no novo supper club da cidade.

Isto não é um restaurante e o mais provável é chegar e ver Alessandra ainda com as mãos na massa, cheia de farinha, enquanto estica, corta e molda orecchiette, um tipo de massa fresca sem ovos com a forma de uma pequena orelha. Mas também podem ser gnocchi ou raviólis, depende do dia e da ocasião. Num primeiro andar luminoso e arejado em Santos nasceu o Santuário Cucina, um espaço que quer ser um supper club italiano mas também escola de cozinha, com workshops de pasta. 

 

Há workshops dados por Alessandra Lauria
Fotografia: Inês Félix

 

“Juntar pessoas à volta de uma mesa é uma coisa sagrada para mim. Não interessa o que tens na mesa, mas interessa estares a aproveitar, chegares a diferentes culturas e partilhares conhecimento”, diz Alessandra Lauria, em Lisboa desde Novembro. Chegou à capital para trabalhar no Ruvida, o restaurante pequenino de massa fresca que abriu em Alcântara no início deste ano, mas nos entretantos não quis ficar parada e começou a dar workshops de massa e a conhecer pessoas – pelo meio encontrou Ana Paula Várzea, a responsável do antigo CoolCook Club e do actual Santuário Cinematoca do piso de baixo, deu nova vida ao espaço da escola de cozinha e conheceu os donos do In Bocca al Lupo, o restaurante no Príncipe Real onde agora é pasta chef uma vez por semana. 

 

Os orecchiette de Alessandra
Fotografia: Inês Félix

 

Aqui quer ensinar que a massa fresca não é nenhum bicho papão e é fácil reproduzir em casa – “Fazer massa é o novo yoga. É mesmo terapêutico”, ri-se – mas também criar pratos do Sul de Itália e convidar outros cozinheiros para jantares, sempre anunciados nas redes sociais. 

A área de formação de Alessandra nada tem a ver com cozinha, mas sim com acção social – passou muito tempo em projectos de voluntariado na África do Sul, Zimbabué e Quénia mas habituou-se a cozinhar para muitas pessoas durante os tempos de faculdade, em Milão. O trabalho levou-a para Londres, onde quis ficar para aprender inglês e continuar o trabalho social, e acabou a montar uma Food Assembly perto de casa, uma espécie de ponto de encontro para compra directa aos pequenos produtores de frutas e legumes. Depois começou os jantares pop-up, num estilo supper club, onde inicialmente não quis cozinhar pratos italianos, mas sim de outras nacionalidades, para alargar horizontes. O hobby tornou-se mais do que isso quando a convidaram para cozinhar para um príncipe saudita durante a sua estadia em Londres – correu tão bem que a levou para Los Angeles para cozinhar para si no festival Burning Man. Depois desta experiência nunca mais deixou o mundo da comida, mas sabia que não queria um restaurante. Queria algo que a aproximasse das pessoas e fosse uma experiência tanto gastronómica como social, por isso voltou para Itália, onde ficou dez meses entre Pádova e Bolonha a especializar-se em massa fresca e a explorar as suas raízes à séria. 

 

Mozzarella de búfala orgânica
Fotografia: Inês Félix

 

A primeira materialização do seu The Sicula Project, a conta de Instagram  que criou para mostrar a sua aventura no mundo da pasta, aconteceu há duas semanas, com um primeiro jantar de teste. Agora seguem-se os workshops, seguidos de almoço ou jantar, feitos à medida ou com convidados e colaborações especiais.  O próximo é no dia 23, às 11.00, em parceria com o colectivo culinário Mani in Pasta, e junta a impressão manual com a pasta fresca (49€, com almoço incluído). “Vamos começar a explorar as especiarias, como as utilizar na massa”, explica Alessandra, e perceber como funciona o mundo da impressão. No final, há um poster para levar para casa e pendurar na cozinha.

 

Orecchiette com brócolos e tomate seco
Fotografia: Inês Félix

 

Alessandra está ainda a perceber quais os melhores fornecedores para farinhas, azeites (“se o azeite não for bom, o sabor da massa muda completamente”, explica)– neste workshop de orecchiette  ( que resultou numa receita com brócolos, tomate seco, raspas de parmesão e de limão), ainda não tinha as farinhas afinadas, e está à espera de um carregamento, bem como de encontrar  outros produtos italianos autênticos para sobremesas ou entradas, como estas mozarelas de búfala frescas e orgânicas, que arranjou através do In Bocca Al Lupo. O primeiro oficial deste supper club é só em Abril – marque na agenda as datas de 11 e 12 de Abril, quando Dora, uma cozinheira da Sardenha, e Júlia, do Chipre, se vão juntar a Alessandra para um menu mediterrâneo feito a seis mãos. Vai haver pão siciliano, queijo caseiro da Sardenha e chutney de mosfillo, um fruto cipriota, pancetta, um trio de pasta fresca, um prato principal com lulas e duas sobremesas, o bolo de pistáchios e amêndoas shamali e o cannoli siciliano com creme de laranja (45€ por pessoa).

Largo Vitorino Damásio, 8 (Santos).

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