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Também queremos: tudo o que invejámos de outras cidades em Dezembro

Por
Luis Leal Miranda
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1. Um jardim debaixo da terra

Lisboa é a cidade perfeita para isso, tendo em conta o tempo que os alfacinhas passam debaixo da terra a vegetar.

O jardim de que falamos é o Lowline de Nova Iorque. A cidade do Highline, um jardim suspenso plantado numa antiga linha de caminhos de ferro elevada, inventou uma alternativa subterrânea, o Lowline, um espaço público para plantas e pessoas situado no subsolo. É um jardim que vai ocupar uma estação de eléctricos desactivada desde os anos 40, o histórico Williamsburg Bridge Trolley Terminal, em Manhattan. O projecto é um fenómeno de engenharia e arquitectura que pretende captar a luz do sol de várias formas diferentes (clarabóias, espelhos, fibras ópticas), e assim dar vida a uma parte moribunda do espaço público. É, também, uma forma lúdica de nos pôr a imaginar cenários pós-apocalípticos. O Lowline abriu em 2012 para um período de testes mas fechou assim que ficou provado que o conceito funcionava. As obras para fazer uma versão definitiva deste enorme jardim subterrâneo estão em curso, e a inauguração oficial e definitiva está marcada para 2021. Na Lisboa do futuro gostávamos de ver um aproveitamento do espaço livre e da água a pingar do tecto de alguma estações de metro para plantar viçosas couves portuguesas. 

2. Uma exposição tripante como esta

Chama-se “Our Senses” e explora as maneiras como o nosso cérebro interpreta o mundo.

 

Está a meio caminho entre a apresentação museológica séria e o divertimento de feira. Uma experiência imersiva distribuída ao longo de 11 salas com jogos de luzes, ilusões ópticas, galerias de cheiros e outros espaços construídos para nos fazer desconfiar da longa relação de confiança que temos com o nosso cérebro. Exemplo: há uma sala onde as paredes parecem estar a cair (e o nosso equilíbrio sofre, mesmo quando os nossos pés permanecem na horizontal). Moral da história, nem tudo o que parece, é. Ao longo da exposição os visitantes recebem explicações sobre o que se está a passar com a sua massa cinzenta e tentam compreender o “telefone avariado” que os nossos sentidos estão a jogar com o nosso cérebro – questões de anatomia, abordagens práticas à teoria da evolução e outras questões que nos fazem ter pena de ter passado Físico-Química a copiar. “Our Senses: An Immersive Experience”, inaugurou em Novembro no Museu de História Natural de Nova Iorque e rapidamente se tornou na exposição obrigatória deste Natal. Em Lisboa, durante a época festiva, a única experiência que nos faz duvidar do nosso cérebro é a clássica ilusão de que a fila de supermercado onde não estamos anda mais depressa que a nossa.

3. Música no metro

A melhor maneira de pedir desculpa pelos “incómodos causados”.

Até há pouco tempo a coisa mais divertida que podia acontecer no metropolitano de Lisboa era ver os turistas correr – arrastando as suas malitas, carregando as suas sacas – quando chegava uma combinação de apenas três carruagens à Linha Verde. Desde que há metro com seis carruagens (um luxo, senhores!) que a nossa vida debaixo da terra se tornou uma pasmaceira. Existem os suspiros, a indignação pelos atrasos, as homenagens à indústria conserveira na hora de ponta, mas nada que nos anime. Por isso gostávamos de ver em Lisboa uma iniciativa como a do metro de Londres: órgãos, pianos e outros instrumentos espalhados pelas plataformas e à disposição de quem tiver mãozinhas para os tocar. A ideia é da TfL, empresa de transportes da capital inglesa, que em conjunto com a marca de instrumentos Yamaha, engendrou esta espécie de rede de música underground (ah ah). Os pianos vão andar de estação em estação até ao final do ano, altura em que serão doados para instituições de caridade. Não há nenhuma limitação quanto aos estilos de música e a única coisa que pode demover um mau pianista de entreter as multidões é a vergonha. Em Lisboa, com uma rede de metro tão dada a “perturbações”, uma versão martelada dos Nocturnos de Chopin seria o menor dos nossos problemas.

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