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Com vista para o Tejo, o novo restaurante do grupo SushiCafé no Parque das Nações recupera um espaço que estava fechado há uma década e enche-o de sabores tradicionais. Aqui tudo pode (e deve) ser partilhado.

Não há nenhum letreiro vistoso, luzes que indiquem a entrada ou um logo que chame a atenção. No entanto, quando entramos no Submerso numa hora de almoço de um dia da semana, o espaço já está bem composto. Talvez sejam os aromas que atraem os clientes, um chamamento de petiscos portugueses.
A carta do novo restaurante no Parque das Nações vai buscar receitas e costumes de vários pontos do país, com o objectivo de ser uma porta de entrada para a gastronomia portuguesa. “Num sítio tão turístico, queríamos apresentar sabores tradicionais”, explica o chef José Barros, à frente da cozinha do mais recente projecto do grupo SushiCafé (que detém, por exemplo, o Este Oeste e o Izanagi).
Estamos nas traseiras do Oceanário de Lisboa, virados para o Tejo, e, por isso, o nome não podia fugir à temática. Das janelas envidraçadas que preenchem uma parede inteira, do chão ao tecto, vêem-se as árvores e a água. O sobe e desce lento do teleférico – que tem um acesso a poucos metros, à esquerda – acrescenta uma cadência apaziguadora ao cenário. Brevemente haverá uma esplanada, mas por enquanto tudo se concentra na sala ampla com lugar para 70 pessoas, além de 12 bancos à volta do balcão que fica logo depois da cozinha aberta.
O menu cumpre três critérios: ter ingredientes frescos, sazonais e de origem nacional. Há ainda um extra: tudo pode (e deve) ser partilhado. Nas entradas há chouriço de porco assado acompanhado por broa de milho (6€), salada de polvo com pão rústico torrado (9,50€) ou sardinha confitada com broa de milho (10€). Seguimos para o tártaro de carne (13,50€), fresco e cremoso, com cebola, pimentos e cebolinho. Há tostas para acompanhar, mas o pão estaladiço do couvert (2,50€ por pessoa, inclui pão, manteiga, azeite virgem extra e azeitonas temperadas) também é uma boa parelha.
Nas opções cozinhadas destaca-se o pica-pau de novilho (15€), uma carne tenra e bem condimentada com pickles e um molho cremoso; ou, para quem trouxer desejos de marisco, amêijoas à Bulhão Pato (23,50€) e camarão à guilho (14,50€). Continuando no mar, há um cremoso bacalhau à Brás (16€), cuja dose tanto se adapta a prato principal, como a entrada a dividir por várias pessoas, arroz de polvo (16€) e filete de robalo (18€), que é acompanhado por batata a murro e feijão verde salteado.
O chef José Barros soube desde o início que não precisaria de inventar muito. Natural de Carcavelos, cresceu no meio da restauração, área onde os pais já trabalhavam. Sabe que, se os ingredientes forem bons e os sabores forem bem conjugados e apurados, é difícil falhar. No Submerso, o desafio é manter a qualidade, mas acelerando o processo. “Queríamos ter pratos que fossem rápidos de preparar e de consumir. Muita gente está a passear e não quer passar uma eternidade à mesa.”
O balcão oval, forrado a azulejos azul petróleo, oferece uma vista privilegiada para a azáfama da cozinha, mas é também um óptimo lugar para picar acompanhado por um copo de vinho. Além de dezenas de opções de garrafas, a carta propõe uma selecção do trimestre com três referências. Na visita da Time Out, o rosé é Senhora Comadre reserva (5€ o copo, 18€ a garrafa), o branco é Vila Jardim sauvignon blanc (5,50€ o copo, 23,50€ a garrafa) e no tinto, a sugestão é Senhora Malandra (5€ o copo, 18€ a garrafa).
Tudo isto pode também acompanhar um dos pratos de carne, claro. Da terra, como indica a carta, há barriga de porco (16€), com puré de chalota, alcaparras e molho pimenta; bife à portuguesa (20€), com presunto, ovo e batata frita; ou um típico bitoque de novilho (16,50€), com arroz, batata frita e ovo estrelado. E, sim, até isto pode partilhar. Além dos acompanhamentos destes pratos, há outros que podem perfeitamente entrar em cena: vão da salada de tomate e cebola (4€) ao feijão verde salteado (3€) ou esparregado (4€).
Para já, a cozinha funciona até às 19.00, mas a ideia é que o horário seja esticado brevemente para incluir jantares. “A última visita ao Oceanário é às 19.00, as pessoas saem por volta das 20h e queremos dar-lhes a opção de ficarem por aqui”, explica José Barros.
Seja qual for o horário, convém guardar espaço para as sobremesas — tradicionais, claro, embora com algumas inovações. A mousse de chocolate (6€) é cremosa como qualquer receita caseira deve ser, mas completa-se com azeite virgem extra, flor de sal e pedaços de avelã. O ideal é misturar tudo mesmo antes da primeira colherada O bolo de bolacha (5,50€) apresenta-se sob a forma de uma fatia alta, com menos manteiga e café do que é cosstume. Há ainda arroz doce (5€), com canela e raspas de limão, e leite creme (5€).
O espaço com traços industriais estava fechado há cerca de uma década. Ganha agora uma nova vida com pilares pintados de laranja, o mesmo tom dos bancos corridos, mesas de madeira e pedra e azulejos brancos e azuis, colocados em pontos estratégicos. A ideia, desde que abriu a 17 de Julho, é que a ligação entre a tradição e a modernidade seja harmoniosa, para os olhos e para o estômago. “Abrimos na altura de maior fluxo de pessoas no Oceanário. Se aguentámos estes meses, estamos prontos para o resto”, garante o chef.
Esplanada Dom Carlos I (Parque das Nações). Seg-Dom 12.00-19.00
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